O município de São Mateus será contemplado com um aporte de R$ 400 milhões destinado à construção de duas novas usinas termelétricas da Rio Grande Energia, cada uma com 31,2 MW de potência instalada. Somadas, as plantas adicionarão 62,4 MW à rede e têm previsão de entrar em operação em outubro de 2028. Esse volume energético corresponde ao consumo de uma cidade de 100 mil habitantes por até sete meses. O investimento expande a infraestrutura de energia do norte do Espírito Santo e incorpora um ativo estratégico para o estado atrair novos projetos industriais.
A oferta de energia é um fator determinante para companhias que analisam onde implantar fábricas, centros de distribuição ou atividades que demandam grande consumo elétrico. Nesse aspecto, o Espírito Santo leva vantagem. O estado concentra geração, transmissão, portos, malha rodoviária e um parque industrial consolidado em uma área geográfica relativamente pequena.
As termelétricas de São Mateus fortalecem essa equação. Como a energia produzida será direcionada ao Sistema Interligado Nacional, não existirá uma reserva exclusiva para a cidade. Em outras palavras, a ampliação da capacidade de geração reforça a segurança e a estrutura energética que dão suporte a novos empreendimentos.
Espírito Santo mais competitivo com São Mateus
Esse elemento se torna ainda mais relevante quando empresas nacionais e internacionais comparam diferentes unidades federativas antes de decidir onde investir. Disponibilidade de energia, previsibilidade no fornecimento, acesso logístico e ambiente regulatório fazem parte dessa equação. Dessa forma, um projeto de R$ 400 milhões não produz efeitos apenas dentro do terreno de 7 mil metros quadrados das usinas. Ele aperfeiçoa a percepção da capacidade instalada na região e pode auxiliar São Mateus a concorrer por novos investimentos.
Os efeitos começam antes mesmo da entrada em operação. A fase de implantação deverá criar centenas de postos de trabalho diretos e indiretos, além de movimentar a demanda por construção civil, montagem, manutenção, transporte, alimentação, hospedagem, segurança e outros segmentos de serviços.
Adicionalmente, fornecedores da região podem conquistar contratos e adquirir experiência em projetos de energia de maior complexidade. Esse movimento é relevante porque cada grande investimento amplia o número de empresas capacitadas a atender novas demandas, fortalece a cadeia produtiva local e deixa capacidade instalada mesmo após a conclusão das obras.
As duas termelétricas não farão de São Mateus, isoladamente, um polo industrial. Contudo, acrescentam uma peça importante ao conjunto de condições necessárias para esse objetivo. Se o estado conectar essa nova oferta de infraestrutura a uma política ativa de atração de empresas, qualificação de mão de obra e desenvolvimento de fornecedores, os R$ 400 milhões poderão significar mais do que duas usinas. Poderão atuar como um argumento concreto para atrair novos negócios ao norte capixaba.






