Em 2025, o Brasil atingiu um novo recorde de estelionatos: 2.261.055 casos foram contabilizados pelas autoridades. O crescimento dos golpes digitais impulsionou esse cenário, com criminosos explorando aplicativos, redes sociais e técnicas de manipulação para enganar as vítimas.
Informações do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública indicam uma transformação no perfil dos crimes patrimoniais. Enquanto os roubos caíram, as fraudes aumentaram e passaram a ocupar um espaço cada vez maior entre as ocorrências registradas no país.
Golpes digitais acompanham avanço da vida online
Os números são impressionantes: 258 casos de estelionato por hora, cerca de quatro ocorrências a cada minuto. Esse volume representa um crescimento de 429,8% desde 2018.
De acordo com o estudo, a expansão das fraudes está ligada ao avanço da digitalização, ao uso de serviços financeiros pela internet e à adaptação das estratégias dos criminosos. Em vez de depender apenas de ações presenciais, quadrilhas passaram a explorar plataformas digitais e métodos de convencimento.
“Mais de 97% de todos os estelionatos relatados às polícias brasileiras não chegam ao Poder Judiciário. Dar golpes no Brasil oferece riscos excepcionalmente baixos de punição”, afirmam Samira Bueno e Renato Sérgio de Lima, pesquisadores do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Entre os golpes mais frequentes estão:
- Clonagem ou troca de cartão: criminosos obtêm dados bancários por páginas falsas, máquinas adulteradas ou contatos fraudulentos.
- Golpe do WhatsApp: mensagens de supostos familiares ou amigos tentam convencer vítimas a fazer transferências urgentes.
- Falsa central bancária: fraudadores se passam por funcionários de bancos para capturar senhas, códigos e valores.
- Golpe do Pix: falsas vendas, investimentos ou pedidos de ajuda são usados para induzir transferências.
- Uso indevido de CPF: mensagens falsas levam usuários a fornecer informações pessoais ou instalar programas maliciosos.
Engenharia social vira ferramenta dos criminosos
A maioria dessas fraudes não exige invasões sofisticadas. A principal arma dos golpistas é a engenharia social, técnica que explora sentimentos como medo, urgência, confiança ou expectativa de lucro.
Na prática, a vítima acaba sendo convencida a entregar dados, clicar em links suspeitos, instalar aplicativos ou efetuar transferências.
O Anuário também ressalta a atuação de grupos organizados, que passaram a estruturar operações voltadas para crimes digitais. Segundo os pesquisadores, esse modelo funciona como uma “economia criminal integrada”, com organização semelhante à de empresas.

São Paulo lidera registros de estelionato
São Paulo ocupa o topo da lista de estados com maior taxa de registros: 1.808 casos de estelionato por 100 mil habitantes. Em seguida vêm Distrito Federal, Paraná, Rondônia, Santa Catarina e Espírito Santo.
O relatório explica que regiões mais conectadas digitalmente tendem a registrar mais ocorrências, já que concentram maior uso de serviços financeiros e plataformas online.
“O Brasil não está diante de um problema de estelionatários dispersos, mas de uma economia criminal integrada, com estrutura empresarial, financiamento faccional e capacidade de captura do sistema financeiro”, afirma o documento.
O avanço dos golpes digitais mostra que o combate ao problema depende tanto da atuação contra organizações criminosas quanto da atenção dos usuários diante de mensagens, ligações e ofertas suspeitas.






