SpaceX lança chips de IA do Google ao espaço para testes

SpaceX envia chips de IA do Google ao espaço para testes

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A SpaceX enviou ao espaço, nesta quinta-feira (1), um protótipo de satélite que leva chips de inteligência artificial (IA) do Google. O equipamento foi colocado em órbita por meio de um foguete Falcon 9, durante a missão Transporter-18, lançada a partir da Base da Força Espacial de Vandenberg, no estado norte-americano da Califórnia.

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O lançamento aconteceu às 15h32, no horário de Brasília. Essa missão integra o programa de transporte compartilhado da SpaceX e levará cerca de 130 cargas ao espaço, entre elas satélites da Planet Labs.

Um dos itens a bordo é um protótipo movido a energia solar, equipado com as Tensor Processing Units (TPUs), chips criados pelo Google para processamento de IA. O lançamento marca o primeiro teste orbital do Project Suncatcher, projeto da Alphabet voltado a construir infraestrutura de computação para IA no espaço.

A ideia central é analisar se, futuramente, os satélites poderão abrigar data centers capazes de executar cargas de trabalho de IA. Em uma publicação sobre o projeto, o Google afirmou que o Suncatcher procura “explorar se o espaço poderia, um dia, hospedar uma infraestrutura escalável de aprendizado de máquina”.

Google testa chips de IA no espaço

  • O Projeto Suncatcher foi apresentado pelo Google em novembro de 2025 como uma iniciativa de longo prazo para desenvolver uma infraestrutura de computação de IA confiável, alimentada por energia solar e capaz de operar de forma contínua no espaço;
  • Em órbita baixa da Terra, os satélites conseguem receber luz solar de forma quase constante. De acordo com a Alphabet, isso possibilitaria gerar até oito vezes mais energia solar do que na superfície do planeta;
  • A companhia também pretende, futuramente, interligar múltiplas constelações de satélites para que elas possam processar cargas de trabalho de IA mais robustas enquanto estiverem em órbita.

Antes do teste espacial, o Google já havia utilizado suas TPUs para executar cargas de trabalho de IA em uma instalação da Universidade da Califórnia em Davis, nos Estados Unidos. No entanto, a empresa ainda não sabe como os chips irão se comportar nas condições adversas da órbita baixa da Terra.

Entre os desafios estão a radiação espacial, as temperaturas extremas e a necessidade de dissipar o calor produzido pelos componentes.

O teste também permitirá verificar se os equipamentos são capazes de operar de maneira confiável fora da Terra, requisito necessário para a eventual criação de centros de processamento orbitais.

SpaceX também quer data centers em órbita

Vale lembrar que a própria SpaceX já anunciou planos de construir e lançar seus próprios data centers orbitais. A proposta inclui conjuntos de satélites desenvolvidos pela companhia em Redmond, no estado de Washington (EUA), equipados com unidades de processamento gráfico (GPUs) e painéis solares que seriam fabricados em parceria com a Tesla.

A empresa tem apresentado os supercomputadores no espaço como uma possível próxima fronteira da infraestrutura de IA. O objetivo é aproveitar a disponibilidade de espaço em órbita para reduzir algumas das limitações enfrentadas pelos data centers instalados no solo.

Elon Musk, CEO da SpaceX, declarou anteriormente que os data centers no espaço seriam a forma mais barata de treinar sistemas de IA e estimou que isso poderia se tornar realidade dentro de dois ou três anos. Em setembro, a diretora de operações da SpaceX, Gwynne Shotwell, afirmou que a empresa pretende colocar a “supercomputação no espaço” em operação em 2027.

Apesar das expectativas, especialistas do setor avaliam os data centers espaciais como um projeto de longo prazo e ainda incerto. Entre os obstáculos estão o alto custo e a capacidade limitada dos lançamentos de foguetes, além da necessidade de sistemas de resfriamento, componentes resistentes à radiação e proteção contra temperaturas extremas.

Outro fator que pode dificultar a implantação de grandes infraestruturas desse tipo é a presença de detritos e o congestionamento na órbita.

Logo Google

Parceria entre Google e SpaceX

Alphabet e SpaceX mantêm, ainda, uma relação empresarial. A controladora do Google é uma investidora relevante da empresa espacial, com participação atualmente avaliada em mais de US$ 82 bilhões (cerca de R$ 434,6 bilhões). As companhias são parceiras em diferentes frentes, embora suas divisões de IA também concorram entre si.

O lançamento da Transporter-18 acontece em um dia particularmente movimentado para a SpaceX. A empresa também realiza nesta quinta-feira uma missão tripulada para levar astronautas à Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês), a partir da Costa Espacial da Flórida (EUA), dando início a uma permanência de seis meses em órbita.

130 cargas no mesmo lançamento

Além do satélite do Google, a Transporter-18 levou outras cargas ao espaço. O conjunto inclui CubeSats, microssatélites, cargas hospedadas, duas espaçonaves com veículos de reentrada e quatro veículos de transferência orbital que transportarão 41 das cargas para serem liberadas posteriormente.

A missão também colocou em órbita o Reason-1, satélite da Cowboy Space destinado a demonstrar a transmissão de energia por laser. A proposta é transferir energia da órbita baixa da Terra para um receptor instalado no solo.

Outro destaque é o primeiro satélite de serviço Otter, da Starfish Space. A espaçonave foi desenvolvida para atuar na manutenção de satélites em órbita.

Apesar da grande quantidade de cargas, a Transporter-18 não bateu o recorde de maior número de equipamentos enviados de uma só vez pela SpaceX. Essa marca pertence à missão Transporter-1, realizada em janeiro de 2021, que colocou 143 cargas em órbita.

Foguete será reutilizado

O primeiro estágio do Falcon 9 retornou à região de Vandenberg para pousar cerca de 7 minutos e 30 segundos após a decolagem. Esse foi o 25º voo desse propulsor.

Enquanto isso, o segundo estágio continuou levando a missão à órbita baixa da Terra. A implantação das cargas ocorreu ao longo de aproximadamente 11 minutos, tendo começado 54 minutos e 30 segundos depois do lançamento.

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