Além de seu significado simbólico e educativo, a cultura tem também uma importância econômica relevante, influenciando o progresso social de regiões, indivíduos, grupos e organizações. Para tornar a chamada Economia do Patrimônio mais acessível e promover uma gestão inclusiva e sustentável dos bens culturais, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) disponibiliza o “Guia Introdutório da Economia do Patrimônio Cultural” para agentes e demais interessados. O material pode ser acessado aqui.
A iniciativa busca promover a autonomia e o protagonismo de mestres, detentores e comunidades na criação de valor a partir da gestão do patrimônio cultural. Além disso, visa ampliar a discussão sobre a dimensão econômica do patrimônio, sem desvinculá-la de seus valores simbólicos, sociais e territoriais.
Segundo Clara Marques, coordenadora-geral de Fomento e Economia do Patrimônio, a publicação tem como objetivo conectar quem atua diretamente com o patrimônio à sua dimensão econômica. “A singularidade desse material está na apresentação de conceitos básicos de economia e na forma como eles se relacionam com o patrimônio cultural e sua sustentabilidade. Em linguagem simples e direta, o guia é voltado para detentores, agentes culturais e trabalhadores do patrimônio que não têm familiaridade com os debates do campo da economia cultural e criativa”, explica.
Resultado da pesquisa Patrimônio Cultural, Economia e Sustentabilidade, realizada pelo Iphan em parceria com o Observatório da Economia Criativa da Bahia (Obec Bahia), o Guia Introdutório da Economia do Patrimônio procura estruturar o que se entende por economia do patrimônio cultural.
A Pesquisa Patrimônio Cultural, Economia e Sustentabilidade é uma iniciativa pioneira em escala internacional. Ela busca identificar as dinâmicas econômicas vinculadas ao patrimônio cultural brasileiro e como elas contribuem para sua preservação, salvaguarda, promoção e sustentabilidade. Mais informações estão disponíveis aqui.
Alguns Conceitos da Economia do Patrimônio Cultural
Agentes
Indivíduos, grupos, empresas e instituições públicas que decidem sobre como produzir, distribuir e utilizar recursos ligados aos bens culturais. Esses recursos não envolvem apenas capital financeiro, mas também conhecimentos, afetos, vínculos simbólicos e responsabilidades coletivas. São exemplos:
- Comunidades detentoras e mestres
- Artistas, artesãos e empreendedores locais
- Instituições públicas
- Organizações sociais e cooperativas
Fatores de Produção no Patrimônio
A produção no âmbito do patrimônio cultural articula três fatores fundamentais: terra, trabalho e capital.
- Terra: territórios das comunidades, centros históricos, paisagens culturais e matérias-primas naturais, como o barro usado no artesanato. Inclui também territórios tradicionais e espaços simbólicos associados às práticas culturais.
- Trabalho: força humana, física e intelectual, de mestres, artistas, artesãos, pesquisadores e técnicos. Envolve a transmissão de saberes, a criação cultural, as ações de conservação, restauração, pesquisa e gestão do patrimônio.
- Capital: capital físico (máquinas, edifícios, equipamentos), capital humano (conhecimento e habilidades) e, de forma central, capital cultural e social, expresso nas tradições acumuladas, nas redes de confiança e nas relações comunitárias.
Valor Econômico vs. Valor Simbólico
O valor do patrimônio cultural possui duas dimensões: simbólica e econômica.
- Dimensão simbólica: associada aos significados, identidades e vínculos afetivos que um bem cultural gera em sua comunidade. Ela promove pertencimento, fortalece identidades, inspira orgulho, reconhecimento e assegura a transmissão de memórias entre gerações.
- Dimensão econômica: mobilização de recursos e trocas associadas ao patrimônio. Essa dimensão gera trabalho e renda, assegura meios de subsistência, estimula redes de cooperação e possibilita a criação de produtos, serviços e experiências culturais.
Sustentabilidade
A sustentabilidade do patrimônio cultural está relacionada à capacidade de manter bens e práticas ao longo do tempo, sem esgotar recursos naturais, sociais ou humanos, nem gerar prejuízos às pessoas e aos territórios. Em especial, garante que os detentores do patrimônio tenham meios de vida dignos, possibilitando a continuidade da transmissão de seus saberes e práticas às futuras gerações.







