Jenna Ortega vê empatia como trunfo da androide que interpreta em Klara e o Sol

Em exibição no Brasil, “Klara e o Sol”, filme de Taika Waititi baseado no livro de Kazuo Ishiguro, apresenta Jenna Ortega como uma androide de índole inocente e empática, projetada para fazer companhia a uma adolescente enferma interpretada por Mia Tharia. Mesmo com um elenco encabeçado por nomes como Amy Adams e com o retorno do diretor às gravações sob luz natural na Nova Zelândia, essa distopia futurista tem enfrentado forte rejeição da crítica e um expressivo fracasso de bilheteria internacional, o que levou a distribuidora a suspender estreias nos cinemas.

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Após interpretar personagens ácidas e um tanto depressivas em obras como Pânico e Wandinha, Jenna Ortega teve de abandonar a angústia para dar vida à protagonista de Klara e o Sol, adaptação do romance homônimo de Kazuo Ishiguro que estreou nas salas brasileiras nesta quinta-feira, 5.

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Em vez de uma adolescente rabugenta, a produção de Taika Waititi (Jojo Rabbit, Thor: Amor e Trovão) coloca a atriz como uma androide inocente e cheia de esperança, cujo caminho de descoberta a leva a um embate com os humanos que a cercam.

“Eu acho que ela é muito infantil”, disse Jenna ao Estadão. “Mas ela cresce e aprende, além de possuir uma capacidade emocional que os outros personagens não têm, porque não se comunicam nem cuidam uns dos outros como deveriam.”

Na avaliação da atriz, a “inteligência emocional excepcional” da robô — programada para ser amiga e protetora de uma adolescente talentosa e reclusa — é o principal trunfo de Klara. “[A empatia] é o grande poder dela e acho que é por isso que ela conquista os outros personagens e, se tudo der certo, o público.”

Além de Jenna, Klara e o Sol reúne nomes como Amy Adams, Mia Tharia, Aran Murphy e Natasha Lyonne, colegas que a atriz avalia como grandes artistas.

“Amy Adams é uma das pessoas mais inspiradoras com quem já trabalhei, Mia entregou uma atuação fantástica e foi muito fácil trabalhar com ela e com o Aran, que é muito engraçado. É tão fácil criar química com pessoas tão carinhosas e que também são profissionais tão boas.”

Como o próprio título já indica, os personagens humanos não são os únicos parceiros de cena de Jenna: o Sol é tratado tanto como entidade divina quanto como uma espécie de co-protagonista ao lado de Klara. O uso do astro-rei, porém, impôs desafios às filmagens, e Waititi e sua equipe precisaram ficar atentos aos horários para conseguir a iluminação ideal.

“Num filme como este, você quer brincar e explorar todas as possibilidades, mas, de repente, o tempo começa a acabar”, relatou o diretor. “É muito legal ser apenas um servo dessa enorme bola de fogo que atravessa o céu sem poder fazer nada em relação a isso.”

Rodado na Nova Zelândia, país cujas paisagens naturais já serviram a filmes como Missão: Impossível: Efeito Fallout e às franquias Avatar e O Senhor dos Anéis, Klara e o Sol representou uma mudança bem-vinda para Waititi. Nascido no arquipélago da Oceania, o diretor contou que praticamente precisou reaprender a filmar com iluminação natural depois de uma série de trabalhos realizados em estúdios fechados.

“É sempre um desafio, mas havia sempre uma sensação de triunfo ao fim do dia, e isso é muito bacana. Conforme o Sol se põe, o céu fica mais bonito e a vontade é registrar o máximo possível dessa luz. Eu havia me esquecido disso depois de tantos anos preso em um estúdio diante de telas azuis”, detalhou o cineasta.

Qual é a trama de ‘Klara e o Sol’?

Klara e o Sol se passa num futuro distópico dominado pela inteligência artificial e por alterações genéticas. Na tentativa de garantir um futuro de sucesso aos filhos, pais passam a submetê-los a cirurgias complexas para que se tornem “aprimorados”, verdadeiros gênios em diferentes campos das ciências e das artes.

É nesse cenário que conhecemos Klara (Ortega), uma robô de aparência humana movida a energia solar, criada para ser companheira de adolescentes e chamada de “amiga artificial”. Por ser um modelo antigo e repleta de peculiaridades, ela e outros ciborgues passam dias em vitrines, à espera de alguém que os compre.

'Klara e o Sol' está em cartaz nos cinemas brasileiros

Convencida de que o Sol é uma divindade que ouve suas preces, ela pede que, após anos no estoque, consiga encontrar uma humana que a leve para casa. O desejo se realiza quando conhece Josie (Tharia), uma jovem aprimorada que se encanta por Klara e decide comprá-la.

As duas logo se tornam inseparáveis, apesar do preconceito da mãe de Josie, Chrissy (Adams), uma designer de interiores que ainda vive o luto pela perda da filha mais velha.

Quando Josie começa a apresentar sequelas de seu aprimoramento, com convulsões e desmaios, Klara decide sair da casa da família para tentar falar pessoalmente com o Sol, na esperança de que o astro cure a garota da doença.

‘Klara e o Sol’ enfrenta dificuldades nas bilheterias internacionais

A chegada de Klara e o Sol ao Brasil ocorre enquanto o filme enfrenta um revés em outros territórios.

O longa teve sua pré-estreia internacional em meados de outubro, durante o Festival de Cinema Internacional de Londres. Apesar das expectativas elevadas em torno da parceria entre Waititi e Jenna e da bela fotografia mostrada nos trailers, o filme não conquistou público nem crítica, registrando 26% de aprovação da crítica no agregador online Rotten Tomatoes.

No Metacritic, que calcula a média das notas dadas ao filme por críticos profissionais, o resultado é igualmente negativo: Klara e o Sol alcança apenas 30 pontos de 100 possíveis.

Mesmo com elenco estrelado por Amy Adams e Jenna Ortega, 'Klara e o Sol' não conseguiu conquistar a crítica especializada

Nas bilheterias, o desempenho de Klara e o Sol também ficou abaixo do esperado. Com orçamento estimado em 47 milhões de dólares, o longa arrecadou 1,9 milhão de dólares após duas semanas em cartaz nos Estados Unidos, no Reino Unido, na Itália, na Austrália e na Nova Zelândia.

Mesmo com nomes fortes diante e atrás das câmeras, o longa registrou apenas 700 mil dólares em sua estreia nos EUA. O fraco desempenho econômico levou a Sony, responsável pela produção, a cancelar a distribuição do filme em alguns países, como a Espanha, e lançá-lo diretamente no streaming. Vale observar que a conversa da reportagem com Ortega e Waititi ocorreu antes de Klara e o Sol estrear nos Estados Unidos e em outros territórios.

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