A robustez fiscal do Espírito Santo viabiliza a aplicação de R$ 3,7 bilhões em iniciativas governamentais. A combinação de uma economia que cresce acima da média nacional com índices reduzidos de desemprego permite que a estabilidade nas finanças se converta em melhorias estruturais, serviços e progresso social.
Essa trajetória positiva aparece claramente nos números. Segundo dados do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), o Produto Interno Bruto (PIB) estadual cresceu 2,3% no segundo trimestre de 2025 em relação ao trimestre anterior, um desempenho bem superior ao do país, que ficou em 0,4%.
Na comparação com o mesmo período de 2024, o aumento foi de 3,4%. Já a variação acumulada para o primeiro semestre, em relação ao ano anterior, registrou alta de 2,4%.
Os indicadores de gestão financeira reforçam esse cenário favorável. Pelo segundo ano seguido, o Estado obteve a classificação A+ na avaliação da Secretaria do Tesouro Nacional (STN), mantendo também, há catorze anos consecutivos, a nota A na Capacidade de Pagamento dos Estados (Capag).
O diretor-geral do IJSN, Pablo Lira, destacou os impactos positivos diretos para a população. Como exemplo, o Espírito Santo registrou, no terceiro trimestre de 2025, uma das quatro menores taxas de desemprego do país, ficando em 2,6% – o menor patamar desde o início da série histórica, em 2012. Esse percentual está abaixo da média nacional, que é de 5,6%, conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE.
Lira também ressaltou que a união entre prudência fiscal e uma estratégia de desenvolvimento foi fundamental para fomentar políticas públicas abrangentes e diversificadas ao longo de 2025. “A integração de políticas públicas faz do Espírito Santo um local excepcional para morar, trabalhar, investir e abrir negócios”, afirmou.
Segurança se destaca
Para o diretor-geral do IJSN, um dos pontos altos do ano foi a segurança pública, setor que, segundo ele, recebe o maior volume de recursos já destinado na história do estado. Apenas em 2025, o montante foi de R$ 2,6 bilhões. Lira disse que o programa Estado Presente continua sendo o eixo central da redução consistente da criminalidade violenta.
Dados recentes apontam uma transformação estrutural: de 2.034 homicídios em 2009, o Estado concluiu 2024 com 854 registros — e, de acordo com Lira, deve finalizar 2025 com menos de 800 casos, o número mais baixo desde 1996. A taxa de homicídios, que era de 20 por 100 mil habitantes em 2024, pode alcançar a faixa entre 18 e 19 neste ano, conforme o diretor-geral do IJSN.
Esse progresso é sustentado por uma série de medidas integradas: recomposição do efetivo policial — com novos profissionais formados em 2025 —, aquisição de armamentos modernos, viaturas equipadas com tecnologia, sistemas de reconhecimento facial e a operação Cerco Inteligente, que já colaborou na prisão de mais de 500 criminosos até meados de novembro. Além disso, totens de vigilância começaram a ser instalados para intensificar a prevenção de roubos e furtos em logradouros públicos.
Progressos em diversos modais
Na área de logística, 2025 foi marcado por avanços no setor aeroviário, com o início dos trabalhos de modernização e ampliação do Aeroporto Raimundo de Andrade, em Cachoeiro de Itapemirim, no sul do estado, e os estudos para a construção do Aeroporto Regional das Montanhas Capixabas.
Houve também progresso nas tratativas para viabilizar a Estrada de Ferro 118 (EF-118), que conectará o Espírito Santo ao Rio de Janeiro, com possibilidade de leilão em 2026. No segmento portuário, entre outros investimentos em curso, foi lançado o Parklog ES, uma plataforma logística no norte cujo investimento é o maior da história estadual em infraestrutura: R$ 12,3 bilhões.
Já na região da Grande Vitória, ocorreram avanços em obras de mobilidade, como a aceleração do Contorno de Jacaraípe – na ES-115, Serra –, com previsão de conclusão em breve, a expansão do sistema aquaviário, com anúncio de duas novas estações, e melhorias no sistema Transcol — tanto na frota de ônibus quanto nos terminais —, entre outras ações.
Apesar dos avanços, Pablo Lira reforçou que o principal desafio continua sendo o passivo federal na infraestrutura rodoviária, especialmente nas BR-262 e BR-259, que têm obras de duplicação atrasadas. “A 262 é praticamente a mesma do século passado. O governo federal precisa dar a atenção que o Espírito Santo merece.”
Meio ambiente
A política ambiental também registrou progressos em 2025. Entre as iniciativas, o diretor do IJSN destacou que o Estado opera um plano abrangente de descarbonização, com um comitê de monitoramento ativo, e está elaborando um plano de adaptação climática.
Além disso, o governo estadual destinou R$ 500 milhões do Fundo Soberano para financiar projetos de transição energética e descarbonização.
O Programa Reflorestar, focado na recuperação de mata nativa, vai investir R$ 334 milhões na recuperação ambiental da Bacia do Rio Doce, representando um novo passo nessa direção.
“Mar tranquilo”
Com cerca de R$ 138 bilhões em investimentos públicos e privados previstos até 2029 — sendo 70% já em execução —, o Estado adentra 2026 navegando, nas palavras de Lira, “em mar tranquilo, com previsibilidade e segurança”. A expectativa, segundo ele, é manter o crescimento acima da média nacional, continuar reduzindo o desemprego e ampliar as oportunidades socioeconômicas.







