Na etapa final de preparação para o Enem, ampliar sem critério as horas dedicadas aos estudos pode causar cansaço e comprometer o rendimento. Uma preparação eficaz exige foco com direção: elaborar um cronograma maleável direcionado aos pontos de maior dificuldade, valorizar o sono indispensável para a memória e reservar pausas para atividades físicas e lazer. O equilíbrio físico e emocional é fundamental para diminuir a ansiedade e assegurar a assimilação real dos conteúdos até a prova.
As provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2026 ocorrerão nos dias 8 e 15 de novembro. Com isso, muitos candidatos chegam à reta final de preparação e, diante da rotina mais intensa, crescem a ansiedade e a impressão de que é necessário estudar cada vez mais para abarcar todo o conteúdo do Ensino Médio. No entanto, nessa fase, ampliar as horas de estudo nem sempre representa melhor aproveitamento do tempo disponível.
Muitos equívocos são cometidos pelos alunos na tentativa de absorver o máximo de conteúdo nas últimas semanas. Para ter uma boa nota, aumentar de forma indiscriminada as horas diante de livros e PDFs, por exemplo, não garante melhor aproveitamento desse período.
“Quando as últimas semanas chegam, é comum que o estudante queira compensar estudando mais e mais, mas o objetivo é garantir que cada hora de estudo tenha um propósito. É necessário identificar o que ainda pode melhorar e, ao mesmo tempo, preservar o estado físico e emocional para chegar bem à prova. Estudar cansado gera frustração, e essa frustração eleva a insegurança e, por consequência, a quantidade de erros”, alerta.
O especialista enumera algumas mudanças simples que podem tornar as próximas semanas mais produtivas sem transformar a preparação em uma rotina exaustiva.
1. Monte um plano claro, mas flexível
Dispor de um cronograma para as últimas semanas permite ao estudante enxergar o que precisa ser otimizado e impede que o tempo seja gasto apenas com as matérias em que ele já tem maior domínio. Ao mesmo tempo, o planejamento não deve ser encarado como algo fixo, já que o desempenho em simulados e exercícios pode apontar novas prioridades no decorrer do percurso.
É fundamental observar as lacunas do aprendizado e reconhecer em quais disciplinas o estudante enfrenta mais obstáculos, ajustando o cronograma de preparação para o Enem. “As matérias que ele já domina não sairão do planejamento, mas podem aparecer em revisões mais objetivas. Não é preciso estudar tudo com o mesmo grau de profundidade”, orienta.
2. Priorize as dificuldades em vez de tentar revisar tudo
Tentar revisar todo o conteúdo do zero pode provocar mais ansiedade do que benefícios. Uma alternativa é recorrer a provas de edições passadas, simulados e listas de exercícios para localizar os assuntos em que ainda há maior dificuldade. Dessa forma, o estudante consegue canalizar energia nos pontos com maior chance de melhora.
“É relevante converter o erro em informação. Se o estudante erra repetidamente questões de um tema, isso indica que aquele conteúdo precisa de uma atenção especial. Em vez de apenas resolver mais uma lista extensa de exercícios até acertar, ele pode retomar a teoria necessária e compreender onde está a falha de entendimento que desencadeia outras. Em seguida, deverá testar novamente o conhecimento”, relata o especialista.
3. Não troque horas de sono por horas de estudo
Na tentativa de obter algumas horas extras, muitos estudantes diminuem o tempo de sono. Essa estratégia, contudo, prejudica justamente uma das funções indispensáveis para o aprendizado: a consolidação da memória. Dormir não é um intervalo entre dois blocos de estudo. Faz parte do processo de aprendizagem. O estudante precisa chegar ao dia seguinte em condições de recordar o que estudou e continuar aprendendo. Por isso, trocar regularmente horas de sono por mais conteúdo compromete a retenção da matéria.
4. Reserve espaço para atividade física e pausas
Ainda que o tempo disponível seja curto, conservar alguma prática de atividade física na rotina auxilia o estudante a romper longos períodos de sedentarismo e de exposição às telas, além de colaborar para lidar melhor com o estresse.
Uma revisão sistemática divulgada em 2025 no periódico Journal of Physical Activity and Health, com o título “Associações entre comportamentos relacionados ao movimento, cognição e desempenho acadêmico em crianças e adolescentes”, examinou 24 estudos com 48.558 participantes. Entre as investigações que analisaram diretamente a conexão entre atividade física e desempenho escolar, 53% identificaram associações positivas.
O exercício não deve ser visto como tempo desperdiçado de preparação. “A atividade física funciona como um estímulo que quebra a rotina de quem permanece horas sentado e em alta concentração. Caminhar, praticar um esporte ou realizar um treino são maneiras de movimentar o corpo, aliviar a tensão e retornar aos estudos com mais ânimo. O mesmo se aplica às pequenas pausas ao longo do dia”.
5. Preserve momentos que não tenham relação com o vestibular
Na etapa final, é comum que os estudantes e até alguns pais achem que qualquer atividade não relacionada ao Enem representa tempo perdido. O problema surge quando a preparação passa a dominar praticamente o dia inteiro, sem espaço para refeições calmas, convívio familiar e encontros com amigos.
Uma rotina equilibrada não significa estudar menos por obrigação, mas conseguir manter o ritmo ao longo das semanas restantes. Minha sugestão é: aproveite o fim de semana; uma manhã na praia ou uma noite com amigos não vai tirá-lo do caminho. É importante não pensar em prova, nota ou aprovação o tempo todo. Isso evita que a ansiedade ocupe todos os espaços do dia e permite que o estudo permaneça uma atividade viável até a data do exame.







