A Pizzaria Chatubão, situada no bairro do Cambuci, zona central de São Paulo, tornou-se alvo das investigações da Operação Vérnix, ação que também levou à prisão da influenciadora e advogada Deolane Bezerra na quinta-feira (21).
Documentos do inquérito apontam que o estabelecimento exibe diversas irregularidades financeiras e operacionais, características compatíveis com mecanismos empregados para lavagem de dinheiro e ocultação de bens.
As investigações seguem em curso, e as acusações serão submetidas à apreciação judicial, garantindo-se o direito à ampla defesa.
Inaugurada em 3 de julho de 2014, a pizzaria possuía inicialmente dois sócios, cada um detendo 50% do capital social. Um deles faleceu em abril de 2020 e apresentava registros criminais ligados à Lei de Drogas. Apesar da atividade formal do negócio, não foram localizados indícios de empregados registrados no período examinado.
Conforme os autos, entre janeiro de 2018 e julho de 2022, a Pizzaria Chatubão movimentou R$ 566.559,27. Contudo, desse total, R$ 537.517,72 (94,87% das operações) carecem de origem identificável.
Em 2018, por exemplo, as transações com cartão somaram apenas R$ 0,04 ao longo de todo o ano. Até julho de 2019, o montante atingiu meros R$ 58,35.
Os depósitos em espécie igualmente foram classificados como suspeitos. De acordo com os extratos bancários, a pizzaria recebeu unicamente R$ 2.120,00 em dinheiro vivo, todos desprovidos de CPF ou CNPJ do depositante.
A polícia sustenta que este e outros empreendimentos sob investigação integrariam uma rede destinada a ratear valores e simular legalidade em transações financeiras supostamente vinculadas ao PCC.
Origem das investigações
Segundo as autoridades, a operação decorre de uma apuração iniciada em 2019, após a interceptação de bilhetes e manuscritos na Penitenciária II de Presidente Venceslau.
O material apreendido teria exposto aspectos da dinâmica interna da facção, comunicações entre integrantes e eventuais planos contra agentes públicos, motivando a abertura de múltiplos inquéritos.
A primeira etapa focou nos detentos flagrados com os documentos. Conforme o relatório investigativo, a análise dos manuscritos revelou menções a líderes da organização criminosa e referências a uma pessoa descrita como “mulher da transportadora”, que supostamente teria colaborado no levantamento de informações sobre servidores.
Os condenados foram posteriormente transferidos para o sistema penitenciário federal.






