Os pesquisadores conseguiram, de fato, “escutar” essa expansão. Conforme o estudo divulgado na revista Physical Review Letters em setembro, os buracos negros participantes da colisão possuíam uma área combinada de aproximadamente 240 mil quilômetros quadrados antes da fusão. Depois do impacto, o buraco negro recém-formado atingiu 400 mil quilômetros quadrados, praticamente o dobro.
Comprovação inédita da previsão de Hawking
Esse resultado é tido como a evidência mais robusta já alcançada da teoria de Stephen Hawking. A pesquisa apresenta um nível de confiança de 99,999%. Um experimento inicial realizado em 2021 havia mostrado indícios, porém com informações mais ruidosas e menos exatas.
A verificação se tornou viável exclusivamente pelos progressos tecnológicos do LIGO nos últimos dez anos. Atualmente, os detectores são capazes de mensurar mudanças no espaço-tempo inferiores a um décimo de milésimo do diâmetro de um próton. “Conseguimos captar o sinal nitidamente, o que nos possibilita examinar as leis básicas da física”, declarou Katerina Chatziioannou, docente de Física na Caltech e membro do grupo de estudo.
O físico Kip Thorne, colega de Hawking, recordou que o cientista britânico sempre ansiou por ver sua ideia comprovada. “Caso Hawking estivesse entre nós, teria se regozijado ao observar a expansão da área dos buracos negros fusionados”, afirmou Thorne, um dos criadores do LIGO.
A relevância dessa descoberta ultrapassa a própria hipótese. A conexão entre a área do buraco negro e sua entropia, formulada igualmente por Hawking e Jacob Bekenstein na década de 1970, pavimentou o caminho para investigações que buscam integrar a relatividade geral à mecânica quântica.






