Lançados em meados de setembro, os novos Huawei FreeBuds Neo foram recebidos para análise há algumas semanas e rapidamente exibiram os seus principais trunfos: conforto, bom som e cancelamento de ruído. Tudo isto sem exigir um orçamento fora do comum. Por 129 euros, posicionam-se numa faixa de preço bastante competitiva face a tudo o que proporcionam no dia a dia.
O primeiro aspeto que se destaca é o tamanho e o peso reduzidos. Cada auricular pesa menos de 5 gramas e apresenta uma haste curta e discreta. O estojo é compacto, de formato arredondado, e cabe no bolso das calças sem incomodar. São argumentos que, desde logo, pesam a favor. No ouvido, o encaixe com as borrachas de silicone é imediato, não provoca desconforto e evita aquela sensação desagradável de pressão no canal auditivo. A embalagem inclui vários tamanhos de adaptadores para assegurar o ajuste correto, além de proteção contra suor e salpicos de água (IP55), o que significa que resistem sem problemas a um treino no ginásio ou a uma caminhada debaixo de chuva fraca.
Para controlar a música ou atender chamadas, o processo é muito prático: basta tocar ou deslizar o dedo sobre a haste para regular o volume, sem necessidade de tirar o telemóvel do bolso.
Áudio encorpado e silêncio quando necessário
Mais do que a primeira impressão ou os dados da ficha técnica, importa sobretudo o bom som. E este convence logo nos primeiros minutos. A música ganha corpo, os graves marcam presença sem abafar as vozes e tudo soa nítido em qualquer género musical. Sem ser uma avaliação de especialistas, é justo afirmar que os resultados agradaram bastante.
O cancelamento de ruído, por seu lado, faz exatamente aquilo que se espera: elimina o zumbido constante do trânsito, o ruído dos transportes públicos e as conversas de fundo no trabalho. Nas chamadas, a voz surge limpa e percetível mesmo com vento ou movimento ao redor, algo que nem sempre é fácil de conseguir, inclusive nos melhores sistemas de cancelamento de ruído.
Foi precisamente neste aspeto — e essa foi também a razão para a análise ter demorado mais tempo a ser publicada — que se testou igualmente um cenário de viagem de avião, com todo o ruído que costuma incomodar nesses momentos e que normalmente leva ao uso de headphones com cancelamento de ruído. Foram quatro horas entre Lisboa e Varsóvia, num avião que até se revelou mais ruidoso do que o habitual, e que mostraram todos os argumentos dos FreeBuds Neo. O som ambiente foi isolado de forma praticamente perfeita, permitindo desfrutar de podcasts e séries sem qualquer incómodo exterior.
Bateria para vários dias e conexão descomplicada
Como é habitual na marca, quer em smartwatches quer em smartphones, a autonomia proporciona garantias para vários dias de utilização regular. Segundo os números da Huawei, os auriculares conseguem aguentar cerca de dez horas seguidas de música com o cancelamento desligado, e aproximadamente seis horas e meia com o isolamento ativo ligado. Somando as cargas do estojo, a autonomia total atinge as quarenta horas, sendo suficiente deixar os auriculares na caixa por escassos minutos para ganhar bateria para um par de horas de reprodução. Não foi feita uma contagem rigorosa, mas os valores deverão andar muito próximos do anunciado.
Por outro lado, a conectividade também se revela simples e eficiente: os FreeBuds Neo emparelham com dois dispositivos em simultâneo — como um portátil e um smartphone — e vão alternando a fonte de áudio de forma automática, conforme se esteja a trabalhar ou a receber uma chamada.
Os FreeBuds Neo são uma aposta certeira para quem procura o formato clássico intra-auricular: isolam bem o som, reproduzem com muita qualidade e têm bateria de sobra para a rotina diária. Ainda assim, é necessário ser direto: no uso diário, os Huawei FreeClip 2 continuam a ser preferidos, apesar de os FreeBuds Neo serem muito bons. Os FreeClip 2 revelam-se muito melhores para correr, pois a fixação é praticamente perfeita.
A razão é simples: o formato aberto em mola dos FreeClip 2 não escorrega com o suor quando o ritmo aperta e ainda deixa ouvir em tempo real os carros e tudo o que rodeia na rua. No caso de quem os utiliza, os FreeClip 2 são usados com muito mais frequência na passadeira e, mesmo aí, são preferidos, sobretudo por uma questão pessoal — os auriculares intra-auriculares tendem a cair ao mínimo movimento.
Ainda assim, para trabalhar, andar de transportes, viajar ou simplesmente ouvir música e atender chamadas em silêncio, os FreeBuds Neo cumprem com distinção pelos 129 euros do preço de lançamento. Mas para calçar as sapatilhas e percorrer alguns quilómetros, os FreeClip 2 continuam a ser a escolha recomendada.







