O Irã declarou que o Estreito de Ormuz representa uma “linha vermelha” intransponível, alertando que, se o presidente dos EUA, Donald Trump, concretizar sua ameaça de ataque à infraestrutura iraniana, o país responderá atingindo toda a infraestrutura na região do Golfo.
Os Estados Unidos realizaram uma quinta noite de ataques e restabeleceram um bloqueio naval aos portos iranianos, que, segundo Washington, visa reabrir o Estreito de Ormuz, fechado pelo Irã recentemente após o colapso de uma trégua frágil.
Após os primeiros ataques, o principal negociador iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, emitiu um comunicado declarando: “Estamos em uma guerra fundamental e existencial contra os Estados Unidos”.
O porta-voz do Exército iraniano, general Mohammad Akraminia, afirmou que o Estreito de Ormuz, que antes do conflito movimentava aproximadamente um quinto do transporte global de petróleo e gás, constitui uma “linha vermelha” para o Irã, sobre o qual o país exerce controle rigoroso.
“Os norte-americanos acreditaram que, ao bombardear algumas de nossas bases na costa sul, conseguiriam dominar esse estreito estratégico”, declarou Akraminia.
“No entanto, a República Islâmica do Irã tem a capacidade de exercer controle sobre o Estreito de Ormuz a partir de qualquer ponto de seu território, e essa questão nunca depende de costas e ilhas.”
Três autoridades dos EUA informaram à Reuters que os ataques americanos, que buscam pressionar pela reabertura do estreito, também miram as capacidades militares iranianas que Washington deseja eliminar antes de realizar operações mais complexas.
O Exército iraniano já havia declarado anteriormente sobre o estreito: “Resistiremos até o fim e anularemos as intervenções americanas na região”.
O porta-voz militar iraniano disse que a única forma de reabrir o Estreito de Ormuz é os EUA cumprirem o memorando de 14 pontos assinado em junho entre as duas partes, além de implementar as “normas iranianas” para o tráfego marítimo no estreito.
Irã alerta Trump contra ataques à sua infraestrutura
Trump ameaçou recentemente atacar usinas de energia e pontes iranianas na próxima semana, a menos que Teerã retome as negociações.
Akraminia declarou que, se Trump concretizar a ameaça, as Forças Armadas iranianas atacarão “toda a infraestrutura restante” na região, e a resposta será mais severa, de maior alcance e mais destrutiva que os ataques anteriores.
O Irã afirmou que mirou bases norte-americanas no Kuwait e na Jordânia, alertando seus vizinhos de que autorizar os EUA a lançar ataques contra o país não ficará impune.
“Nossos vizinhos precisam saber que oferecer uma base aos norte-americanos e permitir que eles disparem contra solo iraniano é inaceitável e terá consequências”, afirmou o Exército iraniano em comunicado.
A escalada mais recente e as ameaças iranianas de interromper ainda mais as exportações regionais de energia e, possivelmente, atacar infraestruturas na região evocam o risco de um retorno à guerra em larga escala.
Analistas indicam que o Irã sinalizou que pode utilizar seus aliados houthis no Iêmen para bloquear o estreito de Bab el-Mandeb, que dá acesso ao Mar Vermelho, abrindo uma nova frente contra Washington e ameaçando outra das artérias energéticas mais vitais do mundo.
O conflito já causou milhares de mortes e deslocou milhões, especialmente no Irã e no Líbano, onde a luta recomeçou entre Israel e o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã.
Por Agência Brasil







