A cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte, realizada em Ancara, na Turquia, reuniu líderes da aliança militar ocidental em um momento de tensões crescentes tanto externas quanto internas. Um dos episódios mais comentados do encontro foi a ausência da Geórgia da agenda oficial da cúpula, decisão que gerou acusações de isolamento internacional contra o país, historicamente considerado um parceiro estratégico da aliança na região do Cáucaso.
O encontro também expôs divergências públicas entre membros da OTAN e o governo dos Estados Unidos. Durante a cúpula, o presidente americano Donald Trump voltou a defender que a Groenlândia, território autônomo dinamarquês, deveria ficar sob controle de Washington, insinuando novamente a possibilidade de retirar tropas americanas da Europa caso aliados não atendessem a suas demandas. A fala gerou resposta imediata da primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, que reafirmou publicamente que o território “não está à venda” e cobrou respeito à soberania e à autodeterminação do povo groenlandês.
Apesar dos atritos, líderes europeus presentes na cúpula reforçaram publicamente a necessidade de uma OTAN mais forte, com prioridade para o rearmamento do continente, o fortalecimento da base industrial de defesa e a manutenção do apoio à Ucrânia diante da guerra em curso com a Rússia. O episódio da Groenlândia, no entanto, reacendeu debates sobre a confiabilidade do compromisso americano com o artigo 5º do tratado da aliança, cláusula que prevê defesa mútua entre os países membros em caso de ataque a qualquer um deles.







