A competição no segmento dos celulares dobráveis ganhou um novo capítulo interessante em setembro. Antes da Apple realizar a apresentação oficial de seu novo dispositivo, a Xiaomi lançou o Xiaomi 18 Fold nas lojas. O aparelho foi revelado na China em 7 de setembro, dois dias antes do evento da Apple, e chegou ao mercado com um objetivo claro: competir no formato dobrável “tipo passaporte”, apresentando especificações robustas e um preço acessível.
Esse modelo combina duas telas, um corpo esbelto, câmeras desenvolvidas em colaboração com a Leica e uma bateria de 6.000 mAh. O lançamento é notável porque posiciona a Xiaomi no meio de uma disputa que antes parecia restrita principalmente à Samsung e à Huawei.
Além disso, um aspecto que chama a atenção é que o design do Xiaomi 18 Fold remete bastante ao do novo dispositivo dobrável da Apple.
O que muda entre Xiaomi e Apple
Os dispositivos compartilham a mesma lógica de dobráveis em formato de livro. Quando fechado, o smartphone é compacto. Ao ser aberto, opera como um mini tablet.
Ainda que o formato seja semelhante, eles apresentam divergências em diversos aspectos.
Câmeras: esta é uma das distinções mais relevantes. O Xiaomi 18 Fold possui um sistema de câmeras traseiras com três lentes Leica: uma principal de 200 MP, telefoto de 50 MP com zoom óptico de 3,5x e uma ultra-angular de 50 MP. Por outro lado, o iPhone Duo também conta com quatro lentes, mas não dispõe de uma teleobjetiva dedicada. Na prática, o Xiaomi oferece vantagens em termos de zoom óptico e resolução do sensor principal.
Bateria: a Xiaomi prioriza a autonomia, equipando seu aparelho com 6.000 mAh e suporte a carregamento rápido de até 67W, enquanto o iPhone Duo utiliza uma bateria menor e se vale do ecossistema de carregamento da Apple, que inclui o MagSafe.
Peso e espessura: o Xiaomi 18 Fold tem um peso de 219 gramas e apenas 5,02 mm de espessura quando aberto. Em comparação, o iPhone Duo atinge aproximadamente 254 gramas e 5,2 mm de espessura no estado aberto. A diferença de peso é superior a 30 gramas.
Tela: ambos possuem um painel interno de cerca de 7,6 polegadas e taxa de atualização de até 120 Hz. Entretanto, a Xiaomi anuncia um brilho de até 4.000 nits em sua tela interna, enquanto o iPhone Duo se destaca pela resolução e densidade de pixels mais elevados.
Resistência: nesta área, a situação se inverte. O Xiaomi 18 Fold possui certificação IP59, ao passo que o iPhone Duo conta com IP68, uma proteção bem reconhecida no ecossistema Apple contra água e poeira.
Processador: a Xiaomi emprega o XRING O3, fabricado em 3 nanômetros, enquanto a Apple opta pelo A20 Pro, desenvolvido em um processo de 2 nanômetros. Ambos representam a dedicação das fabricantes para oferecer maior capacidade de processamento em inteligência artificial e desempenho em um formato que requer maior eficiência energética.
Sistema: esta pode ser a distinção mais significativa para quem já está inserido em um ecossistema. O Xiaomi opera com Android 17 e HyperOS 4, enquanto o iPhone Duo utiliza iOS 27. A escolha não diz respeito apenas a especificações, mas também se relaciona aos aplicativos, serviços, acessórios e dispositivos que o usuário já possui.
Em suma, embora ambos os dobráveis apresentem propostas semelhantes, suas prioridades são distintas. A Xiaomi oferece maior duração de bateria, uma câmera principal de altíssima resolução, teleobjetiva dedicada, menor peso e um preço consideravelmente mais acessível. A Apple investe em seu ecossistema, software e integração com outros produtos.
Essa diferença torna a comparação bastante interessante: pela primeira vez, os consumidores têm a opção de comparar dois dobráveis com formatos muito similares, mas com propostas claramente diferentes.
Quanto custa
O preço é um dos aspectos mais intrigantes na comparação entre os dois dispositivos dobráveis.
O iPhone Duo chega ao Brasil por R$ 21.999 na versão básica. Em contraste, o Xiaomi 18 Fold inicia em 10.999 yuan, cerca de R$ 8,4 mil em conversão direta.
A diferença é de aproximadamente R$ 13.600. Considerando apenas a conversão dos preços, o Xiaomi representa menos da metade do valor solicitado pelo dobrável da Apple no Brasil.
A configuração inicial do Xiaomi conta com 12 GB de RAM e 256 GB de armazenamento. O modelo de 12 GB + 512 GB custa 11.999 yuan, enquanto a versão com 16 GB de RAM e 512 GB é ofertada a 12.999 yuan. A configuração de 16 GB de RAM e 1 TB está disponível por 14.999 yuan, cerca de R$ 11,4 mil na conversão direta.
É importante observar que os valores do Xiaomi referem-se a preços praticados na China convertidos diretamente para reais. Esses preços não incluem impostos, taxas de importação ou possíveis custos de distribuição, tornando-se, portanto, uma representação que não reflete o preço final que o aparelho teria se fosse comercializado oficialmente no Brasil.
Disputa está só começando
A oportunidade de lançamento é tão importante quanto o produto em si. A Xiaomi apresentou seu dispositivo dobrável dois dias antes da Apple revelar o seu. Essa estratégia coloca a fabricante chinesa em uma posição vantajosa em um mercado onde os designs dos dispositivos dobráveis começam a seguir um padrão similar.
A Samsung e a Huawei já exploram esse formato há mais tempo, com o Galaxy Z Fold 8 e o Pura X View.
Mais do que uma disputa por especificações técnicas, o que está em jogo é convencer o consumidor de que os dobráveis deixaram de ser produtos experimentais.
Desta vez, a Xiaomi não aguardou a Apple definir as diretrizes: lançou seu aparelho antes, na mesma configuração e por um valor mais acessível.
Para o setor de smartphones, esse episódio reforça uma tendência já visível: os dobráveis estão deixando de ser um nicho, passando a ocupar um espaço crescente na concorrência entre as principais fabricantes.






