14 de fevereiro de 2026
sábado, 14 de fevereiro de 2026

Sistema solar invertido é descoberto a mais de 100 anos-luz da Terra

A mais de cem anos-luz da Terra, um sistema solar está desafiando os astrônomos e pode forçar a ciência a repensar ideias estabelecidas sobre a origem dos mundos. Dados dos telescópios da NASA e da Agência Espacial Europeia (ESA) revelaram uma estrutura atípica ao redor da estrela LHS 1903, uma anã vermelha, o tipo estelar mais comum no cosmos.

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Quatro planetas orbitam essa estrela, mas seu arranjo desafia o padrão convencional. O mundo mais próximo é rochoso; os dois seguintes são ricos em gases; e o mais distante, surpreendentemente, também tem composição rochosa. Essa organização contraria o modelo observado em nosso próprio Sistema Solar, onde os planetas rochosos ocupam as órbitas internas e os gigantes gasosos ficam nas regiões externas.

Formação em ordem invertida

O modelo clássico propõe que os planetas nascem de um disco de gás e poeira que circunda estrelas jovens. Nas zonas mais quentes, perto do astro, apenas materiais resistentes a altas temperaturas, como ferro e silicatos, conseguem se agregar, formando corpos rochosos. Já além da chamada “linha de gelo”, onde as temperaturas permitem a condensação de água e outros compostos, os núcleos planetários se expandem rápido e podem acumular grandes volumes de hidrogênio e hélio, criando gigantes gasosos.

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Segundo Thomas Wilson, professor assistente da Universidade de Warwick e principal autor do estudo publicado na revista Science, esta é a primeira vez que se detecta um planeta rochoso tão longe de sua estrela, posicionado além de mundos gasosos. Esse objeto externo, classificado como uma “Super-Terra”, tem aproximadamente 1,7 vez o raio do nosso planeta.

A equipe investigou possibilidades como colisões entre planetas ou a perda da atmosfera de um gigante gasoso, mas as simulações não conseguiram reproduzir o sistema encontrado. A explicação mais plausível, de acordo com os cientistas, envolve um processo de formação com uma redução gradual de gás. Nesse cenário, os planetas teriam surgido em sequência, do mais interno para o mais externo. Quando o último começou a se formar, o disco já estava com pouco gás e poeira, o que favoreceu o aparecimento de um corpo predominantemente rochoso.

O sistema foi detectado primeiro pelo satélite TESS e depois examinado com o telescópio CHEOPS, além de informações complementares de observatórios terrestres.

Para Sara Seager, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts e coautora do estudo, a descoberta pode representar um dos primeiros indícios de que a formação planetária em torno de anãs vermelhas segue caminhos diferentes daqueles observados em estrelas similares ao Sol. Ainda assim, especialistas destacam que a discussão permanece aberta.

Heather Knutson, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, ressaltou que o planeta mais externo pode ser frio o suficiente para permitir a condensação de água, e que observações futuras com o Telescópio Espacial James Webb poderão revelar detalhes sobre sua atmosfera.

O caso de LHS 1903 traz uma informação inesperada para os modelos atuais e deve estimular novas simulações nos próximos anos. Em uma área do conhecimento ainda em desenvolvimento, o sistema serve como um alerta: a variedade de arquiteturas planetárias pode ser mais ampla e complexa do que se imaginava.

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