Neste 28 de maio, Dia Nacional de Luta pela Redução da Mortalidade Materna, o Ministério da Saúde enfatizou a relevância dos cuidados durante o pré-natal e o pós-parto para o bem-estar de mães e bebês. Instituída pelo próprio ministério, a data incentiva, em âmbito nacional, o debate sobre a ampliação de políticas públicas focadas no cuidado integral à saúde das gestantes. Considerado um indicador fundamental da qualidade de vida da população, esse tema se torna ainda mais crucial em regiões com acesso restrito aos serviços de saúde.
Nos territórios indígenas, através de iniciativas coordenadas pela Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), o Ministério desenvolve diversas ações voltadas para a saúde feminina. Entre elas, ressaltam-se a melhoria do acesso ao pré-natal, o aprimoramento do atendimento em localidades remotas e, especialmente, a estruturação e o fomento de políticas públicas que valorizem o corpo, a cultura, o território e os saberes tradicionais dos povos originários. “A diminuição da mortalidade materna entre mulheres indígenas demanda um cuidado que respeite os territórios, as ciências ancestrais e a realidade de cada etnia. Nosso compromisso é assegurar que essas mulheres recebam assistência qualificada, humanizada e segura, do pré-natal ao pós-parto, inclusive nas áreas mais isoladas do país”, declara a secretária-adjunta da Sesai, Putira Sacuena.
Dentre as estratégias implementadas pelo Ministério da Saúde, destaca-se a Rede Alyne, uma política nacional voltada para a redução da morbimortalidade materna e infantil, com foco especial nas populações negra e indígena. A iniciativa visa garantir atenção humanizada e de excelência à gestante, parturiente, puérpera, recém-nascido e criança, além de consolidar a integração entre os diversos níveis de atenção à saúde.
Atuação local
Nos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dsei), a Sesai reforçou o monitoramento dos indicadores de saúde materna e infantil e expandiu as ações de qualificação das equipes multiprofissionais de saúde indígena. Um dos focos principais é o fortalecimento do cuidado durante todo o ciclo gravídico-puerperal, desde o acompanhamento pré-natal até o período pós-parto, proporcionando um atendimento mais capacitado e humanizado.
As iniciativas também abrangem a prevenção, o diagnóstico e o tratamento de infecções sexualmente transmissíveis, como sífilis, HIV/aids e hepatites virais, além de atividades educativas sobre saúde sexual e reprodutiva e medidas de combate à violência doméstica e familiar. Outro progresso significativo é o aumento do acesso a métodos contraceptivos, oferecendo às mulheres indígenas maior controle sobre sua saúde reprodutiva. Entre os métodos disponíveis, estão o DIU de cobre, contraceptivos hormonais, preservativos e implantes contraceptivos subdérmicos de longa duração.
A Sesai também vem consolidando a linha de cuidado materno-infantil através do Projeto Cuidado Especializado Digital (CED), desenvolvido em parceria com o Hospital Sírio-Libanês no âmbito do Proadi-SUS. Essa iniciativa amplia o acesso a cuidados especializados em áreas remotas por meio de teleconsultas, teleinterconsultas e teleconsultorias.
Telessaúde em regiões remotas
Essas abordagens já são implementadas em diversos territórios indígenas do Brasil, especialmente em locais de difícil acesso, onde a telessaúde surge como uma ferramenta essencial no cuidado à saúde. Como parte dessas ações, entre os dias 20 e 22 de maio, o Dsei Alto Rio Negro realizou, em São Gabriel da Cachoeira (AM), a oficina “Telessaúde na Linha de Cuidado Materna: Qualificação do Pré-Natal de Alto Risco”.
O evento reuniu profissionais de saúde, lideranças indígenas e instituições parceiras para debater os desafios e as estratégias relacionados à assistência materna em zonas de difícil acesso. Durante o encontro, foram tratados tópicos como telemonitoramento em áreas distantes, classificação de risco gestacional, prevenção da transmissão vertical de infecções, manejo de diabetes e hipertensão na gestação, emergências obstétricas e assistência ao parto seguro. A oficina também evidenciou a união entre saberes tradicionais e práticas de saúde, com discussões sobre o papel das parteiras indígenas, a humanização do parto, a violência obstétrica e os direitos das gestantes.
A iniciativa contou com o suporte da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Defensoria Pública do Estado, Conselho Regional de Enfermagem do Amazonas (Coren-AM) e Universidade Federal do Amazonas (Ufam), reforçando a articulação entre instituições em prol da saúde materna indígena.
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