Governador de SC se irrita e ofende manifestante em discussão com indígenas

Durante uma visita à Barragem de José Boiteux, localizada no Alto Vale do Itajaí, o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), teria sido alvo de hostilidades por parte de indígenas e reagiu com ofensas.

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Em nota oficial, o governo estadual afirmou compreender que as intervenções são fundamentais e que manterá o cronograma da reforma da barragem e das moradias. A obra é alvo de um impasse com a comunidade indígena.

Segundo o governo, durante a vistoria manifestantes teriam mencionado o presidente Lula, adversário político do governador, e proferido xingamentos com discursos ideológicos. Ainda conforme a administração estadual, alguns teriam feito reivindicações ligadas à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que não são de competência do estado.

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Na coletiva de imprensa após a vistoria, uma mulher teria iniciado gritos e ofensas contra o governador, que respondeu:

— Vai pra p** * ***.

A mulher declara:

— Nós é que sofremos aqui.

O governador responde:

— A senhora não quer ir a merda?

Em seguida, uma manifestante se aproximou do governador e se apresentou como cacique. Ela afirmou que “a barragem está em terra indígena” e recebeu como resposta “e eu com isso?”

“A gestão atual ressalta que foi a primeira, após três décadas, a assumir de fato a manutenção da barragem e a progredir no cumprimento de um acordo firmado há aproximadamente 20 anos entre Governo Federal, Governo Estadual e comunidades indígenas. Pelo acordo judicial, estavam previstas 20 casas. Entretanto, a administração estadual optou por ampliar essas melhorias previstas”, declarou o governo estadual em comunicado divulgado após o incidente.

Importância da Barragem de José Boiteux

A barragem de José Boiteux é a maior estrutura de contenção de enchentes do Vale do Itajaí, com capacidade para armazenar 357 bilhões de litros de água. Esse volume seria suficiente para abastecer Blumenau, por exemplo, por 15 anos, considerando o consumo médio da cidade em 2025.

Diante da ameaça de um El Niño intenso entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, os moradores do Vale do Itajaí estão preocupados com a urgência da reforma, uma vez que na última ocorrência do fenômeno, em 2023, a barragem de José Boiteux atingiu pela primeira vez sua capacidade máxima e verteu alguns centímetros.

Impasse e polêmicas desde a origem

Alvo de controvérsias desde sua concepção, na época o governo federal foi encarregado da construção dentro de uma terra indígena legalmente demarcada. Contudo, coube ao estado a responsabilidade pela operação da barragem durante períodos de chuva. O impasse reside no fato de que não foi definido quem arcaria com as perdas sofridas pelos moradores das aldeias, transformando a questão em um ponto de discórdia entre as partes.

Um acordo judicial firmado na Justiça Federal determinou as medidas compensatórias para a comunidade local. A lista inclui casas, igrejas, casas paroquiais, escola, ponte e estradas, e as obras tiveram início em setembro do ano passado.

Nota do governo estadual

O governador Jorginho Mello acompanhou de perto a reforma da Barragem de José Boiteux, uma obra aguardada há mais de 20 anos e considerada estratégica para a segurança de milhares de moradores do Vale do Itajaí.

Durante a visita, um grupo de indígenas se aproximou do local em protesto, portando cartazes e apresentando reivindicações diversas, incluindo pautas de responsabilidade federal e temas não diretamente ligados ao Governo do Estado.

A gestão atual ressalta que foi a primeira, após três décadas, a assumir de fato a manutenção da barragem e a avançar no cumprimento de um acordo firmado há aproximadamente 20 anos entre Governo Federal, Governo Estadual e comunidades indígenas. Pelo acordo judicial, estavam previstas 20 casas. No entanto, a administração estadual decidiu ampliar essas melhorias previstas.

Fazem parte das obras acordadas a construção de 91 casas, duas igrejas e duas casas pastorais (R$ 14,6 milhões); implantação e macadamização da estrada que liga a Aldeia Bugio ao município de José Boiteux, com extensão de 7,5 quilômetros e construção de uma ponte (R$ 7 milhões); construção da escola da comunidade indígena (R$ 6,5 milhões); construção de museu, campo de futebol e sanitários (R$ 5,5 milhões); projeto da escola e do museu (R$ 217 mil). Ao todo, o Estado está aplicando cerca de R$ 34 milhões em melhorias estruturais na Terra Indígena Ibirama-La Klãnõ, onde está localizada a Barragem Norte, de José Boiteux, cumprindo uma determinação judicial da década de 1990 que deveria ter sido executada pelo Governo Federal, por meio da Funai, mas foi negligenciada desde então.

Mesmo diante das manifestações, o Governo afirma que manterá o cronograma da reforma da barragem e das casas, por entender que as obras são essenciais para proteger vidas e reduzir os riscos de enchentes no Vale do Itajaí.

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Redação
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