MPES apura esquema com falsas vítimas da tragédia de Mariana

O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) cumpriu mandados de busca e apreensão em uma investigação que apura uma suposta fraude superior a R$ 8 milhões em indenizações pagas a pessoas que teriam usado documentos falsos para se passar por atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana.

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A ação, ocorrida nesta quinta-feira (20), integra a sétima fase da Operação Abutres e foi executada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco-Norte) e pela Promotoria de Justiça Criminal de Linhares.

No total, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão: dois em Baixo Guandu, um em Vila Velha e outro em Vitória, na Ilha do Boi. As medidas foram autorizadas pela 3ª Vara Criminal de Linhares, após solicitação do MPES.

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Documentos falsos teriam sido usados para obter indenizações

Conforme as investigações, o esquema teria empregado documentos falsos ou adulterados para forjar vínculos territoriais inexistentes com áreas atingidas pelo desastre de Mariana.

Entre os materiais analisados estão contas de água e energia elétrica supostamente falsificadas ou adulteradas, boletos bancários incompatíveis com as datas informadas, além de registros escolares e de saúde com indícios de falsificação.

Os documentos teriam sido utilizados em pedidos de indenização apresentados ao Sistema Indenizatório Simplificado (Novel), administrado pela Fundação Renova.

A investigação examinou centenas de requerimentos encaminhados ao sistema. Nos casos já confirmados, o prejuízo estimado ultrapassa R$ 8 milhões, considerando tanto os valores das indenizações que teriam sido pagos indevidamente quanto os honorários advocatícios ligados a esses pagamentos.

Justiça autorizou bloqueio de bens

Além das buscas e apreensões, a Justiça autorizou medidas para preservar e tentar recuperar valores que possam ter sido obtidos de forma irregular.

Entre as determinações estão o sequestro e a indisponibilidade de bens móveis e imóveis, assim como de recursos financeiros.

A operação contou com promotores de Justiça do Gaeco-Norte, servidores do MPES, 11 agentes da Assessoria Militar do Ministério Público e oito militares do Batalhão de Missões Especiais (BME).

As apurações prosseguem. O material apreendido será analisado pelo Ministério Público para identificar outros possíveis envolvidos, mensurar o total do prejuízo e buscar a recuperação dos valores que tenham sido pagos indevidamente.

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