Após Trump pausar bombardeios, Irã sinaliza que suspenderá ataques

O Irã interromperá seus ataques enquanto os Estados Unidos mantiverem a recente pausa nos bombardeios, declarou uma alta autoridade iraniana à Reuters neste domingo (26), após o presidente Donald Trump suspender abruptamente a ofensiva que se estendia por duas semanas.

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Depois de 13 noites de escalada dos bombardeios americanos contra o Irã, o Pentágono interrompeu subitamente a campanha na sexta-feira à noite, sem que houvesse registros de ataques dos EUA no sábado ou no domingo.

O Irã, que retaliara cada noite de ofensiva dos EUA com lançamentos contra nações vizinhas que hospedam instalações militares americanas, também não efetuou ataques nos últimos dois dias.

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O representante dos EUA nas Nações Unidas, Mike Waltz, afirmou à Fox News neste domingo que Trump optou por interromper temporariamente as ofensivas para conceder mais espaço à diplomacia.

“Ele está abrindo espaço para as tratativas, está dando uma margem de manobra”, declarou Waltz, sem acrescentar detalhes.

Veículos de imprensa dos EUA, como CNN, New York Times e Axios, noticiaram que Trump pausou a campanha de bombardeios depois de ser alertado por assessores militares e civis de alto escalão para não escalar ainda mais o conflito que iniciou junto a Israel em fevereiro.

A fonte iraniana graduada, que falou sob anonimato, declarou à Reuters: “A postura do Irã permanece a de ‘ataque por ataque’: se os bombardeios pararem, Teerã também encerrará suas operações. Essa mensagem já foi comunicada aos Estados Unidos.”

Indagado sobre a trégua, uma autoridade graduada do governo Trump afirmou no sábado que o presidente “sempre deixou evidente que sua preferência é a via diplomática, mas demonstrou ao Irã o que ocorrerá se não se sentarem à mesa de negociação com seriedade”.

A alta autoridade iraniana afirmou que Teerã não deposita muita expectativa de que a decisão de Trump de interromper os ataques simbolize uma alteração relevante na postura de negociação americana.

“Há mais ceticismo que otimismo quanto à interrupção dos bombardeios. A percepção dominante é de que a pausa é tática, não genuína. O Irã já acumulou experiências amargas demais com o que enxerga como uma artimanha dos EUA”, declarou a fonte.

Nas duas semanas anteriores, as tropas dos EUA bombardearam o Irã todas as noites, numa ação que Washington classificou como represália às ofensivas iranianas contra a navegação no Estreito de Ormuz. Teerã sustenta que sua meta é conservar o domínio do estreito, pelo qual escoava um quinto do petróleo mundial antes do conflito.

O reinício da ofensiva militar americana na prática inviabilizou o entendimento temporário firmado no mês anterior, que tinha como objetivo encerrar a guerra.

A decisão de Trump de suspender os bombardeios veio depois do que diversos órgãos de imprensa relataram como inquietações de alguns de seus principais conselheiros políticos e militares.

A CNN e o New York Times reportaram que o chefe de gabinete do Pentágono, Dan Caine, havia alertado para a exaustão dos estoques de mísseis de defesa aérea Patriot, dos quais as tropas americanas dependem para proteger bases no Oriente Médio. A CNN também noticiou que o vice-presidente JD Vance manifestou objeções.

O portal de notícias Axios divulgou que o comandante geral das forças americanas no Oriente Médio, o almirante Brad Cooper, sugeriu a interrupção da campanha de bombardeios dos EUA por considerar que ela havia alcançado o limite de sua efetividade.

O Axios mencionou duas fontes cientes da postura de Cooper e afirmou que o encontro com Trump representou um reconhecimento, tanto de autoridades civis quanto militares, de que existiam limites para o que se poderia obter por intermédio de uma campanha militar, sobretudo com o uso de poder aéreo.

No Irã, os residentes seguem receosos. Nader, 49 anos, dono de uma firma de importação e exportação em Teerã, afirmou não acreditar que qualquer trégua nos bombardeios perdure.

“Eles vivem anunciando tréguas, e então a guerra recomeça. Todos no país estão num limbo”, declarou à Reuters por telefone. “Trump está brincando com o Irã. Ele não termina a guerra e não deixa a região, nem ataca de forma definitiva. É desgastante.”

A decisão de Trump de interromper os bombardeios se deu num ponto crucial do conflito, com os dois lados testando os limites da escalada que haviam definido antes de um cessar-fogo encerrar os combates principais em abril e de um acordo temporário reabrir o Estreito de Ormuz em junho.

As tropas americanas já bombardearam pontes e túneis no sul do Irã, o que levou Teerã a atacar estações de dessalinização de água, das quais as nações árabes vizinhas do Golfo dependem para tornar suas cidades desertas habitáveis.

Na semana passada, os aliados houthis do Irã no Iêmen declararam um bloqueio ao petróleo saudita no Mar Vermelho, o que poderia obstruir um segundo gargalo crítico para o escoamento da commodity.

Isso fez o preço de referência do petróleo Brent ultrapassar US$ 100 pela primeira vez desde maio. No sábado, os houthis atingiram alvos petrolíferos sauditas no Mar Vermelho pela primeira vez em anos.

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