Nunca foi tão acessível para indivíduos na casa dos 20 anos conhecer termos como retinol, ácido glicólico, niacinamida e peptídeos. Nas plataformas sociais, informações sobre cuidados com a pele transformaram substâncias antes restritas a consultórios dermatológicos ou a prateleiras de especialistas em elementos comuns em rotinas cada vez mais sofisticadas. Séruns, máscaras, esfoliantes e procedimentos estéticos se tornaram partes integrantes do dia a dia de jovens que, em muitos casos, ainda não chegaram à faixa etária em que os sinais mais evidentes do envelhecimento costumam surgir.
Esse fenômeno gera uma situação intrigante: ao mesmo tempo em que a Geração Z tem acesso a mais informações sobre cuidados com a pele, nota-se também nas redes sociais que parte desses jovens enfrenta problemas como ressecamento, irritação, manchas e alterações na textura da pele. A preocupação com o envelhecimento, portanto, tem início antes mesmo de se tornar uma questão visível, levantando uma nova dúvida: será que o esforço para prevenir os sinais da idade pode, em alguns casos, estar contribuindo para a sensibilização da pele?
A resposta a essa questão é complexa. Fatores como genética, exposição ao sol, qualidade do sono, estresse e alimentação influenciam na aparência e na saúde da pele. De acordo com o cirurgião plástico facial Fernando Molina, que é especialista em cirurgia da face e rinoplastia, a questão não deve ser atribuída apenas a uma geração específica, mas deve ser analisada com base na combinação de hábitos que caracterizam a vida moderna.
“A genética permanece desempenhando um papel relevante, mas o ambiente e os hábitos também têm um grande impacto na qualidade da pele. A exposição ao sol, a falta de sono, o estresse, uma dieta inadequada e uma rotina cosmética excessiva podem levar a inflamações, alterações na barreira cutânea e à perda da qualidade da pele ao longo do tempo”, explica.







