Boaromia festival

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Boaromia: The Cooperative Festival Game! foi um projeto de financiamento coletivo bastante modesto que esteve disponível no Gamefound entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026. A campanha contou com apenas 97 apoiadores e arrecadou €7293.

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Trata-se de um jogo para 3 a 8 participantes, com partidas relativamente rápidas: o tempo ideal gira em torno de 60 a 90 minutos, podendo ser ainda mais ágil quando há menos pessoas.

Vamos analisar este jogo inusitado! Será que ele realmente proporciona diversão?

Unboxing e Jogabilidade

A caixa possui um tamanho bastante incomum, que foge do padrão convencional. A lata de Coca-Cola presente na imagem ajuda a dar uma noção de escala.

Boaromia acomoda de 3 a 8 jogadores, e cada um assume o papel de um amigo que vai a um festival de música. Cada personagem possui um “dom” especial que o auxilia a se locomover pelo festival, como mostrado acima.

Por exemplo, o Crazy Q (acima) tem a “Vibe de Festival”, que permite atravessar multidões sem ser atrapalhado por elas.

Há um tabuleiro de dupla face que representa o recinto do festival, sendo um lado mais fácil e o outro mais desafiador.

Os jogadores movem seus peões pelo tabuleiro, dirigindo-se aos palcos para assistir aos shows. Ver apresentações na companhia dos amigos é a principal forma de se divertir no jogo.

O objetivo do jogo — e isso pode soar ridículo — é simplesmente se divertir! Embora a diversão “metafísica” ocorra naturalmente durante a partida, cada jogador possui um marcador de “diversão” (o cubo rosa na imagem) que precisa chegar a 8. Se todos os jogadores atingirem 8 de diversão e conseguirem terminar juntos no mesmo espaço para uma foto final, a vitória é alcançada. Em outras palavras, para vencer é necessário que todos se divirtam em conjunto.

Assim, quando a vitória ocorre, o grupo tira uma foto todos juntos, como ilustrado acima.

Embora outras formas de diversão possam surgir ao longo da partida, o método mais eficaz é ir aos shows das bandas classificadas como OBRIGATÓRIAS em companhia dos amigos, evitando aquelas que DEVEM SER EVITADAS. Por exemplo, Fire Circle e Primatez são bandas obrigatórias, enquanto Pale Pink e Harinna devem ser evitadas. Cada banda obrigatória confere +1 de diversão, e se um amigo estiver presente, ambos ganham um adicional de +1.

Para assistir a uma banda, é necessário terminar o turno no Palco do Show correspondente, de preferência acompanhado dos amigos. Na imagem acima, três amigos ganham +1 de “diversão” por ver um show, e outro +1 adicional se a banda for obrigatória.

Uma programação de shows exibe quando e onde cada banda se apresenta, utilizando cores de forma eficiente para demarcar palcos e horários.

O jogo gira em torno da coordenação entre amigos para tentar ver as bandas juntos. Em algumas ocasiões, você pode assistir a uma banda apenas para se divertir em grupo, mesmo que ela não seja obrigatória; em outras, pode ser necessário ir sozinho a uma banda obrigatória porque cada um tem suas prioridades; e às vezes você pode até assistir a um show que deveria ser evitado apenas para animar um amigo que não está se divertindo o suficiente.

Este jogo é totalmente voltado para assistir a shows com os amigos e se divertir em conjunto.

É preciso manter a energia em dia visitando bares e a praça de alimentação, pois um festival pode ser desgastante e cada rodada consome energia. Cerveja, café e curry são essenciais para continuar se movimentando. Observe o BAR (à esquerda), onde se pode obter cerveja, café, drinks e água, e a barraca de fritas (à direita), que oferece comida.

No início do jogo, cada jogador recebe uma quantia em dinheiro para comprar bebidas e alimentos. Existe também uma trilha de BEXIGA (veja acima). Toda essa bebida enche a bexiga do personagem; se ela ficar completamente cheia, o jogador só poderá procurar os banheiros em seu turno. Assim como em um festival real, é necessário equilibrar shows, energia e controle da bexiga.

O dinheiro pode ser obtido no caixa eletrônico, mas também é possível compartilhá-lo quando se está no mesmo espaço que um amigo. “Cara, com pouca energia? Deixa que eu te pago um curry!!” Por ser um jogo cooperativo, manter o ânimo dos amigos elevado é essencial.

Como em qualquer bom cooperativo, há más notícias. A cada rodada, cartas de EVENTO são reveladas (a primeira parte do festival é de dia, a segunda à noite). Esses eventos movimentam o “tagarela” e as multidões pelo mapa, elementos que atuam contra os jogadores.

