The Witcher 3: Songs of the Past, em ação, parece outro Blood & Wine

Geralt dá voltas ao redor do Swarmion com cautela, avançando em passos lentos e sobrepostos enquanto estuda o oponente. A criatura poderia ser facilmente tomada por um morto-vivo ou por um mutante humanoide genérico de fantasia, não fosse a nuvem de vespas que fervilha ao redor do tronco — uma espécie de armadura bizarra sob qualquer ângulo. Mas o Bruxo segue tão engenhoso quanto sempre. Ele troca a espada de prata por uma corrente, girando a ponta dotada de gancho enquanto decide o alvo. As pernas da criatura ou a cabeça? A escolha é óbvia. O gancho se crava no pescoço carnudo e a corrente se estica, arrancando a criatura do enxame e lançando-a direto na trajetória da lâmina. O sangue jorra do pescoço e a cabeça tomba com um baque surdo.

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A corrente de prata é um item essencial no arsenal de Geralt de Rívia. Quem acompanha a franquia desde o início certamente a recorda da primeira cena cinematográfica de The Witcher, lá em 2007. Os fãs de longa data a reconhecem do conto presente na coletânea O Último Desejo, obra que inspirou essa cena. O ponto é que ela integra o equipamento primordial de bruxo de Geralt — por isso, é mais do que justo que finalmente seja possível utilizá-la naquela que pode muito bem ser a derradeira aventura do personagem.

Songs of the Past é a surpreendente terceira expansão de The Witcher 3, com estreia prevista para o próximo ano — 12 anos após o lançamento do jogo original e um ano antes do quarto título da série (atualmente em desenvolvimento), que transferirá o protagonismo para Ciri. O confronto de Geralt contra o monstro usando a corrente foi apenas um pequeno trecho de uma demonstração de uma hora apresentada na gamescom 2026; na ocasião, um membro da equipe de desenvolvimento da CD Projekt Red jogou a missão “A Bed of Thorns” (“Um Leito de Espinhos”), um capítulo inicial que estabelece a narrativa da expansão.

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A história de Songs of the Past

Geralt desperta em Letten, terra natal de seu habitual companheiro de aventuras, Dandelion. Embora grande parte da trajetória de Geralt seja amplamente documentada nos livros e nos jogos, a história de Dandelion é mais enigmática — um mistério que Songs of the Past parece disposta a desvendar. O começo da missão exibe Geralt a caminho de uma imponente propriedade no topo de uma colina, o lar onde Dandelion cresceu não como bardo, mas como Julian Alfred Pankratz, Visconde de Lettenhove. Não é difícil compreender por que ele abandonou essa vida de nobreza; Geralt suporta um jantar extremamente tenso com a avó de Dandelion, uma mulher de temperamento tão rígido que faria qualquer pessoa mimada querer fugir de casa. Também está lá Lilla, prima de Dandelion — uma mulher bem mais agradável e a nova companheira de Geralt (além de, claro, um possível interesse amoroso, embora essa partida específica tenha deixado de lado qualquer opção de diálogo de flerte).

Ainda é cedo para um julgamento definitivo sobre o texto de Songs of the Past, mas é compreensível que existam ressalvas: em vez de contar apenas com a CD Projekt Red no comando, a expansão é obra da Fool’s Theory, um estúdio distinto (embora formado por muitos veteranos da CDPR). Felizmente, o que foi mostrado até aqui sugere que o padrão de qualidade segue preservado. Em uma única cena, foi possível compreender quem são essas duas mulheres e de que forma seus valores se complementam ou se chocam com o código de conduta tão bem estabelecido de Geralt.

A ausência à mesa é, certamente, a razão da visita de Geralt; o fiel bardo não está em lugar algum. Assim tem início a jornada de Geralt e Lilla para localizar Dandelion e trazê-lo de volta ao lar. Mas por onde começar? Ora, pelos sonhos: durante a noite, Geralt teve visões de sangue, espinhos, violetas e um poço — uma imagem que Lilla identifica como o Jardim dos Espinhos. Os dois se reencontram mais tarde naquele dia para seguir atrás do que deveria ser apenas uma história ruim, mas que em pouco tempo se converte em uma realidade aterrorizante.

Letten é um lugar deslumbrante, alheio às dificuldades do Continente. Nesse sentido, lembra um pouco Toussaint — o cenário idílico de Blood and Wine — e as comparações não terminam aí: a CD Projekt Red afirma que se pode esperar um tamanho comparável, sugerindo que Songs of the Past deve oferecer cerca de 30 horas de conteúdo. Geralt percorre tanto as regiões antigas quanto as novas da cidade, cruzando fileiras de arbustos entrelaçados com flores silvestres; o visual remete a um solstício de verão nórdico, com toques das paisagens rurais da Inglaterra e da Polônia. O resultado é estonteante, beneficiado pela recém-anunciada remasterização, que eleva a base tecnológica de The Witcher 3 com texturas de resolução superior e iluminação por path-tracing. Seria exagero dizer que isso faz o RPG de uma década parecer um título da geração atual de consoles, mas o resultado é, ainda assim, magnífico — sobretudo ao retratar cenários naturais banhados pelos últimos raios de sol do dia.

