“Cuba poderia se tornar um centro de interesse para o comércio dos BRICS com o Grande Caribe”, declarou o membro do Conselho de Estado na quarta sessão plenária do 12º Fórum Parlamentar do bloco intergovernamental, encerrado nesta terça-feira em Nova Delhi, capital da Índia.
Nesse sentido, a deputada cubana reiterou a disposição do país de compartilhar suas experiências e resultados nas áreas da indústria médica, farmacêutica e biofarmacêutica, da saúde, da educação, da ciência, entre outras, em benefício da população.
A parlamentar reafirmou igualmente a vontade de trocar experiências e práticas legislativas sobre questões de interesse mútuo e de fortalecer a diplomacia parlamentar, como complemento àquela conduzida entre os governos.
Mari Machado reconheceu a força do Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS ao oferecer aos projetos do bloco apoio financeiro próprio, com a utilização de moedas nacionais.
“Estender esse processo a outros países ajudaria a mitigar os desequilíbrios e as injustiças do atual sistema monetário e financeiro”, afirmou.
A vice-presidente da Assembleia Nacional do Poder Popular (ANPP) denunciou ainda o caráter genocida e criminoso do bloqueio econômico, comercial e financeiro mantido pelos Estados Unidos contra a nação caribenha, “reforçado nos últimos anos a níveis extremos e sem precedentes, o que impõe um castigo coletivo ao povo cubano”, enfatizou.
Ela observou que o bloqueio passou a incluir a imposição de um embargo energético a Cuba como instrumento de pressão máxima.
Apelo na Assembleia Geral da ONU
Mari Machado lembrou que, em 27 de outubro, o projeto de resolução “Necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América contra Cuba” será apresentado à Assembleia Geral das Nações Unidas. A respeito disso, afirmou que, apesar da pressão desesperada exercida sobre um número indeterminado de delegações, a comunidade internacional reiterará mais uma vez seu apoio à exigência de cessação do bloqueio e da agressão.
Manifestou gratidão pelas declarações contrárias ao bloqueio feitas por parlamentos, governos, grupos de amizade, legisladores e cidadãos, bem como pelas muitas outras demonstrações de solidariedade e apoio das nações do BRICS.
Asseverou também que nada impedirá o firme propósito de Cuba de construir soberanamente seu modelo de desenvolvimento socialista, com a estreita união de seu povo.
“Ninguém ficará sem apoio; nossas políticas sociais visam esse objetivo. Seguiremos em frente com a recuperação da nossa economia e o bem-estar das famílias cubanas”, afirmou.
Papel do bloco na geopolítica mundial
Ela destacou que os parlamentos dos BRICS demonstram, por meio de suas ações, sua preocupação, responsabilidade e determinação em prevenir e combater a proliferação de medidas coercitivas unilaterais.
A deputada cubana afirmou que o BRICS vem se consolidando como um novo e indispensável ator na geopolítica mundial, destinado a ampliar sua relevância e influência na esfera internacional.
Apontou ainda a existência de pontos de concordância entre Cuba e o bloco quanto à necessidade de uma convivência civilizada, na qual prevaleçam a paz, a solidariedade, a cooperação e a integração entre os países, sob a abordagem do multilateralismo e do respeito à diversidade, além de uma ordem internacional justa, democrática e equitativa, baseada na igualdade soberana dos Estados.
“O BRICS representa uma esperança real para avançarmos rumo à reforma do sistema financeiro internacional obsoleto, profundamente excludente, injusto e especulativo”, observou.
Por fim, Mari Machado reiterou sua gratidão à Índia por seu papel como presidente pro tempore do BRICS neste ano e desejou sucesso à China em seu mandato durante 2027.
“Podem contar com o nosso apoio e com a nossa modesta experiência para avançarmos na concretização dos objetivos e prioridades propostos”, sublinhou.







