A relação entre os jovens, a internet e a saúde mental é um dos temas mais cotados para quem se prepara para a redação do Enem e de outros vestibulares. O assunto reúne as características que costumam pesar na escolha das bancas. É atual, afeta diretamente a vida dos estudantes e permite discutir o papel do Estado, das famílias, das escolas e das empresas de tecnologia.
O debate tem dois lados. As plataformas digitais ampliam o acesso à informação, aproximam pessoas e criam espaços de participação e de pertencimento. Ao mesmo tempo, o uso excessivo das redes vem sendo associado a quadros de ansiedade, depressão, isolamento e baixa autoestima, sobretudo entre adolescentes expostos à comparação constante e a algoritmos que estimulam a permanência nas telas. Na redação, o desafio é equilibrar essas duas dimensões e responder como conciliar liberdade digital, acesso à informação e proteção da saúde mental.
Para construir a argumentação, o candidato pode recorrer a referências que já fazem parte do debate público brasileiro. O Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, conhecido como ECA Digital, aprovado em 2025, estabelece regras de proteção para menores de idade em plataformas on-line. Também em 2025, uma lei federal restringiu o uso de celulares nas escolas. No campo das ideias, conceitos como a modernidade líquida, de Zygmunt Bauman, e a sociedade do cansaço, do filósofo Byung-Chul Han, ajudam a explicar a busca permanente por aprovação e o esgotamento associado à hiperconexão.
A nota da redação do Enem é composta por cinco competências, cada uma valendo de zero a 200 pontos, o que soma até mil pontos. A primeira avalia o domínio da norma culta da língua. A segunda verifica se o candidato compreendeu a proposta e desenvolveu o tema dentro do tipo dissertativo-argumentativo. A terceira analisa a seleção e a organização dos argumentos. A quarta observa o uso de mecanismos de coesão, como conectivos e retomadas. A quinta cobra uma proposta de intervenção para o problema discutido, que respeite os direitos humanos.
A proposta de intervenção costuma ser o ponto em que muitos candidatos perdem pontos. Para alcançar a nota máxima nessa competência, o texto deve indicar quem vai agir, o que será feito, de que forma, com qual finalidade e trazer um detalhamento de algum desses elementos. No tema das redes sociais, uma proposta completa poderia atribuir ao Ministério da Educação a criação de programas de educação digital nas escolas, por meio de oficinas e da formação de professores, com o objetivo de desenvolver o uso consciente das plataformas entre os estudantes.
Treinar com frequência ainda é a forma mais eficaz de evoluir. Escrever ao menos uma redação por semana, sobre temas variados e com tempo cronometrado, ajuda o candidato a ganhar ritmo e segurança. Revisar os textos corrigidos e observar em quais competências a nota fica abaixo do esperado permite identificar com precisão o que ainda precisa ser aprimorado antes da prova.






