Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino. I Co 13:11
Existem dois conceitos subjacentes relacionados ao desenvolvimento: Crescer (biológica e fisiologicamente) e amadurecer (processos psíquicos, emocionais, espirituais e relacionais).
O amadurecimento altera a comunicação e o pensamento, como falo, para que falo, quando falo e como percebemos e processamos a realidade.
O amadurecimento impacta diretamente as reações e respostas afetivas. Isto é, a inteligência emocional (podemos ter e precisamos ter).
A Imaturidade foca no egocentrismo, enquanto a maturidade foca e oportuniza um relacionamento intencional, saudável e reprodutivo.
O ser humano nasce aberto ao entorno, ao convívio e às relações externas (sociais e ambientais). Nasce, tendo que se fazer e se constituir no inexorável intercâmbio com as coisas outras que-não-ele, e que-não-dele.
Para que haja desenvolvimento, neste ser humano, é preciso haver uma evolução biológica, histórica e ontogenética. (VIGOTSKY, 2009). Principalmente espiritual (Imanente e transcendente). Dr. Lucas, especialista em desenvolvimento humano, do primeiro século depois de Cristo afirma: “E crescia Jesus em sabedoria (intelectualidade), e em estatura (biológico, fisiológico), e em graça para com Deus (espiritual) e os homens (relacional, social).” – Lc 2:52
O desenvolvimento integral do ser humano está relacionado nos seus aspectos: orgânicos – reflexos do psiquismo primitivo. Na presença do outro. Na mediação da Mãe, da cultura e da Castração do Pai. Na epigenética (Avós, pais, tios e educadores).
PAPEL DA MÃE NO DESENVOLVIMENTO PSÍQUICO E MATURAÇÃO
- Lugar de excelência. A primeira que promove a organização…
- Do primitivo.
- Da progressiva diferenciação.
- Da construção do mundo interno subjetivo.
- Disposição empática materna
- Para captar as necessidades biológicas e emocionais.
- Transformar em conhecimento e experiência as sensações e reações do ser humano.
- Organização neurobiológica e psíquica. Alicerce para o futuro.
PAPEL DA PAI NO DESENVOLVIMENTO PSÍQUICO E MATURAÇÃO
- Elemento Castrador
- Evita a simbiose e identificação exagerada entre a mãe e o bebê.
- Impõe limites, padrões, interdito, proibido, regras e normas.
- Representa o amor severo, exigente e disciplinador.
- Sabe frustrar adequadamente.
- Ativa a capacidade de continência, principalmente em relação aos desejos e necessidades.
EXEMPLO DE PESSOAS QUE PRECISAM E PODEM AMADURECER. VOCÊ CONHECE PESSOAS…
- Imaturas e com Incapacidades de Progresso?
- Com Dependência Exacerbada e Codependência exagerada?
- Que manifestam dificuldades psicológicas e não gestão delas?
- Estagnadas na carreira e nos relacionamentos?
- Descontroladas nos impulsos e com dificuldades com as autoridades?
- Oprimidas por toda sorte de problemas?
- Que Inibe as próprias realizações e satisfações?
- Que vivem a Espera soluções mágicas ou de contos de fadas para os problemas da vida?
- Que se retroalimentam de perfeccionismo com síndrome de excelência e qualificação?
Dr. Paulo de Tarso, especialista em desenvolvimento humano, estabelece um contraste comportamental e temporal entre a infância e a maturidade psíquica e espiritual.
O termo “eu era” está relacionado à existência de um estado ou condição que descreve identidade como imaturo, tanto fisicamente quanto em termos psíquicos e espirituais. Reforçado pelo termo “menino” ou “criança.”
“Era menino…” – Imaturidade/instabilidade
- Levados por circunstâncias, fantasias, imaginações, artimanhas dos homens e astúcias que os conduzem ao erro – Ef 4:14
- Não habilitados para encarar, superar e resolver as dificuldades da vida e para defender e argumentar sobre a verdade.
- O falar é impulsivo, sem controle e coordenação. Um modo infantil inadequado.
- O sentir (ID, desejo, emoção sem autonomia psíquica). Dificuldade e imaturidade para decidir e responsabilizar-se (brinca, come, dorme) – I Cr 3:1-3
- O pensar, raciocinar (discorrer) são fantasiosos e um conto infantil. Uma maneira simplista e imatura de pensar.
- Convivem com egoísmo, inveja, ciúmes, cobiças e contendas.
- Dependentes, sem status, malícia ou influências.
- É necessária uma transição do estado de ser menino para a maturidade, uma indicação da importância do deixar de ser para tornar-se.
“…cheguei a ser (me tornei) homem…” – Maturidade = estabilidade e desenvolvimento integral
- Leva tempo, labor, insistência e investimento. Não é um passe de mágica e nem injeções de glórias a Deus e cápsulas de aleluia.
- “Chegar a ser homem…” é polêmico, cativante, verossímil e envolvente. Representa a chegada à plenitude, onde há maior responsabilidade e entendimento, tanto em termos de idade quanto em virtudes morais e espirituais.
- “deixei de lado (acabei)… Mobiliza, desconcerta e assusta. Desconstrói e inutiliza a Síndrome de Peter Pan, do Popeye e do Asterix. Ao nos tornarmos homens abandonamos comportamentos e atitudes infantis.
