Com apenas 18 anos, o capixaba Davi Gabriel Bastos da Silva consolida, a cada competição, seu nome entre os principais talentos da nova geração do atletismo brasileiro. No início deste mês, o jovem deu mais um passo relevante na carreira ao vestir a camisa da Seleção Brasileira no Campeonato Mundial de Atletismo Sub-20, realizado no Oregon, nos Estados Unidos.
A conquista de uma vaga entre os melhores atletas do mundo não veio por acaso. A trajetória de Davi no esporte teve início quando ele ainda tinha 13 anos, na Estação Conhecimento Serra, projeto social e esportivo mantido pela Fundação Vale no Espírito Santo. Foi ali, longe dos grandes centros, que o jovem começou sua caminhada de cinco anos de treinamento, disciplina e dedicação na marcha atlética, modalidade que o levaria a representar o país internacionalmente.
Evolução constante e sequência de marcas históricas
A convocação para o Mundial no Oregon foi embalada por uma bagagem internacional construída passo a passo. Davi já havia acumulado experiência ao defender o Brasil no Campeonato Sul-Americano Sub-18 de 2024, na Argentina, e no Campeonato Pan-Americano Sub-20 de 2025, disputado na Colômbia.
Foi neste ano de 2026, porém, que o atleta viu a carreira ganhar um novo patamar, com uma sequência de resultados impressionantes tanto nas pistas quanto nas ruas. No começo de abril, ele se tornou campeão brasileiro Sub-20 e obteve a melhor colocação entre os brasileiros na prova dos 10 km (rua) do Campeonato Mundial de Marcha Atlética por Equipes, em Brasília, cravando o tempo de 45min43s, seu recorde pessoal na distância. Apenas duas semanas depois, ainda em abril, ele estabeleceu sua melhor marca nos 10.000m em pista ao registrar 46min15s51. Para fechar o ciclo de marcas históricas, em maio, o atleta alcançou o tempo de 20min35s95 nos 5.000m, fixando também seu recorde pessoal nessa prova.
Sob a orientação do treinador Diogo Mello, Davi fortalece seu nome em um cenário de maior visibilidade para a marcha atlética no país, impulsionada também pelos resultados históricos de Caio Bonfim no âmbito olímpico e mundial.
O aprendizado no Oregon: da frustração ao orgulho de viver o sonho
Disputar o Mundial Sub-20 era uma meta traçada por Davi desde o ano anterior. No entanto, o esporte de alto rendimento impõe desafios, e o resultado na prova do Oregon não saiu exatamente como o planejado após meses de intensa preparação.
Sem esconder os sentimentos, o capixaba reconheceu o impacto do momento, mas fez questão de exaltar o valor de todo o processo até ali:
“Não foi o resultado que eu sonhei e pelo qual treinei tanto para entregar aqui. É impossível não sentir um pouco de frustração”, desabafou nas redes sociais. “Mas, apesar dos dias de dúvidas, cansaço e lágrimas, hoje posso dizer: Eu vivi esse sonho.”
Na mensagem de despedida da competição, Davi destacou a importância de Diogo Mello em sua caminhada. Mais do que o responsável pela preparação física e tática, o treinador foi apontado pelo atleta como um verdadeiro parceiro de jornada: “Obrigado por acreditar em mim, por me ensinar, por me cobrar e, principalmente, por caminhar comigo durante tudo isso.”
O trabalho continua
De volta ao Brasil, o marchador de 18 anos entende que a passagem pelos Estados Unidos deixa uma bagagem fundamental de maturidade para quem está apenas no início da carreira profissional. O resultado no Oregon ficou para trás, mas abriu espaço para metas ainda maiores.
“Volto para casa feliz, orgulhoso e com ainda mais vontade de continuar”, afirmou o atleta. “O trabalho continua. Novos objetivos estão pela frente, novos sonhos serão buscados e novas histórias ainda serão escritas.”







