Livros na telona: A Empregada

Sobre o Livro: A empregada

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Título: A empregada
Título original: The housemaid
Autor: Freida McFadden
Tradutor: Roberta Clapp
Editora: Arqueiro
Número de Páginas: 304
Ano de Publicação: 2023
Skoob: Adicione
Compre: Amazon

Uma história que vai surpreender até os leitores de suspense mais calejados.
Diariamente, Millie limpa de cima a baixo a casa de Nina e Andrew Winchester. Busca a filha do casal na escola. Prepara refeições deliciosas para toda a família antes de finalmente poder se recolher e comer o próprio jantar, sozinha no quarto minúsculo e claustrofóbico do sótão.
Quando Nina começa a sujar todos os cômodos de propósito apenas para vê-la limpar, Millie tenta não perder a cabeça. Quando a patroa conta mentiras perturbadoras sobre a própria filha e tortura psicologicamente o marido, que parece cada vez mais fragilizado, Millie tenta ignorar.
Afinal, com o passado problemático que tem, ela só pode agradecer por ter conseguido esse emprego.
No entanto, ao observar bem dentro dos belos e doces olhos de Andrew e enxergar o sofrimento contido neles, Millie não consegue evitar imaginar como seria ter a vida de Nina. O closet repleto de roupas, o carro elegante, o marido perfeito.
Em breve, os Winchesters vão descobrir que não fazem a menor ideia de quem Millie é de verdade. Nem do que ela é capaz de fazer…

A empregada, fenômeno de Freida McFadden que ultrapassou 12 milhões de cópias vendidas no mundo até o início de 2026, chegou ao Brasil em 2023 com tradução de Roberta Clapp. A leitura foi feita somente agora, motivada pela adaptação que estreou na primeira semana do ano. Trata-se do primeiro volume de uma trilogia, que inclui ainda um conto ambientado entre o segundo e o terceiro livros; o audiobook da obra está disponível no catálogo da Audible até 31/01.

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O enredo principia com Millie, uma jovem de vinte e poucos anos em liberdade condicional, durante a entrevista para uma vaga de empregada na mansão dos Winchester. Ela tem certeza de que, ao deixar o local, jamais voltará àquela casa, sobretudo quando Nina, sua possível patroa, verificar seus antecedentes criminais. Para a surpresa de Millie, porém, Nina lhe oferece o emprego, que ela aceita sem hesitar: além de estar desesperada para se sustentar e cumprir as condições de sua liberdade condicional, Millie considera a oportunidade excelente. Ao se mudar, no entanto, o que parecia um sonho vira pesadelo, pois Nina altera completamente o próprio comportamento e transforma a vida de Millie em um verdadeiro inferno.

Embora a história tenha sido acompanhada pelo audiobook narrado por Aline Penteado, é fácil compreender por que A empregada se tornou um fenômeno. A leitura prende desde os primeiros parágrafos, especialmente porque a narrativa de Millie é bastante divertida. A personagem é irônica e faz diversas observações maldosas sobre os Winchester, ora repudiando a patroa, ora desejando Andrew, marido de Nina.

A empregada está dividido em três partes. Na primeira, narrada em primeira pessoa por Millie, a história é apresentada e desenvolvida até quase a metade, quando alcança o primeiro ponto alto de tensão. A partir daí surge a primeira reviravolta, e a narrativa passa a alternar com a primeira pessoa de Nina, no passado anterior à trama principal, até que as duas vozes cheguem ao mesmo ponto na linha temporal. Por fim, a última parte retorna ao ponto de vista de Millie, trazendo a ação final, o clímax e o desfecho.

