Moraes alfineta Zema e vê “escada eleitoral” em críticas ao STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, direcionou indiretas nesta terça-feira (28) ao ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que tem feito das críticas à Corte uma estratégia em sua pré-campanha presidencial. Para o magistrado, aqueles que não possuem viabilidade eleitoral costumam apelar para ataques ao STF como forma de obter projeção política.

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“Políticos que não têm voto necessário para atingir as candidaturas que querem acabam querendo ofender o Poder Judiciário, acabam querendo ofender a honra, a dignidade dos membros do Poder Judiciário, utilizando-nos como escada eleitoral”, declarou o ministro durante julgamento de uma queixa-crime do deputado Gustavo Gayer (PL-GO) contra o deputado José Nelto (União Brasil-GO), cujo pedido foi rejeitado.

Moraes mencionou que levantamentos recentes indicam que o eleitorado não deseja candidatos que concentrem seus discursos em críticas ao STF, deixando de lado outros temas relevantes. A declaração parece aludir à estagnação de Zema nas pesquisas eleitorais. Segundo dados divulgados pelo instituto AtlasIntel nesta terça-feira, o ex-governador mineiro oscila entre 3,1% e 3,8% das intenções de voto, posicionando-se atrás de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) — este último superando Zema em um dos três cenários avaliados.

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Críticas como estratégia

O ministro argumentou que essas ofensas verbais ao STF representam uma manobra para evitar a apresentação de propostas concretas ou a discussão de resultados administrativos. “Esses políticos que pretendem, em vez de discutir saúde, educação, segurança pública, em vez de discutir o que fizeram em seus mandatos, como fizeram, o que fizeram de bem, se é que fizeram, o que fizeram de mal, se também é que fizeram, querem pegar uma escada numa suposta polarização contra o STF, não com críticas, mas com agressões verbais”, afirmou Moraes.

O contexto do embate

A troca de farpas entre o ministro do STF e Zema começou após a divulgação de uma série de vídeos satíricos intitulada “Os Intocáveis”, publicada nas redes sociais do ex-governador. O decano da Suprema Corte solicitou que Zema fosse incluído no Inquérito das Fake News, sob relatoria de Alexandre de Moraes. No pedido, o ministro afirmou que o ex-governador teria tratado com desdém não apenas a honra e a imagem do STF, mas também a própria honra da Corte.

O conteúdo satiriza a decisão de Gilmar Mendes que, em 27 de fevereiro, anulou a determinação da CPI do Crime Organizado de quebrar os sigilos bancário, fiscal e telemático da empresa Maridth Participações, ligada à família do ministro Dias Toffoli.

As críticas de Zema se intensificaram nos últimos dias, e Gilmar Mendes deu respostas polêmicas na imprensa e nas redes sociais. Em uma delas, durante entrevista ao portal Metrópoles, questionou se não seria ofensivo retratar Zema como um boneco homossexual, declaração interpretada pelo ex-governador como homofóbica.

A Procuradoria-Geral da República arquivou nesta terça-feira o pedido de investigação contra o ministro por suposta homofobia contra Zema. Ao analisar a petição, a PGR concluiu que o comentário não representa conduta que configure lesão aos direitos coletivos da população LGBTQIA+ que demande intervenção ministerial. Em nota, a assessoria de Zema informou que o ex-governador não ingressou com nenhuma ação judicial contra o ministro do STF, esclarecendo que o pedido partiu de um terceiro.

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