Terremoto de magnitude 7,4 na Colômbia deixa ao menos 132 mortos

Na Colômbia, ao menos 132 vidas foram perdidas e mais de 570 indivíduos ficaram feridos em decorrência de um potente terremoto que atingiu o país nesta segunda-feira (10/08), classificado pelo Serviço Geológico do país como o evento sísmico “mais intenso da última década”.

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O tremor, que apresentou magnitude 7,4 de acordo com o Serviço Geológico dos EUA (USGS), foi sentido em praticamente todo o território colombiano e em partes do Panamá e do Equador, inclusive na província de Pichincha, cuja capital é Quito.

No Brasil, residentes de Manaus, no Amazonas, reportaram nas redes sociais que também perceberam os tremores.

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O abalo sísmico foi registrado pela manhã, por volta das 7h34 no horário local (9h34 no horário de Brasília). Dois tremores secundários foram detectados, com magnitudes de 2,8 e 4,8, sucedendo o evento principal.

A expectativa é que o número de vítimas fatais aumente, pois muitas pessoas podem estar sob escombros de edifícios desmoronados.

De acordo com o Serviço Geológico Colombiano, a profundidade do tremor foi de 103 km, classificada como intermediária. Em junho, um terremoto que devastou partes da Venezuela e resultou em mais de 6,3 mil mortes ocorreu a apenas 10 km de profundidade.

O presidente Abelardo de la Espriella, que assumiu o cargo na sexta-feira, declarou estado de calamidade pública, o que lhe confere poderes especiais para realocar orçamentos e coordenar rapidamente os esforços das agências para enfrentar a crise.

“Estou a caminho de Bogotá para focar na resposta à emergência que nosso país enfrenta”, comunicou pelas redes sociais.

“Convoquei um Posto de Comando Unificado na UNGRD (Unidade Nacional de Gestão de Riscos de Desastres), de onde liderarei pessoalmente os trabalhos para auxiliar as comunidades de Chocó, a Região Cafeeira e todas as áreas afetadas”, acrescentou.

O epicentro foi próximo a um município montanhoso na Cordilheira Ocidental: San José del Palmar.

O município possui uma população de aproximadamente 5.907 habitantes, conforme dados do Departamento Administrativo Nacional de Estatísticas.

A Unidade Nacional de Gestão de Riscos de Desastres (UNGRD) do governo colombiano relatou que as províncias mais impactadas incluem Chocó, Valle del Cauca, Risaralda e Caldas, abrangendo as cidades de Quibdó, Cali, Pereira e Manizales — as respectivas capitais.

O maior número de vítimas foi registrado em Risaralda, situada na região cafeeira da Colômbia.

Pereira, a capital do departamento, sofreu danos significativos e as equipes de resgate seguem à procura de sobreviventes.

Vídeos, verificados pela BBC, mostram ao menos um edifício desabando na Plaza Bolívar, a principal praça de Pereira, onde se observa poeira e escombros dispersos em uma área anteriormente cheia de pessoas.

Autoridades locais confirmaram pelo menos 40 mortos na área metropolitana, com 65 edifícios desabados. Há suspeitas de que pessoas permaneçam presas em 15 deles.

Na cidade de Cali, situada a cerca de 160 km ao sul de Pereira e a aproximadamente 200 km do epicentro, ao menos trinta e dois prédios entraram em colapso.

Recentemente, a cidade recebeu líderes mundiais para a posse presidencial de Abelardo de la Espriella, e agora contabiliza pelo menos 380 feridos, além de um sistema hospitalar em colapso.

“Quatro grandes instituições de saúde, com alta capacidade, precisaram evacuar todos os seus pacientes”, informou a Secretaria de Saúde de Cali.

“É provável que elas não possam reabrir nas próximas horas.”

Outros estabelecimentos de saúde estão sendo inspecionados para avaliar se podem continuar operando.

Conforme noticiado em redes sociais, diversos edifícios nas regiões de Bogotá, Eje Cafetero, Tolima, Huila, Valle del Cauca, Manizales e Medellín foram evacuados como precaução.

Jorge Eduardo Rojas, prefeito de Manizales, relatou que ao menos duas vidas foram perdidas na cidade, localizada a cerca de 100 quilômetros do epicentro.

Uma das torres da catedral da localidade, erguida entre 1928 e 1939 e considerada um dos ícones arquitetônicos da região, desabou.

O prefeito de Manizales acrescentou que “mais de 12 edifícios” e “mais de 20 casas” foram danificados total ou parcialmente, além de relatos de vazamentos de gás e eletricidade.

Rojas observou que a cidade mobilizou todos os seus recursos para responder à situação, mas reconheceu: “Estamos sobrecarregados”.

