Profissionais detalham de que maneira observar o solo, os vasos e o horário de irrigação para evitar tanto a escassez quanto o excesso de água.
O calor de outubro pede ajustes nos cuidados com as plantas, porém sem aumentar a rega automaticamente para evitar o apodrecimento das raízes. Especialistas aconselham verificar a umidade do solo antes de molhar, dando preferência ao começo da manhã para diminuir a evaporação. Vasos ressecam mais depressa do que canteiros e exigem atenção redobrada. Ainda assim, regras rígidas de horário devem ser deixadas de lado se a planta apresentar sinais evidentes de estresse hídrico, sendo necessário socorrê-la imediatamente.
Com a chegada do calor de outubro, a rotina de cuidados com as plantas pode exigir adaptações. Isso não quer dizer, contudo, que se deva ampliar a quantidade de água de forma automática. Afinal, a temperatura é somente um dos fatores que definem quando uma espécie realmente necessita de uma nova irrigação.
Antes de regar novamente o vaso ou o jardim, convém observar a umidade do solo, a incidência de sol e as condições do ambiente. Pouca água pode deixar as folhas secas, amareladas e sem firmeza. Por outro lado, o excesso mantém as raízes úmidas por tempo excessivo e favorece problemas como o apodrecimento.
“O calor aumenta a demanda por água, mas isso não significa que o solo esteja sempre seco”, explicou o biólogo Jader Costa, em entrevista à revista ‘Casa e Jardim’.
Como adaptar a irrigação das plantas no calor?
Em dias quentes, vento, baixa umidade do ar e exposição direta ao sol aceleram a perda de água. Mesmo assim, cada vaso ou canteiro reage de forma particular. Portanto, uma rotina apoiada somente em dias fixos pode provocar tanto falta quanto excesso de irrigação.
“No calor, a planta tende a perder mais água pela transpiração e o solo também seca mais rapidamente, sobretudo quando há sol forte, vento e baixa umidade do ar”, comentou a paisagista Luciana Bacheschi.
Na prática, a principal modificação é observar mais e regar menos no piloto automático. O próprio aspecto da planta e a condição do substrato contribuem para indicar quando é o momento de oferecer água novamente.
“Então, quando a temperatura sobe, eu presto mais atenção na planta e no solo. É isso que vai indicar se ela realmente necessita de mais água”, complementou a especialista.
Vasos exigem atenção diferente do jardim
O recipiente também interfere na velocidade com que a água desaparece. Em um vaso, a quantidade de terra disponível para as raízes é menor. Ademais, recipientes expostos diretamente ao sol podem esquentar e perder umidade com mais rapidez.
“Plantas em vasos geralmente têm um volume de solo menor e, conforme o material e o tamanho do recipiente, podem perder água mais rapidamente. Vasos expostos diretamente ao sol também podem aquecer bastante, ampliando a perda de água”, apontou Costa.
No jardim, a maior quantidade de solo pode conservar a umidade por mais tempo. Todavia, isso não elimina a necessidade de acompanhar as condições de cada espaço. “É importante observar as características do terreno, a drenagem e a exposição ao sol”, contou o biólogo.
Horário da rega também faz diferença
Sempre que possível, o início da manhã costuma ser uma boa opção. Nesse período, a temperatura ainda está mais baixa e a água permanece disponível por mais tempo antes que o calor intensifique a evaporação.
“Eu prefiro sempre o começo da manhã. A temperatura está mais amena, há menos perda de água por evaporação e a planta inicia o período mais quente do dia bem hidratada”, explicou Bacheschi.
Já transformar a rega ao meio-dia em um hábito pode resultar em perda mais rápida de água, principalmente com o sol forte. “Eu não escolheria o meio do dia, com aquele sol forte, como rotina de rega. É justamente o momento em que temos uma evaporação muito maior”, afirma.
Planta desidratada não deve esperar
A recomendação sobre horários não precisa se tornar uma regra rígida. Se uma planta apresenta sinais claros de falta de água em plena tarde quente, aguardar até a manhã seguinte pode prolongar o estresse provocado pela desidratação.
“Mas também não gosto de regras radicais. Se você encontrar uma planta claramente desidratada às duas da tarde, num dia de muito calor, não vai deixá-la sofrendo até a manhã seguinte porque ‘não é o horário certo’. Regue”, orientou a paisagista.
Portanto, durante o calor de outubro, o ajuste mais relevante reside em avaliar as condições antes de cada rega. O ambiente, o tipo de cultivo e a umidade do solo fornecem sinais mais confiáveis do que simplesmente aumentar a frequência pelo fato de a temperatura ter subido.






