O sistema de apoio espiritual das penitenciárias do Espírito Santo servirá de modelo para o Sistema Penitenciário Federal. Recentemente, um representante da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) esteve no estado em visita técnica. O objetivo foi analisar em detalhe as rádios internas da rede carcerária capixaba, usadas para transmitir o atendimento religioso dentro dos presídios.
Essas emissoras internas transmitem sua programação diretamente do estúdio para as galerias, por meio de alto-falantes instalados nas celas. O sinal não é captado fora do ambiente prisional. Esse recurso amplia o alcance das mensagens religiosas sem comprometer a segurança.
“Nas penitenciárias federais, o apoio religioso atualmente é feito de forma presencial. A ideia é somar o modelo do Espírito Santo a essa prática, usando a tecnologia de áudio para democratizar o acesso e, ao mesmo tempo, reforçar a proteção. O rádio reduz a movimentação de pessoas pelos corredores, o que diminui riscos à segurança e possíveis aliciamentos por parte do crime organizado”, explicou José Wellington Soares Costa, Especialista Federal em Assistência à Execução Penal.
Ele também destaca que a gestão feita pela Secretaria da Justiça (Sejus), por meio da Subgerência de Assistência Religiosa e Minorias (Subarm), é fundamental para o sucesso da iniciativa.
“A metodologia do Espírito Santo se destaca por ser bem estruturada e planejada. Pudemos ver in loco que o apoio espiritual, quando integrado aos protocolos de segurança, influencia positivamente o comportamento dos detentos e reduz as faltas disciplinares. Para a Senappen, o serviço voluntário é um componente essencial no processo penal, pois estimula a reflexão, o arrependimento e o afastamento da atividade criminosa”, declarou José Wellington.
Com o fim da visita técnica, o planejamento agora avança para a etapa de adaptação e instalação dos aparelhos de som nas penitenciárias federais, seguindo o padrão de eficácia observado nas unidades prisionais capixabas.
Reconhecimento do trabalho voluntário
No Espírito Santo, 3.113 voluntários garantem o atendimento espiritual às pessoas sob custódia. A coordenadora da Subgerência de Assistência Religiosa e Minorias, Maria Jovelina Debona, ressalta que o aval da Senappen é resultado de um trabalho dedicado realizado no estado.
“É com grande satisfação e senso de dever que vemos o modelo de assistência religiosa do Espírito Santo se tornar uma referência para o Sistema Penitenciário Federal. Esse reconhecimento da Senappen confirma um trabalho que prioriza o equilíbrio previsto na Lei de Execução Penal (LEP) e a segurança das unidades”, afirmou.
“O voluntariado religioso é um caminho de benefício mútuo, que gera ganhos emocionais valiosos. Ajuda quem cumpre pena, oferecendo um caminho de ponderação e contrição, mas também contribui para um ambiente carcerário mais estável e humanizado. A prática da fé, em toda a sua pluralidade, tem o poder de curar feridas que o próprio encarceramento não alcança. Por isso, a assistência religiosa cumpre com maestria a função de reintegrar, mostrando que é possível mudar trajetórias e preparar a pessoa para um retorno digno à sociedade”, concluiu Maria Jovelina Debona.







