A vida moderna nos empurra constantemente para o modo automático. Somos instigados a reagir com rapidez, defender posições e validar quem somos pelo volume de entregas. No entanto, quando o fazer atropela o ser, tornamo-nos reféns das circunstâncias e nos desconectamos da nossa própria essência (nosso próprio centro).
A jornada do saber, do sentir e da experiência
A construção da nossa identidade e da causa a que servimos não acontece no vazio; ela exige a integração profunda entre a mente, o coração e a vivência prática e integral. Somos humanos e não autômatos ou uma ficção científica ou um roteiro produzido para entretenimento. Somos a realidade do ser com nossos cromossomos e principalmente com os nossos “como somos”.
- O Saber (consciência): É o conhecimento de si, a clareza intelectual sobre seus valores, limites e crenças. Sem o saber, a ação é cega, inoperante e manipulável.
- O Sentir (afeto e conexão): É a inteligência emocional que valida o que o saber processa. O sentir dá profundidade à existência e impede que a vida seja apenas uma equação fria de metas e lógica ou uma única dimensão.
- O Sabor ou Dissabor do fazer acontecer (a vivência): O agir no mundo traz o gosto da vida. Fazer acontecer gera a satisfação (o sabor) das conquistas e do alinhamento interno, mas também traz o peso, a dor e a frustração (o dissabor) inerentes ao erro e ao esforço. O dissabor não é um fracasso da identidade, mas o tempero necessário para o amadurecimento e para o nosso constante e contínuo vir a ser.
- Dimensão comportamental: a pausa consciente
A sequência pensar, refletir, elaborar e expressar é a ponte entre o saber e o fazer acontecer. – João 13:17
- Impulso x Escolha: A reação impulsiva é um atalho que ignora o saber e o sentir, gerando um dissabor desnecessário. Podemos, precisamos, queremos e conseguiremos alcançar o autocontrole emocional e a resposta comportamental harmoniosa e equilibrada.
- Maturidade da ação: Ao fazer a pausa antes de responder, você assume o controle sobre o “como fazemos”. A ação deixa de ser um reflexo defensivo e se torna uma escolha (expressão) consciente.
- Dimensão terapêutica: a ancoragem da identidade
Colocar quem somos antes do que fazemos protege o indivíduo das oscilações da vida.
- A Cura do desempenho: Se a sua identidade depende apenas do sucesso do que você faz, o dissabor de um erro destrói sua autoestima. O fracasso se torna sombrio e horripilante, sugando as suas crenças.
- Processar o sentir: A terapia nos ensina a integrar o sabor e o dissabor sem perder de vista quem somos. O erro passa a ser aprendizado, e a dor do processo não altera o valor do seu ser nem contamina suas relações (com quem fazemos).
- Dimensão espiritual: a causa e o propósito supremo
Lembrar a qual causa você serve conecta o seu sentir, ffazer e o seu saber a algo maior que o ego. Isto é autotranscedência.
- O Propósito no agir: O para que fazemos ganha sentido quando serve à compaixão, a graça, à verdade, à justiça ou ao Divino.
- A Transcendência do resultado: Quando você serve a uma causa nobre, o sabor da vitória é celebrado com humildade, e o dissabor da caminhada é suportado com fé e resiliência, pois a causa permanece maior do que as circunstâncias. Servir a uma causa, servindo-se dela como resultado de cura, libertação, bálsamo e refrigério para a vivência.
Quem somos, alimentados pelo que sabemos e sentimos, deve guiar o modo como saboreamos a vida ao fazer acontecer.
Como você costuma lidar com o “dissabor” que surge no caminho ao tentar colocar em prática seus projetos e valores?
A IMPORTÂNCIA DA EPIGNOSE (ir além de si mesmo) NO SABER, SENTIR E FAZER
A Bíblia fundamenta de forma clara a primazia do ser sobre o fazer, fornecendo uma estrutura espiritual e psicológica para o saber, o sentir e o processo de agir no mundo. – Mt 5:16, 7:12, Rm 14:5,7-9, 12, 19, 21-23
O Ser precede o Fazer: a raiz e a arvore
A Bíblia estabelece que a identidade e o estado do coração determinam a qualidade das ações. Do interior procede a fonte da vida. – Pv 4:23
- Lucas 6:43-45: Jesus ensina que “a árvore boa não dá fruto ruim” e que “a boca fala do que está cheio o coração”. O fruto (o que fazemos) é apenas uma consequência inevitável da essência da árvore (quem somos). – Mt 6:21
- Gênesis 1:26-27: A identidade humana é definida antes de qualquer tarefa ou comando de dominar a terra. O ser humano é, em primeiro lugar, imagem e semelhança do Criador; a ação deriva dessa vocação original e inata.
A pausa e a elaboração (pensar, refletir, elaborar e expressar)
A sabedoria bíblica adverte contra a reatividade e valoriza o domínio próprio e a temperança como fruto de um processo interno de maturação e relacionamento com a Divindade.
- Tiago 1:19: “Todo homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar.” A orientação bíblica para a desaceleração da resposta combate o impulso reativo e abre espaço para a reflexão consciente. Podemos irar, jamais pecar, ficar 24 horas irados e dar lugar ao diabo.
- Provérbios 15:28: “O coração do justo medita no que há de responder, mas a boca dos ímpios jorra coisas más.” A elaboração interna é tratada como uma marca de justiça e sensatez comportamental.
O Saber, o Sentir e o processo do Agir
A integração entre mente, emoção e experiência prática atravessa as Escrituras.
- O Saber (a renovação da mente): Em Romanos 12:2, Paulo exorta: “Transformai-vos pela renovação da vossa mente”. O saber espiritual renova o padrão de pensamento antes de qualquer mudança de conduta e traz como consequência, o bem-estar psíquico e físico.
- O Sentir (a guarda do coração): Em Provérbios 4:23, a instrução é categórica: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida.” O mundo afetivo e emocional direciona a existência.
O Sabor e o Dissabor do Fazer acontecer
A experiência da ação envolve alegrias e provações, ambas integradas no propósito divino.
- O Sabor (a satisfação do trabalho): Em Eclesiastes 3:12-13, a capacidade de desfrutar o bem do próprio trabalho e “saborear” o resultado do esforço é descrita como um dom de Deus.
- O Dissabor (a perseverança na provação): Em Tiago 1:2-4, o dissabor não é visto como punição, mas como ferramenta de maturidade: “Tende grande gozo quando passardes por várias provações, sabendo que a prova da vossa fé produz a paciência.” O sofrimento tempera o caráter e molda a perseverança.
A Causa a que servimos (o “para que” e o “por quem”)
Por fim, a conduta humana ganha direção quando ancorada em um propósito que transcende o indivíduo.
- 1 Coríntios 10:31: “Quer comais, quer bebeis ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus.” A causa suprema simplifica as motivações: a intenção por trás do agir deixa de ser o ego e passa a ser o serviço ao Reino.
De que maneira esses princípios bíblicos se conectam com a forma como você toma decisões no seu dia a dia?








Excelente!