E se as eleições do Legislativo fossem separadas do Executivo? Especialistas discutem o tema. Os dois analistas traçam um diagnóstico do cenário institucional brasileiro e de como o país pode criar um ambiente com mais segurança jurídica e previsibilidade.
O PL de Flávio Bolsonaro registraria o maior crescimento no número de senadores a partir de 2027 caso as projeções mais recentes das pesquisas de intenção de voto se confirmem no dia 4 de outubro. O PSD, por outro lado, sofreria a maior perda.
O Estadão disponibiliza uma ferramenta para projetar a futura composição do Senado com base nos resultados das pesquisas mais recentes da Quaest em 26 unidades da Federação. No Piauí, onde o instituto não divulgou levantamento, foram utilizados dados do Datafolha.
Veja o resultado estimado:
De acordo com as projeções, o PL conquistaria mais cinco cadeiras e ampliaria sua bancada dos atuais 15 para pelo menos 20 senadores a partir de 2027. Os partidos de esquerda teriam um avanço mais discreto, enquanto as legendas de centro encolheriam em relação à composição atual.
Foram considerados na projeção os candidatos numericamente mais bem posicionados. Em Rondônia e no Rio Grande do Sul, dois concorrentes registraram o mesmo percentual na disputa pela segunda vaga e, por isso, ambos foram incluídos.
O levantamento é apenas uma projeção fundamentada nas pesquisas divulgadas até o momento, não representando uma previsão do resultado das urnas.
Das 81 cadeiras do Senado, 54 estão em jogo nas eleições de 2026 – duas por estado.
Projeções para o PL
Atualmente, a legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro e de seu filho mais velho possui 15 assentos no Senado. Nove de seus senadores atuais têm mandato até 2031 e não disputam a reeleição neste ano. Quatro deles – Efraim Filho, Sergio Moro, Wellington Fagundes e Wilder Morais – concorrem aos governos de seus estados.
Conforme a Quaest, o PL pode conquistar cadeiras em dez unidades da Federação: Acre, Amazonas, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul (as duas vagas), Pará, Rondônia (as duas vagas), Roraima, Santa Catarina e Tocantins.
A bancada poderia chegar a 21 senadores caso Bruno Bolsonaro Scheid conquiste a segunda vaga em Rondônia. Na pesquisa, ele registra 11% das intenções de voto, mesmo percentual de Sílvia Cristina (PP).
Como mostrou o Estadão, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, calcula encerrar as eleições com 28 senadores. Conquistar a maioria no Senado sempre foi uma das prioridades declaradas publicamente por Bolsonaro antes de sua prisão.
“Com metade do Senado, vou mandar mais que o presidente da República. Não adianta ele (o presidente) indicar o João (nome fictício) para o Supremo, que eu falo para o pessoal ‘aprova ou não aprova’”, declarou, em evento no ano passado, quando projetava ter entre 44 e 60 aliados políticos no Senado.
Mesmo com o crescimento projetado, o PL ainda dependeria de aliados para aprovar algumas das principais pautas defendidas pelo bolsonarismo. O Senado possui 81 integrantes, e são necessários 41 votos para formar maioria absoluta.
Já a aprovação de um pedido de impeachment contra ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), uma das bandeiras do grupo, exige o apoio de dois terços da Casa, ou 54 senadores.
Desempenho da esquerda
Já o PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passaria de nove para pelo menos 11 assentos. A bancada chegaria a 12 caso o líder do governo na Câmara, deputado Paulo Pimenta, conquiste a segunda vaga no Rio Grande do Sul. Ele e o também deputado Marcel van Hattem (Novo) têm 9% das intenções de voto cada.
O crescimento projetado do PT e do PDT, além da eleição de candidatos do PSOL e da Rede, ajudaria a compensar uma redução prevista das cadeiras atualmente ocupadas pelo PSB. Segundo pesquisas da Quaest, o partido presidido por João Campos pode terminar as eleições com quatro assentos – hoje, tem sete.
Com isso, a esquerda teria cerca de 20 vagas no Senado — atualmente ocupa 18 assentos, considerando PT, PSB e PDT.
Cenário do centro
No caso dos partidos de centro, as pesquisas projetam uma redução no número de senadores. Hoje, essas legendas respondem por 48 vagas no Senado, computando os integrantes de MDB, PP, Republicanos, União Brasil, PSD, Podemos e PSDB.
Caso os levantamentos se confirmem, perderiam cerca de dez lugares, passando para 38 ou 39 – a depender da eleição da candidata Sílvia Cristina (PP) em Rondônia.
A Quaest projeta uma redução expressiva na bancada do PSD, que passaria de 14 senadores para cinco. O União Brasil, partido do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (AP), ganharia três assentos, chegando a seis. O PP de Ciro Nogueira pode ganhar até dois assentos, enquanto o MDB manteria os 9 senadores que possui hoje.