- É percebido e evidenciado em atitudes, comportamentos, papel, posições e posturas diante das surpresas da vida cotidiana e relacional.
- É reflexo do grau de conteúdos assimilados: do ambiente correto, de cuidadores de caráter piedoso, de aceitação incondicional, de cuidado e afeição, de estabilidade e padrão comportamental (referências, padrões comportamentais, limites e disciplina), de amor suave, severo e exigente, de alimento sólido, concreto, perene, firme, constante e abundante.
Onde encontra-se o ponto de virada na sua vida? Onde você começou a adotar uma responsabilidade e fé mais robustas, com compreensão mais profunda dos princípios do amor e da maturidade cristã. O relacionamento vivencial cristão envolve crescimento, desenvolvimento e amadurecimento, onde podemos e devemos deixar de lado as imperícias, imprudências e imaturidades que não são compatíveis com a vida de um adulto. Precisamos buscar essa maturidade, não apenas em fé, mas também em nossas ações e pensamentos, à medida que caminhamos a jornada que nos é proposta.
A MATURIDADE REQUER – I Cr 15:58, Lc 9:57-62
- Desapego: Abandonar o que dificulta, empaca ou atrasa a maturidade. Renúncia de desejos e direitos.
- Desprendimento: Renunciar a zona de conforto egoísta e o imobilismo da teimosia e da Síndrome de Gabriela (eu nasci assim, cresci assim e sou assim).
- Determinação: Olhar para a frente e não olhar para trás. Somos de ontem. Mas, se o nosso início foi um fracasso, o nosso fim pode ser muito melhor. – Jo 8:7-9
- Firmeza e constância.
- Abundância e certeza de recompensa.
Verdades Relacionais evidenciadas com a maturidade:
- Não lutamos contra carne e sangue. O ser humano muda ou estaciona numa “zona de conforto”.
- O tempo é uma moeda de valor em todas as etnias e culturas. Respostas às interrogações da vida vêm com o tempo. – Jo 13:7
- A perfeição e a excelência são ilusões.
- Limites e castrações são necessários para o crescimento e a maturidade.
- Nem tudo que reluz é ouro, portanto, nem toda opinião importa. Precisamos da peneira do discernimento e da serenidade para lidar com elas.
- Ter e conquistar a paz é de mais valia do que a lógica racional.
- Compre a verdade e jamais a venda, mesmo que haja uma oferta irrecusável para ela.
- Desconstruções, reconstruções e recomeços fazem parte da vida.
- A felicidade está na simplificação da vida. Portanto, contemple o belo nas pequenas coisas.
- Nem tudo depende da sua bondade e perfeição. Enquanto humano, você está sujeito a falhas e decepções.
Uma sugestão de aplicação prática de 1 Coríntios 13:11 dividida em três pilares do comportamento e das relações:
- Comunicação (“Falava como menino”)
- O comportamento infantil: Reagir com impulsividade, gritar, usar ironia ou fazer silêncio punitivo quando contrariado.
- A prática madura: Expressar sentimentos (protagonismo, singularidade e assertividades) com clareza e respeito. Substituir a acusação (“Você sempre faz isso”) pela vulnerabilidade (“Eu me sinto assim quando isso acontece”).
- Gestão Emocional (“Sentia como menino”)
- O comportamento infantil: Depender da validação constante do outro para se sentir bem. Guardar rancor e esperar que o parceiro ou amigo adivinhe suas necessidades.
- A prática madura: Assumir a responsabilidade pelas próprias emoções e não às projetar no outro. Praticar o perdão ativo e entender que o outro não é perfeito.
- Mentalidade e Foco (“Pensava como menino”)
- O comportamento infantil: Relações baseadas no egoísmo (“O que eu ganho com isso?” Isso me ofendeu e magoou!). Ver o relacionamento como uma disputa onde alguém precisa vencer ou um embate de melhores argumentos.
- A prática madura: Pensar no bem comum e cooperar. Vivenciar e praticar a interdependência. Entender que ceder em coisas secundárias não é perder, mas investir na saúde da relação.
Como aplicar hoje: O exercício do “Desapego”
Escolha uma atitude infantil que você ainda repete em seus relacionamentos (exemplo: emburrar, silenciar, explodir, cobrar demais, chorar no momento que devia conversar). Cuidado, existem três inimigos do diálogo (Choro, grito e silêncio). Decide conscientemente “deixar essa coisa de menino para trás” na próxima vez que um conflito surgir, substituindo-a por uma resposta fundamentada nos frutos do Espírito (amor, gozo e paz – intrapessoal. Bondade, benignidade, longanimidade e fidelidade – interpessoal. Domínio próprio e temperança – Transpessoal).
A MATURIDADE É:
- Turbinar a mente: Renove (restaurar, e retornar ao projeto original) seus pensamentos e alinhe suas expectativas com o céu, a graça, o coração e o relógio de Deus.
- Abrir a forja do coração: Deixe o Espírito Santo reacender o fogo que o tempo ou as lutas tentaram apagar para que continue com motivação e intencionalidade o processo de maturação.
- Entrar em operação: Menos discurso, menos estabelecimento da moral, menos raciocínio e lógica, mais ação e transcendência (superação – indo além de si mesmo – Lc 9:23). O reino de Deus é movimento, graça, amor e perdão!







