Turismo no Espírito Santo cresce 43% e atinge aprovação recorde

Na temporada de verão de 2026, o Espírito Santo registrou um crescimento de 43% no gasto médio diário dos visitantes em relação a 2024, além de uma taxa de aprovação excepcional de 98,6% para a recomendação do destino. Esses dados são do estudo mais recente da Secretaria de Estado do Turismo (Setur), realizado por meio do Observatório do Turismo entre 9 e 25 de janeiro. A pesquisa, que abrangeu 17 municípios capixabas, analisou os padrões de consumo, o perfil demográfico e a satisfação dos turistas, servindo de base para o planejamento do setor no ano.

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Procedência dos turistas e atratividade nacional

O levantamento confirma a força do turismo doméstico no estado, que recebeu viajantes de todas as regiões brasileiras, exceto por três estados do Nordeste: Piauí, Paraíba e Sergipe. Do total de entrevistados, 58,3% eram de outras unidades federativas, enquanto 40,8% representavam capixabas viajando dentro do próprio estado. Os visitantes internacionais corresponderam a 0,9% do fluxo total, uma leve variação em relação aos 1,0% observados em 2024, incluindo pessoas de países como Estados Unidos, Inglaterra, Portugal e Argentina.

Minas Gerais reafirmou sua posição como principal estado de origem dos turistas externos, respondendo por 37,4% desse público, seguido pelo Rio de Janeiro (8,16%) e São Paulo (4,72%). Considerando a origem por cidades, Belo Horizonte foi a que mais enviou visitantes (11,28%).

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Os municípios capixabas que mais atraíram turistas de fora do estado foram Serra (88,1%), Vila Velha (87,9%), Vitória (87,4%) e Guarapari (82,8%). Por outro lado, Linhares (93,3%), Aracruz (76,7%) e Venda Nova do Imigrante (75%) foram as preferências dos viajantes internos. A capital, Vitória, se destacou pela maior variedade de origens, recebendo pessoas de 17 estados diferentes.

Características demográficas e planejamento da viagem

A análise mostra que a maioria dos turistas no Espírito Santo é do sexo feminino (53,9%). A faixa etária mais representativa ficou entre 41 e 50 anos (29,2%), seguida pelo grupo de 31 a 40 anos (22,7%). Quanto à escolaridade, 40,4% possuem ensino superior completo. A renda familiar mais frequente variou entre 2 e 5 salários-mínimos (33,6%), e 61,3% dos entrevistados declararam ser casados. Em relação à ocupação, trabalhadores do setor privado (26,2%), autônomos (22,2%) e servidores públicos (21,4%) formaram a maior parte do público.

O lazer foi o motivo principal para 86,36% dos pesquisados, com os atrativos naturais, como praias, cachoeiras e montanhas, sendo o fator decisivo na escolha do destino (57,24%). Viagens em família foram o formato mais comum (65,7%), e 45,8% dos turistas estavam acompanhados por crianças. A cidade de Anchieta registrou o maior percentual de famílias com crianças, atingindo 73,6%, além de concentrar a maior proporção de visitantes mineiros (67,21%).

O planejamento da viagem revelou um comportamento espontâneo: 40,7% organizaram o passeio apenas na última semana, e uma expressiva maioria de 96,5% não recorreu a agências de turismo. A decisão de viajar baseou-se principalmente no conhecimento prévio do local (49,25%) e em recomendações de amigos e familiares (31,44%).

Impacto econômico e estrutura de transporte e hospedagem

O impacto econômico direto da temporada refletiu o otimismo do setor. O Gasto Médio Diário Individual (GMDI) chegou a R$ 222,59, superando significativamente os R$ 155,70 (valor ajustado pela inflação) do verão de 2024. A métrica financeira do estudo detalha que o Gasto Médio Total por viagem alcançou R$ 3.530,44. As maiores despesas foram com hospedagem (R$ 2.248,19) e alimentação (R$ 1.481,61). A permanência média no destino foi de 9 dias, geralmente em grupos familiares com 3,5 pessoas.

A modalidade de hospedagem mais utilizada foi o aluguel de imóveis, como Airbnb e similares (31,24%), seguida pela estadia em casas de parentes ou amigos (24,56%), pousadas (18,20%) e hotéis convencionais (10,44%).

A logística rodoviária foi predominante para chegada e locomoção. O veículo próprio foi o meio de transporte usado por 61,7% dos turistas para entrar no estado e por 87,5% para se deslocar internamente. Viagens de ônibus de linha (14,5%) e avião (12,5%) complementaram as principais formas de acesso.

Avaliação dos serviços e expectativas atendidas

O Espírito Santo passou por uma rigorosa avaliação e registrou progressos em cinco dos seis critérios analisados em comparação com a temporada anterior. Somando os percentuais das classificações “ótimo” e “bom”, a satisfação se distribuiu da seguinte forma:

  • Gastronomia local: 92,3%
  • Segurança pública: 91,8%
  • Receptividade e hospitalidade: 89,7%
  • Sinalização turística rodoviária: 80,9%
  • Limpeza pública: 79,5%

Outro segmento que apresentou melhora foi o de serviços de táxi e transporte por aplicativo, cuja aprovação subiu de 67,87% em 2024 para 71,9% no verão de 2026. A culinária capixaba foi amplamente consumida: 88,3% dos visitantes frequentaram bares, restaurantes e quiosques durante a estadia. Curiosamente, a contratação de passeios turísticos locais ainda encontra certa resistência; 66,5% afirmaram não ter procurado o serviço por falta de interesse.

No balanço geral da temporada, 90,9% dos turistas declararam que suas expectativas em relação à viagem foram totalmente atendidas ou superadas. Conforme destaca a Setur no documento, os dados coletados “ajudam a orientar as políticas de promoção e desenvolvimento do turismo no estado”.

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