Desde máscaras faciais até a seleção adequada do sérum, a rotina de cuidados com a pele atrai fortemente a Geração Z. Ao adotarem protocolos de skincare cada vez mais enriquecidos com ativos, os jovens promovem o bem-estar por meio de tratamentos simples focados em hidratação, nutrição e fortalecimento da barreira cutânea.
Contudo, os protocolos em alta entre os jovens, como K-beauty e J-beauty, demandam uma lista ainda mais extensa de produtos, entre demaquilantes, esfoliantes, tônicos, cremes, protetor solar, cleansers e até essências. O que começou como um paliativo para a barreira cutânea agora se transformou em um ritual com carrinhos de compra sempre abarrotados.
De acordo com a Intel Market Research, o mercado mundial de produtos de beleza voltado para a Geração Z deve atingir US$ 208 bilhões ainda neste ano. A evolução do setor também se destaca para a próxima década, já que a consultoria estima que os gastos possam triplicar até 2034, ultrapassando US$ 592 bilhões.
Segundo o Dr. Octávio Guarçoni, autoridade em medicina estética no Brasil, as rotinas de skincare sofreram alterações profundas na última década. “Com uma parcela dos jovens da GenZ se aproximando dos 30 anos, o amadurecimento dos cuidados com corpo, cabelo e pele se torna indispensável na rotina. A obsessão pela ‘pele perfeita’ surgiu no imaginário das crianças dos anos 2000, a chamada Geração Z, que cresceu vendo anúncios que prometiam peles sem acne, espinhas ou manchas. Isso ajuda a entender por que tantos jovens utilizam o skincare como motor de transformações pessoais e da própria indústria”, afirma o especialista.
Não por acaso, o mais recente estudo da McKinsey & Company, intitulado “From aisle to algorithm”, coloca o mercado de cuidados com a pele na dianteira de outros segmentos como hair care, fragrâncias e maquiagem. Na América Latina e no Brasil, essa tendência se fortalece com nécessaires abarrotadas de balms, óleos, brumas e mists hidratantes, que estão entre os produtos e ativos em evidência na indústria da beleza.
Diante do crescimento anual de 5% do mercado global de beleza até 2030, o médico ressalta que a demanda atual se concentra em resultados visíveis e imediatos, tornando os tratamentos estéticos uma alternativa considerada pelo público jovem.
O Dr. Octávio complementa que os jovens chegam ao consultório com rotinas de skincare consolidadas e cada vez mais buscam procedimentos que complementem esses cuidados. “Limpeza de pele, peelings, lasers para acne e manchas, bioestimuladores de colágeno e tecnologias para melhorar a textura da pele estão entre os mais procurados. A prioridade é manter a pele saudável e prevenir o envelhecimento, sempre com resultados naturais. A tendência é que surjam cada vez mais estratégias de cuidado, mas é preciso cuidado com as armadilhas de adotar múltiplas rotinas”, finaliza.
Ainda durante as celebrações do Dia Internacional do Autocuidado, em 24 de julho, Guarçoni ressalta que o “cuidado individualizado” abrange outras dimensões, como uma boa higiene do sono, alimentação equilibrada e prática de exercícios físicos, além da rotina de skincare e procedimentos estéticos. No entanto, o médico adverte contra a adoção de “protocolos” que, apesar de populares, não se alinhem aos traços e particularidades de cada paciente.
“Procedimentos como skinbooster, bioestimulador de colágeno, lasers e protocolos como K-beauty e J-beauty, voltados para melhorar a qualidade da pele, estão entre os mais comentados nas redes sociais. No entanto, o que está em alta nem sempre é o mais indicado para todos. A estética deve respeitar a individualidade de cada paciente, seus traços e características. Muitas vezes, a melhor conduta é sugerir outro caminho para assegurar resultados naturais, seguros e harmônicos”, conclui Guarçoni.







