As tendências de beleza já não se restringem a produtos aplicados diretamente sobre o rosto. Nas redes sociais, uma receita diferente tem despertado o interesse de quem quer cuidar da aparência de dentro para fora: gelatinas coloridas, preparadas com pedaços de frutas como morango, kiwi, laranja e frutas vermelhas. A ideia é combinar ingredientes ligados à saúde da pele em uma sobremesa apresentada como uma espécie de skincare comestível. A dúvida é se essa mistura realmente traz benefícios estéticos.
Para a médica nutróloga Marcella Garcez, a receita pode ajudar em uma alimentação variada, mas não deve ser vista como tratamento de beleza. “A gelatina fornece aminoácidos derivados do colágeno, enquanto as frutas acrescentam vitaminas, fibras e antioxidantes. É uma combinação interessante para a alimentação, mas não um tratamento para a pele”, explica.
Isso acontece porque, depois da ingestão, as proteínas da gelatina são digeridas e convertidas em peptídeos e aminoácidos. O organismo usa esses componentes conforme suas necessidades, sem garantia de que serão destinados especificamente à pele.
O que as frutas podem oferecer à pele?
Boa parte do apelo da receita está na escolha das frutas. Morango, kiwi e laranja são fontes de vitamina C, nutriente essencial para a síntese de colágeno. Já as frutas vermelhas possuem antocianinas e outros compostos antioxidantes, que ajudam a combater o estresse oxidativo.
Esses nutrientes contribuem para a manutenção da saúde cutânea, mas seus efeitos dependem de consumo frequente e de uma alimentação equilibrada. Segundo a especialista, não há comprovação de que unir gelatina e frutas na mesma preparação potencialize os resultados na pele.
Gelatina e colágeno: qual é a diferença?
A relação entre gelatina e colágeno tem a ver com a origem do ingrediente. “A gelatina convencional contém proteínas derivadas do colágeno, enquanto o colágeno hidrolisado é formado por fragmentos menores, chamados peptídeos. Alguns desses peptídeos podem alcançar a circulação e apresentar atividade biológica, inclusive na pele, quando consumidos em um contexto alimentar de suficiente aporte proteico. As evidências são mais favoráveis aos peptídeos específicos do que à gelatina convencional”, esclarece Marcella.
A médica também destaca que tanto a gelatina quanto o colágeno são proteínas incompletas, pois não fornecem todos os aminoácidos essenciais em proporções adequadas. Por isso, não devem substituir fontes proteicas de alto valor biológico nem comprometer o consumo diário recomendado de proteínas.
O que realmente funciona
Mais do que investir em uma receita viral, a orientação da especialista é manter uma alimentação diversificada, com frutas, vegetais, proteínas de qualidade, azeite, peixes e oleaginosas. Esse padrão alimentar fornece nutrientes importantes para a síntese de colágeno, a renovação celular e a integridade cutânea, como proteínas, vitaminas C e A, zinco e ácidos graxos essenciais.
Outros hábitos também integram esse cuidado: proteção solar diária, sono adequado e evitar o tabagismo. A gelatina com frutas pode ser uma alternativa para incentivar o consumo de alimentos nutritivos, mas não substitui esses cuidados nem representa uma solução isolada para o rejuvenescimento.
“O verdadeiro skincare de dentro para fora depende de uma alimentação equilibrada, adequação de nutrientes e cuidados consistentes com a saúde, não de soluções milagrosas. A saúde da pele começa de dentro para fora, mas não existe rejuvenescimento em forma de sobremesa”, conclui a nutróloga.







