Sérum anti-linhas finas, redutor de poros, cremes para diminuir olheiras: nas redes sociais, são incontáveis as recomendações de rotinas de skincare para alcançar a tão desejada pele perfeita. Esses passos, porém, vêm ganhando um novo público: crianças e pré-adolescentes.
Séruns, ácidos, máscaras e diferentes etapas de cuidado aparecem cada vez mais cedo nas rotinas compartilhadas nas redes. Ainda assim, reproduzir o ritual de um adulto não significa, necessariamente, oferecer à pele o cuidado de que ela precisa.
Lara Fileti Arruda, dermatologista do Hospital São Francisco de Mogi Guaçu, explica que a pele infantil tem características próprias e não precisa de uma rotina sofisticada para ser saudável. Em geral, os pilares são higiene adequada, hidratação quando necessária e fotoproteção. Nessa idade, o objetivo não é tratar rugas, estimular colágeno ou fazer “anti-aging”, mas preservar a barreira cutânea.
Nessa fase, em que o corpo ainda está em desenvolvimento, os cuidados excessivos com a pele podem acarretar até mesmo riscos físicos, como irritação, ressecamento, descamação, ardência e comprometimento da barreira cutânea. Segundo a especialista, quando há inflamação, existe ainda o risco de hiperpigmentação pós-inflamatória, principalmente em peles com maior tendência a desenvolver manchas.
O que realmente está entrando na rotina das crianças
Mais do que saber quais produtos estão em alta, é importante que os pais também consigam entender os ativos que estão sendo incluídos na rotina daquela pele. Segundo Marina Miranda, fundadora da Be Clean, aplicativo que permite o escaneamento de produtos e o acesso a análises detalhadas sobre seus ingredientes, o problema é que os rótulos ainda podem ser difíceis de compreender para quem não está familiarizado com os nomes dos componentes.
Para Marina, a lista de ingredientes não deveria ser uma barreira. Na avaliação dela, o consumidor precisa conseguir acessar essa informação de maneira clara para entender o que está escolhendo. Isso se torna ainda mais importante quando se fala de crianças e pré-adolescentes, porque a decisão não deveria acontecer apenas porque um produto viralizou.
Autocuidado sem pressão estética
Toda essa preocupação também esbarra em outra questão. Como a skincare também pode ser uma forma de autocuidado, como ensinar a um jovem que ele deve cuidar de si sem empurrá-lo para um universo marcado pela pressão estética?
Para Marina, a proposta não é tratar o interesse por skincare como algo negativo, mas incentivar escolhas mais conscientes. Segundo ela, a skincare pode ser uma forma de cuidado, mas não precisa ser sinônimo de uma rotina cheia de produtos. Antes de seguir uma tendência, vale buscar informação e entender o que aquela pele realmente precisa.
Lara acredita que o caminho é ensinar as crianças a cuidar da pele pela perspectiva da saúde, e não da busca pela perfeição. É possível incentivar hábitos simples, como lavar o rosto delicadamente, usar protetor solar, manter a pele hidratada quando necessário e compreender que cada pessoa tem características próprias. Não é preciso ter uma pele absolutamente livre de imperfeições para ter uma pele saudável. Os pais têm um papel importante ao observar o conteúdo consumido nas redes sociais e evitar que a aparência se torne um assunto central na construção da autoestima dos filhos, complementa a dermatologista.






