Ao longo de setembro, o Santuário de São Miguel Arcanjo, localizado em Bandeirantes (PR), evidencia como as peregrinações fomentam hotelaria, comércio, gastronomia, serviços e novos empreendimentos, tal como ocorre em Aparecida (SP) e no Círio de Nazaré (PA).
No Brasil, o turismo religioso já injeta cerca de R$ 15 bilhões anualmente, impulsionado por aproximadamente 8,1 milhões de deslocamentos internos por ano, conforme levantamentos do Ministério do Turismo. Esse fluxo ultrapassa os espaços sagrados e alcança hotéis, restaurantes, comércio, transportes e prestadores de serviços.
No próximo dia 29 de setembro, quando se celebra São Miguel Arcanjo, Bandeirantes, no Norte Pioneiro do Paraná, volta a ilustrar esse cenário. O município sedia o Santuário São Miguel Arcanjo, reconhecido pelo Governo do Paraná como o terceiro maior do mundo dedicado ao Arcanjo, ficando atrás de Monte Sant’Angelo, na Itália, e Mont-Saint-Michel, na França. O complexo também possui uma cruz de 81 metros, apontada como a maior do Brasil.
Em 29 de setembro de 2023, mais de 20 mil fiéis estiveram no Santuário em um único dia. Conforme dados do Governo do Paraná e de órgãos de turismo, a movimentação cresceu ainda mais em 2024 e 2025, com o complexo recebendo entre 500 mil e 1,5 milhão de visitantes e devotos, um número considerado recorde. O local atrai peregrinos durante todo o ano e integra a Rota do Rosário, roteiro religioso que liga municípios e santuários do Paraná.
Quando a fé gera investimentos
Ao lado do Santuário fica o Morro dos Anjos Águas Quentes Hotel Resort, exemplo de como a expansão do turismo religioso passa a atrair investimentos e a criar postos de trabalho na região.
O empreendimento ocupa cerca de 293 mil m², oferece hospedagem, águas termais, gastronomia e lazer, e já emprega mais de 300 pessoas, entre trabalhadores diretos e indiretos.
O clima regional, com calor e sol durante boa parte do ano, contribui para o aumento das reservas no período da festividade, mantendo uma taxa de ocupação bastante acima da média.
A proposta é ampliar o tempo de permanência de quem visita Bandeirantes: o peregrino que antes poderia ir e voltar no mesmo dia encontra agora estrutura para se hospedar, fazer refeições, explorar outras atrações e consumir no comércio e nos serviços locais. O destino está entre os mais procurados por turistas do Paraná devido à facilidade de deslocamento, mas também atrai muitos devotos das regiões Norte e Nordeste.
Aparecida e Círio revelam a força dessa economia
Esse fenômeno é ainda mais visível em outros roteiros religiosos do país, onde alcança proporções bem maiores.
Em Aparecida (SP), o Santuário Nacional recebeu 10,48 milhões de romeiros em 2025. Esse fluxo mantém uma extensa rede de hotéis, restaurantes, comércio e serviços. Entre os negócios conectados a esse ecossistema está o Hotel Rainha do Brasil, que integra a rede oficial de hospedagem do Santuário Nacional e fica a aproximadamente 700 metros da Basílica.
Em Belém (PA), o Círio de Nazaré atrai milhões de pessoas e movimenta centenas de milhões de reais.
Para a edição de 2025, a expectativa era de cerca de 100 mil turistas e de R$ 200 milhões aportados diretamente na economia por esses visitantes, com impactos positivos em hotelaria, alimentação, comércio, transporte, artesanato e serviços.
A hotelaria é um dos setores que mais sentem essa movimentação. Estabelecimentos situados no circuito do Círio costumam operar perto da ocupação máxima. O Grand Mercure Belém do Pará, por exemplo, fica no caminho percorrido pela procissão.
De Aparecida a Belém, e agora com presença cada vez mais forte em Bandeirantes, a peregrinação evidencia que a fé não mobiliza apenas milhões de brasileiros: ela também aquece a economia das cidades que acolhem esses visitantes.
No Dia de São Miguel Arcanjo, Bandeirantes apresenta mais um exemplo dessa transformação: um destino de fé capaz de reunir milhares de pessoas e de estimular hotelaria, gastronomia, comércio, serviços, geração de emprego e novos investimentos no interior do Paraná.