Pela estrutura da história, pela tensão crescente e pela linguagem simples e fluida, a leitura é rápida e envolvente. Ainda assim, o livro funcionou porque a expectativa era apenas a de se divertir. Como thriller, deixa muito a desejar: a primeira grande reviravolta é previsível e, a partir dela, é possível vislumbrar todo o restante da história; os acontecimentos, sobretudo na primeira parte, soam artificiais e forçados, enfraquecendo a trama; Millie, como narradora, é bastante subaproveitada, já que é alguém mentirosa, mas ainda assim uma narradora confiável — e uma narradora não confiável acrescentaria camadas interessantes a um thriller psicológico como esse; no fim, a tensão vem mais de cenas que apelam ao emocional do que de uma construção cuidadosa do suspense. As personagens, em geral, beiram o caricato em vez de serem figuras complexas, o que torna o enredo plano, sem nuances. Millie, aliás, chega a ser incoerente, e não por uma contradição tipicamente humana: seu passado é um dos segredos da trama — outro nada difícil de adivinhar com as informações dadas na história — e, quando revelado, faz toda a vivência da personagem na casa dos Winchester perder o sentido. (Trecho com spoiler.) Como uma mulher com histórico de agredir homens que violentam mulheres acredita no homem tóxico e abusador e desacredita da mulher abusada que vive sob o mesmo teto que eles? Alguém com o passado dela teria, no mínimo, desconfiança de todo e qualquer homem que conhecesse, partindo do princípio de primeiro duvidar deles em vez de se apaixonar por serem ricos e bonitos.

Em síntese, A empregada cumpre o papel de bom entretenimento, oferecendo uma leitura rápida, divertida e imersiva, capaz de desconectar quem lê do mundo por algumas horas. Se a expectativa for a de “Uma história que vai surpreender até os leitores de suspense mais calejados”, como prometido na página do livro na Amazon, o resultado é decepcionante. A experiência valeu pela diversão — mas não o suficiente para despertar o desejo de se aventurar pelas continuações.

Sobre o Filme

A adaptação de A empregada reúne Sydney Sweeney como Millie e Amanda Seyfried como Nina, que dividem o protagonismo no longa dirigido por Paul Feig. O sucesso de bilheteria garantiu que a continuação, O segredo da empregada, também fosse adaptada.

Em poucas palavras, o filme é extremamente fiel ao livro. O cenário é muito semelhante ao descrito por Freida McFadden na obra, e os acontecimentos da adaptação acompanham os do original. Pouquíssimas alterações foram feitas, sem mudar a essência da história. A maior diferença está no final, mas é positiva: o desfecho do livro seria um anticlímax nas telas. A escolha do diretor e do roteiro prioriza um final mais digno de cinema.

Duas ausências chamam atenção no filme: o personagem de Enzo é bastante esquecível, embora, no livro, sua participação seja importante mesmo sendo secundário; e a Millie de Sydney Sweeney não tem brilho algum além da beleza da atriz. Se a Millie dos livros é espirituosa, a do filme é um tanto sem sal. Entre os atores, o destaque fica para Amanda Seyfried, sem dúvida.

O fato de o filme ser tão fiel também faz com que funcione bem como ótimo entretenimento: é envolvente e inclui cenas bastante bem-humoradas — houve mais risadas do que se poderia imaginar para um filme, em teoria, de suspense. Ao mesmo tempo, isso significa que não deve ser levado a sério se a expectativa for a de ver um thriller. Aliás, as cenas que soam forçadas no livro ficam ainda mais absurdas no filme, mesmo sendo exatamente como no original; a transposição do texto para as imagens apenas evidencia a artificialidade das passagens, enfraquecendo a trama como um todo.

Quem gostou do livro tem boas chances de curtir o filme. Para quem ainda não leu, vale a pena dar uma chance caso a expectativa seja a de se divertir. Já para quem não se deu bem com a leitura, o filme não acrescenta nem oferece diferenças — talvez não valha investir no ingresso.

Assista ao Trailer!

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Redação
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Redação representa o esforço colaborativo de toda a equipe de jornalistas e editores dO Capixaba. Por meio de um trabalho integrado e multidisciplinar, contextualizando as informações e acompanhando as novidades do momento com agilidade e rigor.

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