Um estudo inédito conduzido pela Embratur junto a empresas filiadas à International LGBTQ+ Travel Association (IGLTA) revelou oportunidades para fortalecer a participação do Brasil no turismo LGBTQIA+ internacional. A pesquisa consultou 34 participantes e examinou a conexão comercial dessas companhias com o país, o interesse pelos destinos nacionais, as vivências com potencial de venda e os principais gargalos para expandir a comercialização.
Os achados indicam que o Brasil já tem inserção no segmento, porém ainda existe margem para ampliar o conhecimento sobre os destinos e converter o interesse em novas vendas.
Entre as companhias que já vendem destinos brasileiros, o Rio de Janeiro lidera as comercializações, mencionado por 95,65% dos respondentes. Logo depois vêm São Paulo, com 73,91%, e Foz do Iguaçu, com 47,83%.
Manaus foi citada por 39,13% dos participantes. Recife e Salvador aparecem com 34,78% cada, ao passo que Fernando de Noronha foi lembrada por 30,43%. Florianópolis, Fortaleza e Gramado registraram 26,09% das menções cada uma.
Brasil na prateleira
O estudo igualmente revela que o Brasil responde por uma fatia reduzida do volume de vendas para a maior parte das empresas ouvidas. Para 69,57% dos respondentes, os destinos nacionais correspondem a no máximo 20% das vendas. Outros 17,39% declararam que o país representa entre 21% e 40% dos negócios.
O interesse por informações sobre o Brasil também se destaca no estudo. Entre os entrevistados, 39,13% afirmaram pesquisar o destino com frequência e 17,39%, com muita frequência.
Metade dos participantes atua como agente ou consultor autônomo. O canal digital é o principal meio de vendas para 91,18% das empresas, ao mesmo tempo em que a mesma proporção opera diretamente com o consumidor final, no modelo B2C. Os Estados Unidos figuram como principal país de origem das empresas consultadas.
O que o viajante procura
Com foco no turismo LGBTQIA+, 72,73% das empresas participantes declararam a intenção de apresentar o Brasil como destino para esse público.
Dentre as experiências que mais geram interesse, o Carnaval LGBTQIA+ foi mencionado por 78,26% dos entrevistados. Na sequência vêm bares, festas e vida noturna, com 65,22%, e praias e localidades de descanso, com 60,87%.
O levantamento também sinaliza apetite por produtos que extrapolam os segmentos tradicionalmente ligados ao público LGBTQIA+. Roteiros histórico-culturais foram apontados por 81,82% das empresas como experiências capazes de motivá-las a incluir o Brasil em seus portfólios.
Roteiros de luxo surgem com 63,64% das menções. Ecoturismo e aventura, assim como experiências gastronômicas, foram citados por 54,55% dos participantes cada.
A percepção sobre a receptividade do Brasil também foi avaliada. Para 44,12% dos ouvidos, o país é um destino acolhedor para turistas LGBTQIA+. Outros 20,59% o consideram muito acolhedor.
Do interesse à comercialização
O estudo também buscou identificar os fatores que travam a comercialização dos destinos nacionais. O conhecimento limitado sobre as localidades foi citado por 50% dos participantes como um dos principais obstáculos. Questões políticas ou sociais aparecem em seguida, mencionadas por 41,18%.
Entre as ações tidas como relevantes para aproximar o produto brasileiro do mercado global, famtours e press trips foram indicadas por 76,47% dos entrevistados. O mapeamento de serviços especializados no atendimento ao público LGBTQIA+ surge com 55,88%, ao passo que a ampliação da oferta de informações sobre os destinos foi mencionada por 52,94%.
Conforme a Embratur, os resultados servirão de base para iniciativas de promoção, capacitação e relacionamento com o mercado internacional voltadas ao segmento. A proposta é que esta primeira edição seja o marco inicial para transformar o estudo em uma ação permanente da parceria entre Embratur e IGLTA.







