O Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões vive em 2026 seu momento mais sensível, com a regulamentação que vai definir setores regulados e regras de monitoramento previstas para ser concluída ainda este ano. Criado por lei em 2024, o sistema teve ao longo de 2025 a publicação de seu plano de implementação, a criação de uma secretaria extraordinária dedicada ao mercado de carbono e a definição de um comitê técnico consultivo permanente.
Neste ano, a expectativa é avançar na criação do Registro Central do sistema, ambiente onde os créditos de carbono serão efetivamente registrados, além do desenvolvimento das normas regulatórias e das regras de monitoramento, reporte e verificação. A operação plena do mercado, no entanto, só deve ocorrer entre 2026 e 2030, o que mantém o tema em um longo processo de transição.
Para as empresas, o carbono deixa de ser apenas discurso e passa a impactar diretamente balanços financeiros e decisões de investimento. Um fator considerado favorável à consolidação do sistema brasileiro é a articulação liderada pelo Ministério da Fazenda, ao lado de outros países, para padronizar o mercado internacional de créditos de carbono, o que pode facilitar a integração do Brasil a outros mercados globais.
O ano também deve ser marcado pela judicialização de pontos centrais da nova legislação ambiental no Supremo Tribunal Federal, especialmente os trechos ligados ao licenciamento. Ao mesmo tempo, a discussão sobre a antiga moratória da soja, que impedia a comercialização de grãos produzidos em áreas desmatadas após 2008, segue impactando negociações entre produtores, estados e compradores internacionais preocupados com critérios de rastreabilidade ambiental.






