Mais de 70 milhões de brasileiros têm dificuldade para dormir, e quase metade dos adultos não pratica atividades físicas com regularidade. Esse estilo de vida cria um ciclo vicioso: a falta de movimento atrapalha o sono, e o cansaço resultante mina a energia no dia seguinte.
Nesse cenário, os dispositivos vestíveis ganham relevância. Modelos como o Galaxy Watch, o Apple Watch e o Huawei Watch são excelentes, mas seu alto custo os torna inacessíveis para muita gente.
A atenção se volta então para a Xiaomi Smart Band 10, que se apresenta como uma ferramenta de autoconhecimento. Por pouco mais de trezentos reais – valor bem abaixo dos smartwatches premium –, ela funciona como um “espelho biológico”, ajudando a quebrar esse ciclo ao oferecer análise de sono, monitoramento de exercícios e alertas de aplicativos do celular.
Bateria: desempenho notável mesmo com uso intenso
A fabricante promete até 21 dias de autonomia, mas um teste prático foi feito para verificar seu limite. Ao longo de 15 dias de uso ininterrupto, o dispositivo permaneceu no pulso. A rotina incluiu dez sessões de musculação, treinos na esteira e na bicicleta, além do monitoramento do sono na maioria das noites.
O resultado: no décimo quinto dia, ao voltar da academia, a pulseira ainda marcava 12% de bateria.
Diferente dos smartwatches que precisam de carga diária, a Smart Band 10 permite um acompanhamento constante, eliminando a preocupação com a duração da bateria para quem está tentando criar novos hábitos.
Sono: entendendo as causas do cansaço matinal
Para os 31,7% de brasileiros que apresentam sintomas de insônia, a Smart Band 10 traz uma análise reveladora. Dos 15 dias de teste, o dispositivo foi usado durante o sono em 14. Inicialmente, foram usadas as metas básicas, mas depois se optou pelo monitoramento avançado.
Nesse modo, ela acompanha os ciclos de sono REM e a variação dos batimentos cardíacos durante o repouso.
Muitas vezes, quando pegamos no sono rápido, temos a impressão de um bom descanso, mas os dados podem mostrar uma falta de sono profundo. Ver como uma caminhada à tarde melhora a qualidade do sono à noite cria um incentivo para manter a regularidade nas atividades.
Exercícios: funcionalidades inteligentes e a limitação do GPS
A Smart Band 10 é compatível com mais de 150 modalidades esportivas, incluindo opções menos comuns, como dança e e-sports. Ela também detecta automaticamente exercícios com movimentos repetitivos, como caminhada, corrida, uso de elíptico, ciclismo e natação.
No entanto, um ponto crucial precisa ser destacado: ela não tem GPS próprio.
Na prática, em uma partida de futebol, não será possível gerar um mapa detalhado dos deslocamentos em campo. Para uma corrida sem o smartphone, a rota não ficará registrada no aplicativo Mi Fitness depois.
Ela depende do GPS do celular, sendo necessário levar o telefão para mapear o percurso.
Para treinos em ambientes fechados, o acelerômetro assume a função, mas pode apresentar uma margem de erro de cerca de 300 metros a cada 3 quilômetros no início. A calibração manual após o exercício é importante para que o algoritmo se adapte ao padrão do usuário.
Running Clip (Clipe de Corrida)
A pulseira permite o “Modo Calçado” através deste acessório, que é preso ao tênis. Ele habilita métricas avançadas, como tempo de voo, tipo de pisada e tempo de contato com o solo.
Seria ideal que viesse incluído na caixa, mas isso aumentaria o preço final; o problema é que a Xiaomi cobra cerca de R$ 110,00 em seu site oficial – um valor que representa quase um terço do custo da pulseira por um componente pequeno de plástico. A solução técnica funciona, mas o preço cobrado parece exagerado.
Mi Fitness: o aplicativo de controle central
A experiência está diretamente ligada ao aplicativo Mi Fitness. Por meio dele, é possível trocar o mostrador do dispositivo e configurar quais aplicativos e funções serão exibidos, e em qual ordem. O app é organizado em seções estratégicas:
- Saúde: espaço para acompanhar as métricas do sono (duração, fases e pontuação), com comparação com a noite anterior.
- Treino: um histórico completo com distância, duração, intensidade, ritmo e faixas de frequência cardíaca – dados essenciais para monitorar a evolução.
- Dispositivos: abriga as configurações de notificações e do sistema. Aqui também se ajustam os modos de uso: pulseira, calçado ou cordão (como um pingente).
- Comunidade: permite criar competições com amigos, tornando a busca por condicionamento físico uma atividade social e motivadora.

Quais as diferenças para a Smart Band 9?
Para os usuários da geração anterior, as melhorias se concentram no aprimoramento técnico. Abaixo estão os principais pontos de evolução.
A tela deu um salto significativo
A tela AMOLED cresceu de 1,62″ para 1,72″ sem alterar o tamanho do aparelho. A mudança está nas bordas mais finas e simétricas, que dão um visual mais sofisticado. O brilho máximo também aumentou de 1.200 para 1.500 nits, facilitando a visualização ao ar livre.
Por fim, a taxa de atualização não fica travada em 60Hz, podendo cair até 5Hz quando o dispositivo está inativo, o que ajuda a economizar bateria mesmo com a função de mostrador sempre ativo.
Sensores de segunda geração e HyperOS
O módulo de leitura cardíaca e SpO2 foi atualizado para maior precisão durante treinos intensos. O motor de vibração foi aprimorado, entre várias outras pequenas melhorias que garantem, por exemplo, mais exatidão em esportes como natação. O sistema HyperOS mostra maior fluidez e melhor estabilidade no recebimento de notificações.
Xiaomi Smart Band 10: especificações técnicas
- Tela: AMOLED de 1,72″ com taxa de atualização variável de 5Hz a 60Hz e brilho automático.
- Sensores: acelerômetro de 6 eixos, giroscópio, sensor óptico de batimentos cardíacos (PPG) e sensor de luz ambiente.
- Resistência: 5 ATM (até 50 metros de profundidade).
- Conectividade: Bluetooth 5.4 (GPS conectado via smartphone).
- Bateria: 233mAh com carregamento magnético.
Vale a pena? Uma grande aliada para o bem-estar
A Smart Band 10 abre mão de funcionalidades premium, como GPS integrado, instalação de aplicativos ou ECG, para manter um preço acessível. No contexto da saúde no Brasil, essa é uma troca bastante razoável.
Ela cumpre as funções essenciais com competência e se torna uma verdadeira aliada – seja para ajudar na perda de peso, seja para conquistar mais horas de sono reparador. É uma escolha inteligente para quem quer cuidar da saúde sem gastar muito.
Pontos fortes
- Bateria de longa duração
- Excelente custo-benefício
- Bons recursos disponíveis no aplicativo Mi Fitness
Pontos fracos
- Preço alto do acessório Running Clip
- Certas imprecisões na medição de alguns esportes, provavelmente por falta de GPS integrado







