Embora o achado da pesquisa seja promissor, ainda é preciso compreender melhor como essa relação funciona, principalmente em estudos clínicos com humanos. Este é um trabalho observacional, portanto, não pode estabelecer causa e efeito, apenas que existe uma associação entre a metformina e uma menor progressão da DMRI, observa Nicholas Beare, pesquisador da Universidade de Liverpool e principal autor do estudo.
Na prática, isso significa que o medicamento pode estar associado ao benefício, mas não necessariamente ser o responsável direto. Além disso, como a pesquisa focou em pacientes com diabetes tipo 2, novas análises precisam ser feitas para verificar se essa redução se aplicaria à população geral com DMRI. Esses efeitos são insuficientes para alterar a prática clínica atual, mas indicam a necessidade de um ensaio clínico prospectivo, destaca Beare.
Para comprovar o efeito da metformina na prevenção ou progressão da DMRI, seria necessário um estudo que analise, em humanos, a diferença na evolução da doença entre quem toma a medicação e quem recebe placebo.
Aposta da biotecnologia
Enquanto os estudos clínicos não avançam, a indústria busca acelerar o processo. A empresa Curative Biotech, dos Estados Unidos, está desenvolvendo uma versão reformulada da metformina para uso direto nos olhos, em forma de colírio ou outras vias de aplicação local, como injeções intraoculares.
A ideia é entregar o medicamento diretamente ao epitélio pigmentar da retina, onde ocorrem processos-chave da degeneração. Pesquisas indicam que a substância pode ativar a AMPK, reduzir a secreção de VEGF e equilibrar o cálcio celular, três mecanismos envolvidos na doença.






