O uso do medicamento Trikafta no tratamento da fibrose cística resultou em uma redução de até 84,8% nas internações de pacientes no Sistema Único de Saúde (SUS). Os primeiros resultados dessa terapia, que é de alto custo e disponibilizada gratuitamente na rede pública há quase dois anos, foram apresentados durante um evento na Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), em Brasília, com a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Atualmente, mais de 2,4 mil pacientes se beneficiam desse tratamento no sistema público. No setor privado, uma caixa do Trikafta é comercializada por aproximadamente R$ 194,5 mil. O custo anual do tratamento pode atingir R$ 2,5 milhões por paciente.
“Estamos falando sobre salvar vidas e facilitar a vida financeira das famílias. Estes debates e pesquisas representam um avanço para atrair a indústria a estabelecer novas parcerias com o SUS e aumentar a produção nacional de medicamentos. Assim, garantimos um acesso mais sustentável aos tratamentos, diminuindo a necessidade de transplantes, internações e até do uso de antibióticos”, afirmou Padilha.
O Relatório Nacional de Monitoramento, elaborado pelo Grupo Brasileiro de Estudos de Fibrose Cística, demonstra que o medicamento também reduziu em até 91,6% a necessidade de oxigenioterapia domiciliar para os indivíduos com a doença. Observou-se uma diminuição de até 90% nos transplantes pulmonares após a introdução do medicamento, além de uma redução nos ciclos de inflamação e infecção, com uma diminuição de 66,7% no uso de antibióticos sistêmicos, um aumento médio de 10 a 14 pontos na função pulmonar e melhorias significativas no estado nutricional.
O estudo de vida real foi realizado ao longo de um ano e avaliou 647 indivíduos, incluindo crianças, adolescentes e adultos, em tratamento com a terapia tripla moduladora elexacaftor, tezacaftor e ivacaftor (Trikafta). O acompanhamento ocorreu em 39 Centros de Referência no Brasil. Um dos biomarcadores mais sensíveis da fibrose cística é o cloreto no suor, que apresentou redução após o início do uso do Trikafta, proporcionando maior qualidade de vida, controle físico e respiratório aos pacientes.
A fibrose cística é uma doença genética hereditária rara, que faz com que o corpo produza um muco excessivamente espesso e pegajoso, obstruindo os pulmões e o sistema digestivo, resultando em tosses constantes, infecções respiratórias e dificuldades na digestão e ganho de peso. No SUS, o atendimento é realizado na atenção especializada, com 128 centros de referência habilitados em todo o país, começando com o diagnóstico por meio da triagem neonatal, que é realizada pelo teste do pezinho, seguido de tratamento de qualidade e multiprofissional à população nos serviços de referência.
Como retirar o Trikafta no SUS
O medicamento pode ser retirado pelo paciente nas farmácias de alto custo em todo o país, apresentando a receita médica devidamente emitida e carimbada pelo especialista. O Trikafta é administrado em casa, por via oral, seguindo as diretrizes de tratamento conforme o quadro clínico de cada paciente.
Até o momento, o Ministério da Saúde já distribuiu mais de 6 milhões de unidades do medicamento aos estados, que são responsáveis pela distribuição aos municípios. No total, foram investidos R$ 2,8 bilhões em recursos federais.
Em 2023, o tratamento foi incorporado ao SUS para pacientes a partir de seis anos que apresentem pelo menos uma mutação F508del no gene CFTR, localizado no cromossomo 7, que produz uma proteína que regula a passagem de sal e água pelas células. Mutações ou erros nesse gene comprometem o fluxo adequado de líquidos, tornando as secreções do corpo mais densas, dificultando a sua eliminação e desencadeando sintomas como pneumonias, tosse crônica, dificuldades para ganhar peso e altura, além de diarreia.






