Uma modalidade de viagem está ganhando popularidade em todo o mundo: o turismo médico. Na prática, indivíduos se deslocam para outros países em busca de tratamentos com custos mais baixos. Uma das regiões que vem se destacando no acolhimento desse público é a Ásia, especialmente a Coreia do Sul. No ano passado, o país recebeu mais de 2 milhões de pacientes estrangeiros.
Ao analisar o período entre 2024 e 2025, o número de americanos que viajaram ao país para tratamento cresceu 70%, totalizando 173 mil pacientes. Os Estados Unidos, inclusive, são um dos países com maior saída de pessoas para realizar procedimentos médicos, devido aos custos elevados. Em 2024, os gastos nacionais com saúde atingiram um recorde de US$ 5,3 trilhões, mais que o dobro do valor de 2010.
Os dados recentes são impressionantes. Os valores movimentados pelo turismo médico no mundo têm crescido entre 15% e 25% ao ano. Em 2022, estimava-se que esse mercado valia US$ 7 bilhões apenas na América Latina. A previsão, segundo dados da empresa alemã Statista, é que esse valor ultrapasse US$ 17 bilhões até 2027.
Nesse contexto de crescimento, surgem novas empresas especializadas em reduzir custos. Por exemplo, uma agência conectou um paciente americano a uma clínica chinesa, reduzindo o custo do procedimento de US$ 10 mil para US$ 2 mil. A expectativa é que o setor cresça a uma taxa anual de 15% a 25%.
Brasil
O Brasil figura entre os principais destinos globais nesse segmento, especialmente no eixo São Paulo-Rio de Janeiro, que atrai pacientes do mundo todo devido à alta qualificação dos profissionais e hospitais com certificações internacionais de excelência.
As principais motivações e especialidades que impulsionam esse mercado incluem:
- Cirurgia Plástica e Estética: o Brasil é referência mundial, atraindo estrangeiros para procedimentos como abdominoplastia e lipoaspiração.
- Alta Complexidade: buscas por tratamentos oncológicos, cirurgias robóticas (como de próstata e endometriose) e redesignação de gênero.
- Medicina Preventiva: realização de check-ups completos em clínicas de ponta.
O turismo médico não apenas atrai pacientes, mas também movimenta setores como hotelaria, transporte e comércio local. O cuidado e o senso de oportunidade levaram algumas instituições médicas a criar serviços específicos para esse público. Na esteira dessa tendência, surgiram serviços especializados em cuidar do paciente que vem a São Paulo para se tratar, oferecendo soluções de “home” e “hotel care”, transporte, nutrição, acompanhante, agendamento de exames ambulatoriais ou hospitalares, reservas em restaurantes e até tradutor para estrangeiros que não falam português.
Contudo, nem tudo está resolvido. Os pacientes ainda enfrentam problemas como a falta de a quem recorrer em caso de complicações após o retorno, barreiras linguísticas e a qualidade dos procedimentos.







