As plataformas de música por streaming estão levando seus ouvintes para a era da inteligência artificial, ainda que com um histórico de conquistas modesto. Conforme noticiado pela CNBC, grandes empresas como Apple, Amazon e Spotify estão aumentando seus investimentos em sistemas de recomendação. Para o Spotify, o principal objetivo é transformar a descoberta musical em uma jornada dialógica e altamente personalizada.
Recentemente, o Spotify implementou uma integração nativa com o ChatGPT, da OpenAI. Essa inovação permite que usuários premium conectem suas contas ao assistente para pedir músicas, artistas ou programas de áudio com base em seu humor, estilo ou assuntos específicos. Diferente do sistema tradicional de “gostar/não gostar”, o modelo de conversa oferece um nível de detalhe muito maior, gerando seleções musicais que se adaptam ao contexto de um diálogo ou a uma fase pessoal.
Analistas destacam que esses investimentos são fundamentais para a empresa se manter relevante. Como os acervos da maioria dos serviços são praticamente iguais, o fator que distingue uma plataforma da concorrente já não é o conteúdo, mas a forma como ela ajuda o ouvinte a encontrar o que deseja escutar.
A investida das grandes corporações: Apple e Amazon
A competição segue acirrada. A Apple vem incorporando gradualmente camadas de IA em seu serviço, o Apple Music. A função “Playlist Playground”, ainda em fase experimental, é a que mais se assemelha à estratégia do Spotify, focando no diálogo por chat para refinar indicações. A empresa também lançou o AutoMix, que usa aprendizado de máquina para analisar batidas e cadências, criando transições suaves entre as músicas, além de ferramentas para traduzir e pronunciar letras instantaneamente.
Por sua vez, a Amazon Music disponibilizou, em meados de 2024, o Maestro. A ferramenta permite gerar listas de reprodução por meio de instruções escritas ou até mesmo símbolos visuais. Embora ainda esteja em fase de testes, a funcionalidade mostra que a indústria avança para um paradigma em que o consumidor “escreve” sua própria experiência auditiva.
iDJ: O fenômeno de conexão do Spotify
Um dos pilares dessa estratégia de fidelização é o iDJ. Lançado em 2023, o recurso interativo já atingiu 90 milhões de assinantes, com os usuários totalizando mais de 4 bilhões de horas de uso. O sucesso da ferramenta é visto pela diretoria da empresa como uma prova de que a personalização gera “lealdade”.
Em declaração à CNBC, o co-CEO do Spotify comentou:
Se o iDJ funciona como uma interface informal para dialogar com a plataforma, a nova função de “Playlists por Comandos” representa o modo de “busca aprofundada”. “Ela permite que você descreva e estabeleça diretrizes para suas próprias coleções, basicamente programando seu algoritmo pessoal”, disse o executivo em conferência com investidores.
Alex Norström, co-CEO do Spotify.

O custo de trocar de serviço
Especialistas do setor, como Michael Pachter, da Wedbush Securities, comparam a estratégia do Spotify à do Google. Ao se conectar a mais de 2 mil categorias de dispositivos e treinar seus algoritmos com anos de histórico dos clientes, o Spotify cria uma barreira para o cancelamento.
Embora serviços como o Apple Music ofereçam ferramentas para transferir bibliotecas, o “ônus” de abandonar um sistema que já conhece suas preferências e rotinas é considerável. “O Spotify tenta criar o mesmo nível de indispensabilidade que a Busca do Google”, afirma Pachter à CNBC. Para o mercado financeiro, mesmo com a cotação das ações tendo oscilado recentemente, a capacidade da empresa de usar a IA para consolidar seu ecossistema, em vez de ser engolida por ela, parece ser o caminho para se manter no saturado universo do streaming.