O “tagarela” perambula pelos bares do festival. Se um jogador entrar em um bar onde ele está, seu turno termina imediatamente. “Ei, Rich! Vem cá! Preciso te contar uma coisa!” Ele é simpático, mas pode atrapalhar os planos de movimento se você não ficar longe.

As multidões também aparecem nas cartas de EVENTO. Veja acima como o palco DUROC está lotado. Elas não bloqueiam o movimento, mas o dificultam: atravessar um espaço lotado custa 2 pontos de movimento, sendo que cada jogador tem 6 pontos por turno, exceto habilidades especiais como a do Crazy Q, que não é afetado por multidões.

Existem objetivos secundários que surgem durante a partida e podem ajudar. Por exemplo, se dois jogadores terminarem próximos aos balanços, podem cumprir imediatamente o objetivo “Blurred Lines” e um deles ganha 1 de diversão. Presumivelmente, um empurra o outro no balanço; esses objetivos são formas alternativas de obter diversão.

Ao final do festival, se todos tiverem 8 de diversão e terminarem na mesma casa para a foto em grupo, a vitória é conquistada. Caso contrário, bem, pelo menos foi divertido ver aquelas bandas.

Componentes e Regras

Os componentes não são excelentes, mas cumprem sua função e são legíveis. Há um problema importante que será discutido mais adiante. De modo geral, eles atendem ao propósito.

O Livro de Regras

O livro de regras causou boa impressão. Primeiramente, não foi impresso em papel brilhante, mas sim em papel comum. A leitura sob luz fica muito mais fácil sem reflexos. Essa preferência por papel fosco já havia sido notada em The Plum Island Horror, que também utilizava esse acabamento. Seria desejável que mais editoras adotassem o papel fosco.

Este jogo obtém nota A no Teste da Cadeira: ele se encaixa perfeitamente na cadeira ao lado, possui fonte legível, permite consulta fácil e é repleto de ótimas imagens.

A página de componentes e a preparação estavam bem elaboradas, mostrando o mapa e onde posicionar cada elemento. Durante a partida surgiram algumas pequenas dúvidas de regras, mas no geral o livro é bom: muitos exemplos, boa diagramação e diversas fotos. Um índice não se faz necessário, pois o jogo é bastante simples.

Modo Solo?

Não há modo solo. A contagem de jogadores é de 3 a 8, o que contraria a Lei de Saunders. Mesmo assim, decidiu-se tentar uma partida solo controlando três personagens.

A preparação para essa tentativa solo com três personagens está ilustrada acima. Em teoria, deveria funcionar, certo?

Não! A experiência solo resultou em derrota. Este jogo depende do planejamento individual de cada personagem pelo mapa. Cada um PRECISA assistir a alguns shows e tentar se encontrar com os amigos para outros. Há objetivos úteis, mas o foco total é a coordenação e o esforço para chegar aos eventos. Em todas as partidas, os personagens conseguiram alcançar os eventos por um triz no último minuto, e é justamente essa tensão que torna o jogo divertido: tentar se reunir com os amigos.

Jogar solo controlando três personagens exige um gerenciamento excessivo. “Espera, ele tem que estar aqui, ela tem que estar ali, espere, ele precisa de energia, ele precisa fazer xixi… ARGH!” Compreende-se perfeitamente por que não há modo solo. Ainda assim, recomenda-se experimentar uma partida solo com três personagens apenas para entender o funcionamento do jogo. Para fins de pura diversão, não é agradável, mas é muito instrutivo.

Jogue solo (três personagens) uma vez para aprender o jogo e depois nunca mais jogue solo.

Jogo Cooperativo

Este jogo foi concebido inteiramente para o modo cooperativo. Há tantos elementos para acompanhar em um único personagem que praticamente se faz necessário jogar com apenas um. É preciso garantir que seu personagem cumpra seus objetivos, mas para obter diversão (e vencer) é obrigatório trabalhar em equipe. Parte da graça é gritar para o tabuleiro:

“EI! EU PRECISO VER os Primatez!! Quem quer ir comigo?”

“Eu adoraria, mas preciso fazer xixi antes! Te encontro no palco!”

“Eu não! Eu ODEIO os Primatez!!! Vou pegar um curry e te encontro mais tarde!”

O jogo é extremamente engraçado. Todos tentam coordenar suas ações para ver o máximo de shows possível, gerenciando dinheiro, bexiga e diversão enquanto correm pelo tabuleiro.

