A Haier, maior fabricante de eletrodomésticos do planeta, escolheu a Serra para abrigar parte da sua operação logística no Brasil. A multinacional chinesa instalou, há poucos meses, um centro de distribuição no Terminal Industrial Multimodal da Serra (TIMS) e já projeta encerrar 2026 com 60 mil unidades comercializadas e faturamento em torno de R$ 40 milhões.
A chegada da Haier à Serra integra um plano mais amplo. A companhia deseja figurar entre as três maiores marcas de eletrodomésticos do mercado brasileiro até 2030 e, por isso, decidiu começar pela logística, antes de dar passos maiores no país.
O que a Haier distribui a partir da Serra
Nesta primeira fase, o centro de distribuição no TIMS recebe televisores e aparelhos de ar-condicionado fabricados na Zona Franca de Manaus. Dali, os produtos partem para o varejo nacional e regional. Além disso, a empresa mantém um canal de comércio eletrônico para vender diretamente ao consumidor.
A meta de 60 mil unidades e R$ 40 milhões leva em conta apenas quatro meses de operação, até o fim do ano.
Conforme a head de Relações Governamentais da Haier, Sarah Caixeta, pesaram na decisão a infraestrutura logística, a localização, o ambiente de negócios e o diálogo com o poder público. Ela também atribui parte da escolha à NOVA ES, agência estadual de atração de investimentos, que acompanhou o processo.
“Para uma empresa que está iniciando suas operações em um mercado, encontrar um estado organizado, que oferece agilidade, clareza de informações e acesso direto aos tomadores de decisão faz diferença”, afirma.
A logística, porém, representa apenas o começo. A Haier trabalha com a perspectiva de erguer uma fábrica própria no Brasil, mas ainda não definiu em qual estado. O plano inclui produção local, geração de empregos e desenvolvimento de fornecedores no país.
Enquanto isso, o governo capixaba já se movimenta. Na avaliação da diretora-presidente da NOVA ES, Patrícia Gouvêa, a operação de distribuição ajuda a empresa a conhecer o mercado brasileiro e a enxergar novas possibilidades de crescimento.
“O Estado reúne condições competitivas para, caso a companhia decida avançar futuramente para a industrialização local, também se posicionar como uma alternativa para receber esse investimento”, diz Patrícia.
Na semana passada, representantes da Haier estiveram no Estado para visitar empresas e estruturas do setor logístico. A comitiva teve o acompanhamento da gerente de Inteligência e Negócios da NOVA ES, Christiane Menezes.
Fundado em 1984 na China, o Grupo Haier começou como fabricante de eletrodomésticos e hoje está presente em mais de 200 países e regiões. Ao todo, são 35 parques industriais, 163 fábricas e mais de 1 bilhão de lares atendidos.
No portfólio, além da marca que leva o nome do grupo, estão GE Appliances, Fisher & Paykel, AQUA e Candy. Em 2025, a companhia faturou cerca de US$ 59,8 bilhões e encerrou o ano com 146 mil funcionários. Pelo 17º ano seguido, a Euromonitor International apontou a Haier como a marca número 1 do mundo em eletrodomésticos de grande porte, em volume de vendas.
O portfólio da Haier no país começa por produtos de peso dentro de casa: TV, geladeira, lava e seca e ar-condicionado. No site brasileiro, a marca também lista itens de cozinha, aquecedores de água, ar-condicionado comercial e eletroportáteis.
Nas TVs, a empresa entra em um mercado disputado com Samsung, LG, TCL e Hisense. Por isso, aposta na tecnologia Ultrasense AI, que promete imagem mais fluida em transmissões esportivas, principalmente no futebol. Entre os destaques está um modelo MiniLED 4K de 100 polegadas, com Google TV e taxa de 240 Hz para jogos.
Já nas geladeiras, a Haier fala em “tropicalização”: adaptar os aparelhos ao calor e à umidade do Brasil e ao hábito das famílias de abrir a porta várias vezes ao dia. A linha Horizone Casa promete resfriamento mais rápido e prateleiras reforçadas para cargas maiores. Na lavanderia, a lava e seca X9 tem ventilação ativa para reduzir o cheiro de mofo quando a roupa fica esquecida no tambor.
A chegada da Haier aperta a concorrência em um setor que já recebeu outras chinesas, como TCL, Hisense, Midea, Gree e Xiaomi. Ao mesmo tempo, a marca vai enfrentar nomes com décadas de presença no varejo brasileiro, como Electrolux, Brastemp, Consul e Panasonic.
Para o consumidor, a disputa pode significar mais opções e preços melhores. O desafio da Haier, no entanto, está no pós-venda: geladeira, TV grande e ar-condicionado exigem instalação, peças e assistência técnica por muitos anos.






