Caramelos, rajados, tricolores e tantos outros. Com a chegada do Dia do Vira-lata, celebrado em 31 de julho, as características e a saúde de cães e gatos sem raça definida ganham destaque para reforçar o carinho dos brasileiros por esses animais. Dados mostram que eles são os pets mais populares do país, representando 26% dos cães e 86% dos gatos.
Segundo Kelly Kuhn, médica-veterinária, a popularidade dos vira-latas reflete a grande capacidade que desenvolveram de se conectar com as pessoas ao longo de gerações, com carisma e temperamentos característicos. Para a profissional, a ausência de uma linhagem genética pura e documentada faz com que cada animal seja único, com portes, pelagens e cores variadas. Nos cães, essas misturas naturais deram origem a perfis visuais bastante reconhecidos, como o caramelo, o fiapo de manga, de pelos arrepiados, e o ágil raposinha.
Kelly destaca ainda que o comportamento em casa e a sociabilidade são grandes diferenciais desses animais. Os cães sem raça definida costumam ser leais, têm inteligência aguçada para o treinamento por reforço positivo e se adaptam bem a diferentes espaços e rotinas familiares. Já os gatos vira-latas se destacam por serem espertos e, mesmo mantendo a independência típica da espécie, criam laços fortes com os humanos e gostam de ter uma casa cheia de afeto.
Segundo a veterinária, a diversidade genética dos animais sem raça definida reduz a probabilidade de desenvolverem doenças hereditárias típicas de raças puras, mas ela alerta que é um mito perigoso achar que essa saúde mais robusta dispensa cuidados preventivos ou justifica deixá-los soltos nas ruas. Para ela, a adoção responsável e o acompanhamento veterinário de rotina são o que realmente garante qualidade de vida a longo prazo. Além das consultas periódicas, a prevenção passa por hábitos simples do dia a dia, como seguir rigorosamente o calendário de vacinação, fazer a vermifugação periódica e oferecer uma alimentação equilibrada e adequada ao porte e à fase de vida do animal. No caso dos gatos, a hidratação merece atenção especial, e o uso de bebedouros tipo fonte e rações úmidas costuma ser recomendado para estimular o consumo de água e prevenir doenças renais.
Kelly reforça que o acesso constante a médicos-veterinários e planos de saúde facilita essa cultura preventiva, já que pets levados regularmente a consultas de rotina, mesmo sem sintomas aparentes, costumam ser diagnosticados precocemente, antes que problemas de saúde se agravem. Por fim, a veterinária avalia que o alto número de pessoas com pets sem raça definida pode indicar um aumento nas adoções e uma redução do preconceito, já que animais sem raça, idosos ou com deficiência costumam ser preteridos na hora da escolha. Para ela, os dados atuais apontam para uma mudança de comportamento social e cultural que passa a valorizar mais esses animais, que também merecem todo o cuidado e afeto.







