A Noruega responde por mais de 60% de todo o krill capturado na Antártica. Esse pequeno crustáceo, semelhante a um minúsculo camarão, constitui a base da dieta das baleias que migram do continente gelado para o Brasil durante a temporada de acasalamento desses cetáceos, entre junho e novembro.
Uma pesquisa conduzida pela campanha Our Antarctica revela que 53% dos noruegueses nunca ouviram falar do krill ou apenas conhecem o nome. Além disso, cerca de 81% dos cidadãos do país nórdico reconhecem não ter familiaridade com a pesca comercial praticada na região antártica.
Desde 2020, a pesca industrial do krill cresceu aproximadamente 140%, impulsionada pela demanda global por rações para aquicultura, alimentos para animais de estimação e suplementos de ômega-3.
Segundo os autores da pesquisa, quando confrontados com os fatos sobre a importância do krill e o papel da Noruega, o sentimento dos cidadãos muda drasticamente: 53% declaram-se preocupados com o envolvimento do país nessa exploração.
Reunião entre países
O debate anual entre os países signatários do Tratado Antártico ocorre em outubro de 2026, na reunião que trata da Convenção para Conservação dos Recursos Vivos Marinhos Antárticos (CCAMLR). A expectativa é que as ações da pesca predatória do krill sejam debatidas e que novas medidas, como a ampliação das áreas que proíbem exploração comercial, sejam adotadas.
A Noruega é reconhecida pela liderança ambiental, mas, segundo especialistas, a pesca do krill é um problema a ser enfrentado.
Na última reunião do CCAMLR, em outubro de 2025, a CNN Brasil conversou, sob sigilo, com uma fonte do governo brasileiro, que confirmou a preocupação nacional com a pesca predatória irregular e disse que o país pretende acompanhar as demarcações respaldadas pela ciência. A fonte revelou: “O Brasil apoia a criação da Área Marinha Protegida e se preocupa com a concentração espacial da captura do krill, mas não se opõe ao aumento do limite da captura do animal, desde que a sustentabilidade dessa atividade esteja cientificamente respaldada e desde que haja mecanismos consistentes de monitoramento e proteção ambiental instituídos.”
O grupo enviou uma carta ao presidente Lula (PT) durante a Assembleia da ONU. Revelada em primeira mão pela CNN Brasil, a carta pede ação direta do líder brasileiro na contenção da pesca marítima predatória na região Antártica.
Krill
A pesca predatória desse animal, que mede cerca de um centímetro e é a base da alimentação das baleias, pode impactar diretamente o turismo brasileiro. As baleias nadam da Antártica até a costa brasileira para se abrigar em águas mais quentes e se reproduzir.
Com a falta do alimento, os cetáceos não conseguem percorrer os quase 4 mil quilômetros até o litoral do Brasil. O setor de turismo de observação de baleias no Brasil pode gerar até R$ 140 milhões por ano.
Campanha de Hollywood
A campanha Our Antarctica foi lançada em um evento da ONU em junho de 2025, reunindo um grupo de líderes oceânicos, cientistas e figuras públicas. A articulação internacional inclui nomes como o ator Benedict Cumberbatch e a renomada oceanógrafa Sylvia Earle.
O relatório elaborado pela campanha foi endossado por mais de 70 líderes oceânicos, segundo a organização. O estudo alerta para os impactos devastadores da pesca industrial de krill, que ameaça a sobrevivência da vida selvagem antártica, incluindo as baleias que migram para as águas da América Latina, das Ilhas do Pacífico e de países africanos.