Ele caracterizou a situação como “muito trágica e bastante desafiadora” para a cidade.

Segundo a Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres, não há risco de tsunami no Pacífico após este terremoto.

A Autoridade de Aeronáutica Civil confirmou que mais de dez aeroportos foram impactados pelo tremor, levando à suspensão das operações em sete deles.

“Os aeroportos de Pereira, Manizales, Quibdó, Armenia, Cartago e Buenaventura foram afetados. Por motivos de segurança, as operações aéreas nesses terminais permanecem suspensas até que os danos estruturais possam ser avaliados”, informou a agência colombiana.

Em um segundo comunicado, foi confirmado que o aeroporto de Cali também enfrentou interrupções em suas operações.

As autoridades aconselham que aqueles com voos programados mantenham contato próximo com suas companhias aéreas e evitem se deslocar aos aeroportos sem antes consultar os canais oficiais da Autoridade de Aeronáutica Civil.

Ajuda Internacional

Os Estados Unidos foram um dos primeiros países a manifestar solidariedade à Colômbia. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, postou uma mensagem em sua conta no Twitter, declarando que “o governo Trump está acompanhando de perto o devastador terremoto que atingiu a Colômbia”.

Rubio enfatizou que o país “está preparado para apoiar o povo colombiano e o governo do presidente Abelardo de la Espriella”.

Horas após a postagem de Rubio, o governo americano anunciou que destinará US$ 15,5 milhões (cerca de R$ 80 milhões) para auxiliar a Colômbia em ações de emergência, na aquisição de alimentos e na proteção e avaliação de danos causados pelo tremor.

Pelo mesmo canal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou sua “solidariedade”.

“O Brasil continua à disposição da Colômbia para oferecer o apoio necessário”, afirmou.

A presidente mexicana Claudia Sheinbaum também expressou seu apoio e garantiu “toda a assistência que o povo colombiano necessitar”.

“Estamos monitorando a situação de perto, tanto por meio de nossa embaixada naquele país quanto por meio de nosso embaixador aqui”.

A Venezuela também se ofereceu para fornecer ajuda humanitária, enquanto o Equador disponibilizou equipes de resgate.

O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, se colocou à disposição com pessoal e equipamentos para os esforços de socorro após o terremoto.

“A Colômbia possui equipes de emergência atuando nas áreas afetadas e confiamos em sua capacidade para responder a essa emergência”, declarou em comunicado à imprensa.

Ele prosseguiu: “De El Salvador, estamos em contato e prontos para fornecer apoio imediato com nossas equipes de resgate, médicos, paramédicos, suprimentos ou qualquer outra assistência que nossos irmãos colombianos precisem”.

Após os tremores de junho, El Salvador despachou uma missão à Venezuela com 300 socorristas e paramédicos, além de 50 toneladas de equipamentos e suprimentos.

Na Europa, diversos líderes, como o presidente da França, Emmanuel Macron, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também expressaram solidariedade e disponibilizaram apoio à Colômbia.

A posição geográfica da Colômbia, situada na interseção de várias placas tectônicas, a torna suscetível a intensa atividade sísmica, resultando em terremotos de alta magnitude.

Tais terremotos são, em geral, mais severos nas zonas de subducção, onde duas placas tectônicas colidem e uma camada mais densa se infiltra sob a outra, descendo em direção ao manto terrestre, localizadas próximas à costa.

Desde 1950, mais de 3.500 indivíduos perderam a vida diretamente em consequência de terremotos na Colômbia. O mais letal ocorreu em 1999, quando um tremor de magnitude 6,2 abalou a Região Cafeeira, resultando em 1.185 fatalities.

No ano passado, um tremor de magnitude 6,3 afetou Cundinamarca, porém não houve registro de mortes.

O presidente da Sociedade Venezuelana de Geólogos, Feliciano de Santis, declarou à BBC que a conexão entre os eventos sísmicos na Colômbia e os que aconteceram na Venezuela em 24 de junho “é bastante indireta”.

Na Venezuela e na Colômbia, compartilham-se a Placa Sul-Americana e a Placa Caribenha. Mas o que ocorreu na Colômbia foi que a Placa de Nazca se posicionou abaixo da Placa Sul-Americana”, elucidou.

“A relação entre os dois terremotos é muito indireta. Não se pode afirmar que sempre que houver um tremor na Venezuela, um ocorrerá na Colômbia em seguida. Porém, é um sistema de placas interconectadas”, acrescentou.

Ele detalhou que “é como a casca de uma tangerina quebrando em diversos pontos, e todas as partes estão ligadas. Pode haver mais conexão do que se imagina, mas não é possível confirmar com certeza”.

O terremoto na Venezuela resultou em ao menos 6 mil mortes e 50 mil desaparecidos.

 

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