Mitos e verdades sobre o país líder em cirurgia plástica

O turismo de beleza no Brasil ainda sofre com generalizações. Muitas vezes, a expansão desse setor é atribuída a apenas dois fatores: custos acessíveis e uma sociedade que cultua o corpo. A realidade, porém, é mais complexa.

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Anualmente, o país realiza mais de três milhões de procedimentos estéticos, figurando constantemente entre os líderes no ranking global de cirurgias plásticas. Estima-se que de 12% a 15% desses procedimentos envolvam clientes estrangeiros, um sinal de que a demanda internacional se consolidou como um componente estável do setor.

O critério vai além do preço

Há uma crença comum de que os estrangeiros escolhem o Brasil apenas pela vantagem financeira. Segundo o Dr. Leandro Faustino, da Revion International Clinic — clínica recém-inaugurada em São Paulo com foco no público internacional —, o perfil desse cliente mudou.

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“Hoje, o paciente estrangeiro não decide com base apenas no preço. Ele avalia protocolos de segurança, acreditações hospitalares, confiabilidade do agendamento e o planejamento do pós-operatório. A escolha se tornou muito mais técnica”, explica.

De acordo com o médico, o planejamento inclui até a logística para o retorno ao país de origem, o que exige uma infraestrutura de cuidados bem estruturada e um monitoramento atento após a cirurgia.

A busca pela naturalidade

Outro equívoco frequente é a ideia de que o padrão estético brasileiro prioriza resultados artificiais. A Dra. Ana Penha Ofranti, que também integra a equipe da Revion, observa que o mercado está em transição.

“A cliente atual busca naturalidade. O objetivo deixou de ser uma mudança radical para se tornar harmonia e a preservação da identidade”, comenta.

Para a especialista, parte da procura estrangeira está ligada justamente à fama de resultados mais equilibrados e personalizados.

Impacto econômico ampliado

Também persiste a visão de que o turismo estético beneficia apenas consultórios e médicos. Na verdade, o impacto financeiro se estende a outras áreas. Os gastos médios de um paciente internacional incluem hospedagem, transporte e serviços complementares, aquecendo a rede hoteleira, a logística e os atendimentos especializados — especialmente em grandes metrópoles como São Paulo, que concentra hospitais de alta tecnologia e clínicas voltadas para o público estrangeiro.

Uma estrutura consolidada

Existe ainda a ideia de que o setor atua de forma desorganizada. Contudo, o Brasil possui uma das maiores concentrações de cirurgiões plásticos do mundo, o que ajuda a atender a demanda global sem prejudicar os pacientes locais. Essa dimensão profissional mantém o país entre os destinos mais procurados por quem busca procedimentos estéticos.

Entre equívocos e fatos, o turismo estético brasileiro revela um setor que amadureceu além da imagem cultural das décadas passadas. A ascensão da área não se sustenta apenas em custo ou exposição midiática, mas em infraestrutura médica, organização dos serviços e reconhecimento internacional.

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