Entusiastas disponibilizaram Metroid Prime Origins, um demake completo em 2D de Metroid Prime, originalmente lançado para GameCube, produzido sob absoluto sigilo por três anos. O lançamento ocorreu em 6 de agosto de 2026, data que marca o 40º aniversário da franquia Metroid. A Nintendo, ao que parece, deixou a efeméride passar em branco, mas os fãs trataram de garantir que a ocasião não ficasse sem celebração.
A divulgação aconteceu no subreddit oficial de Metroid, onde o projeto é descrito como “uma adaptação totalmente concluída de Metroid Prime para GameCube em 2D, com estética fake-bit“. A direção visual foi proposital: Metroid Prime Origins aproxima-se do Metroid clássico de NES, porém com nível de detalhe bem mais elevado, sem se limitar à paleta de cores ou às restrições de memória do hardware de 8 bits. O resultado transita entre o visual retrô do NES e a riqueza gráfica de Super Metroid, o que coloca o fangame acima da média, já que muitos projetos do gênero apenas reutilizam assets oficiais ou tentam replicá-los à perfeição.
Como o jogo funciona na prática
A jogabilidade acompanha o mesmo nível de capricho visual. Samus consegue agarrar-se a bordas com fluidez, e o sistema de mira foi pensado com cuidado para controles: a mira livre fica no gatilho esquerdo, enquanto a trava de mira fica no direito, o que torna muito mais fácil acertar inimigos sem reposicionar a personagem o tempo todo. A scan visor de Metroid Prime, utilizada no original tanto para resolver quebra-cabeças quanto para fornecer lore sobre cada elemento do cenário, foi adaptada com elegância: um toque no gatilho escaneia criaturas, que são registradas em um bestiário, e os pontos de escaneamento de lore preenchem um diário com entradas mais detalhadas.
O menu de opções também impressiona pelo capricho: o jogo oferece autosave, dicas, escalonamento de dano, números de dano exibidos na tela e uma configuração que mostra o nome de cada sala ao entrar nela. É possível ativar ou desativar a vibração do controle e a mira por mouse, garantindo que Metroid Prime Origins seja jogável inclusive para quem não tem um controle à mão. A equipe Lv.4 Games fez questão de ressaltar no Reddit: “Este jogo foi feito sem nenhuma IA generativa. Todos os sprites e músicas foram criados por fãs, e toda a lore in-game foi reescrita, com base na lore original da versão NTSC”.
Três anos de silêncio absoluto
A decisão de desenvolver o jogo em segredo foi calculada. O histórico da Nintendo com fangames é amplamente conhecido, a empresa costuma agir com rapidez para derrubar projetos não autorizados, e a equipe por trás de Metroid Prime Origins claramente tinha isso em mente desde o início. “Não pude falar sobre isso pelos últimos três anos”, escreveu Zevroid, responsável pelos sprites do projeto, no Reddit. “É um grande motivo de orgulho ter feito parte deste projeto. Esperançosamente, o maior número de pessoas possível consiga jogar antes de a Nintendo enlouquecer.”
O temor de Zevroid não era infundado. O trailer do jogo foi retirado do YouTube horas após o lançamento, e um link de download no Archive.org também foi derrubado. A página do vídeo no YouTube indica que ele foi removido por “violação dos Termos de Serviço” da plataforma.
Metroid Prime Origins não é o primeiro trabalho relevante da Lv.4 Games no cenário de fangames. O grupo é responsável por Castlevania ReVamped, outro projeto bem recebido pela comunidade, que posteriormente foi disponibilizado como open source e lançado para Windows e Linux. Por ora, Metroid Prime Origins está disponível apenas para Windows, mas a possibilidade de expansão para outras plataformas não está descartada.