Letten se mostra um lugar belo, alheio às desgraças do Continente. Nesse aspecto, a cidade remete a Toussaint, o cenário idílico de Blood and Wine.

Mas o ofício de um Bruxo raramente se restringe a territórios agradáveis. Não demora para que Geralt e Lilla cruzem as fronteiras da cidade e se encontrem em terras ainda mais amaldiçoadas. Árvores retorcidas, com galhos emaranhados, delimitam uma arena onde Geralt enfrenta uma Thornbloom — uma planta grande, parecida com uma trepadeira, capaz de fazer brotar campos de bulbos enormes que explodem em seguida. Embora a remasterização — e, por extensão, Songs of the Past — conte com um sistema de combate refinado, a dimensão dessa mudança não fica evidente nesse confronto; a luta parece, essencialmente, a de sempre em The Witcher. Um pouco mais adiante, quando surge o Swarmion com seu escudo de vespas, fica evidente que a corrente adiciona um toque especial à ação; é notável que, durante um momento em câmera lenta, o jogador possa escolher em qual parte do corpo do inimigo Geralt cravará o gancho antes de puxá-lo para o alcance de um golpe corpo a corpo. No entanto, até que o novo sistema seja testado na prática, a suposição é de que as alterações representam ajustes sutis, e não uma reformulação revolucionária.

Progressão de personagem em Songs of the Past

Do mesmo modo, a CD Projekt Red não gastou muito tempo apresentando os sistemas aprimorados de progressão de personagem de Geralt; por isso, ainda não está claro o quanto as coisas mudaram em relação à versão original. O que se viu, no entanto, foram novas telas de habilidades que reorganizam a disposição dos poderes em um formato mais próximo de uma árvore de habilidades; isso indica que houve uma reformulação na forma de evoluir Geralt por meio de melhorias de RPG… ou, no mínimo, uma mudança na maneira como essa progressão é exibida ao jogador.

Geralt e Lilla seguem adiante pela floresta e, por fim, alcançam uma parede densa de espinhos, com galhos entrelaçados por flores violetas e crânios humanos. Na base dela, jaz um cervo agonizante, com o sangue sendo absorvido pela estrutura macabra. Esse é o portal para o Jardim dos Espinhos. Além dele estão as respostas para o mistério do desaparecimento de Dandelion. Em outra partida, Geralt poderia ter usado o intelecto para fazer os galhos se abrirem — a CD Projekt Red garante que há vários caminhos para superar esse obstáculo. No entanto, para economizar tempo, o desenvolvedor responsável pela demonstração opta pela violência e corta o portal. O golpe faz brotar cipós entre Geralt e Lilla, separando os dois. Seria essa a consequência de não adotar uma abordagem mais cautelosa? De todo modo, Geralt é obrigado a enfrentar centopeias gigantes e os já citados Swarmions para reencontrar Lilla… e o poço.

Sim, o poço do sonho de Geralt é real e está sob a proteção do Cavaleiro Adormecido — o chefe dessa demonstração. Trata-se de um cadáver nobre parcialmente transformado em árvore, capaz de atacar e se defender com um braço imenso e coberto de casca. Mas o detalhe curioso é outro: no pescoço, ele carrega uma corrente com um pingente de cavalo. O brasão de Lettenhove. Esse guerreiro decrépito pertence à própria casa de Dandelion… ou, ao menos, pertenceu um dia. Felizmente, a despeito dos indícios de que já vestiu trajes extravagantes, nada sugere que seja o próprio Dandelion. A procura segue, e o próximo destino é óbvio: o fundo do poço. Haveria um demônio lá embaixo?

Não exatamente. Mas a figura de madeira retorcida que habita o local — e que apareceu no trailer de Songs of the Past exibido na Opening Night Live — poderia facilmente ser confundida com um. O que exatamente ela é, ainda não se sabe, pois é nesse ponto que a demonstração da gamescom é cortada abruptamente, dando lugar à tela preta. No entanto, diante de sua importância no referido trailer, é provável que essa criatura esteja no centro do mistério que envolve Dandelion.

Primeiras impressões de Songs of the Past

Essa primeira amostra de Songs of the Past não apresenta nada radicalmente novo ou inesperado. É mais do mesmo The Witcher 3, embora conte com uma base técnica remasterizada e sistemas de combate e habilidades renovados. Mas é prudente não encarar o projeto esperando um “novo” The Witcher; afinal, trata-se de uma expansão para um jogo de 11 anos. O entusiasmo deve ficar reservado para The Witcher 4. Ainda assim, é um jogo de 11 anos que já trouxe inúmeros jogadores de volta e, mesmo que apresente alguns sinais de desgaste com o tempo, permanece muito claro por que The Witcher 3 é um RPG que marcou época. Poder revisitar esse universo mais uma vez para vivenciar uma história totalmente inédita, conhecer personagens novos e explorar um cenário rico e original é algo que muitos jamais imaginaram ser possível; por isso, de certa forma, isso se mostra mais interessante do que um jogo completamente novo — talvez, com Songs of the Past, a CD Projekt Red e a Fool’s Theory tenham encontrado uma forma de fazer o retorno a um lar tão querido parecer, outra vez, como a primeira vez.

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