O nível de cooperação é altíssimo: é necessário trabalhar com os amigos para assistir aos shows, pois a melhor maneira de conseguir diversão é ver as apresentações junto com a turma. Dá um certo trabalho se divertir no show!

O tema é tão descontraído que, ao entrar na brincadeira, a diversão é garantida. O grupo batia palmas e comemorava ao assistir a um show obrigatório em conjunto; dividia dinheiro para o colega comprar um curry; e ia aos balanços juntos entre um show e outro.

Partidas com 3 e 5 jogadores funcionaram muito bem, com todos rindo e se divertindo bastante.

O Que Eu Gostei

Muita interação! Durante as partidas, havia constante interação: às vezes andando com um grupo de amigos, às vezes com outro, sempre assistindo aos shows juntos. O jogo é totalmente focado em ver shows com as turmas, mesmo que pequenos grupos se formem e se desfaçam conforme cada um busca suas bandas obrigatórias.

Divertido e pancada! O quão bobo e divertido o jogo é foi um ponto alto. Os nomes das bandas e dos personagens são engraçados, facilitando entrar no clima e dar boas risadas. “Bobo” aqui não é um demérito; essa característica descontraída foi muito apreciada.

Nomes das bandas: todos os nomes de bandas no jogo são trocadilhos (“peterbações” no original) de bandas reais. Parte da diversão era tentar adivinhar qual era a banda “real”. Lukewarm Vanilla Snippets? Provavelmente são os Red Hot Chili Peppers!

O Que Eu Não Gostei

Peões e cores dos personagens: a pior parte do jogo foi a associação entre as cores dos personagens e as cores dos peões. As cores desbotadas se misturam, e algumas são quase indistinguíveis. A correspondência entre peões e fichas de personagem também é confusa, chegando a atrapalhar a jogabilidade. “Espera, por que você está movendo o meu peão?” “Ah, desculpa, achei que aquela fosse a minha cor!”

Considerando o excelente uso de cores para diferenciar os palcos, as escolhas para peões e tabuleiros de personagens parecem surpreendentemente ruins. Talvez tenham tentado usar cores primárias para os palcos e cores secundárias/apagadas para os personagens, mas o esforço não funcionou.

Preocupação com a rejogabilidade: o jogo utiliza exatamente a mesma programação e os mesmos nomes de banda em todas as partidas. Após pelo menos três jogos, a diversão permanece, mas existe o receio de que se torne repetitivo após mais algumas partidas. Seria desejável uma programação alternativa com nomes diferentes. Uma expansão temática de Heavy Metal, com nomes como “Poorly Whiteless’ Prismatic Spray” (referência a Ritchie Blackmore’s Rainbow) e uma programação distinta, cairia muito bem. Programações variadas de “Pop”, “Heavy Metal” e “Alternativo” seriam bem-vindas. Contudo, é compreensível: este é literalmente o menor Kickstarter já apoiado, com apenas 97 pessoas, então os recursos eram limitados.

Conclusão

Boaromia: The Cooperative Festival Game é definitivamente uma joia escondida no mundo dos jogos. Para grupos de amigos que conseguem entrar na vibe de festival e curtir a dinâmica dos pequenos grupos que se formam de show em show, o jogo tende a ser um grande sucesso. Para quem busca um jogo extremamente sério e tático com elementos cooperativos, Boaromia provavelmente não é a escolha ideal. Este jogo é aproveitado ao máximo quando se joga de forma descompromissada com os amigos.

A partir dessa descrição, fica claro se você e seus amigos irão gostar de Boaromia. A surpresa foi grande com o quanto os grupos gostaram do jogo. Inicialmente, pensou-se em atribuir nota 7/10, mas as lembranças dos sorrisos de todos os amigos durante as partidas elevam a nota para pelo menos 8/10.

Existem alguns pequenos problemas a considerar: o jogo pode se tornar um pouco repetitivo, já que as bandas e a programação não mudam, e as escolhas de cores para peões e tabuleiros de personagens realmente prejudicam um pouco a experiência. Uma edição maior e melhor, com cores mais nítidas, múltiplos temas/bandas e várias programações, seria muito bem-vinda. Ainda assim, o jogo agradou bastante como está.

Este jogo funcionaria fabulosamente em um ambiente de convenção, pois a energia barulhenta e contagiante combina perfeitamente com a atmosfera frenética de uma convenção de jogos de tabuleiro. Espera-se que ele figure no Top 10 de Jogos Cooperativos para Jogar em Convenções na próxima semana (spoilers!).

Por Richard Saunders (traduzido por Marcelo GS)

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