Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, os lares brasileiros abrigam cerca de 52,2 milhões de cães, o que corresponde a quase metade de todas as residências. Já dados mais recentes do setor pet apontam para uma população canina próxima de 62 milhões.
Levar o animal de estimação em viagens virou prática comum para muitos turistas, tanto no Brasil quanto no exterior. Pesquisas mostram que a maioria dos brasileiros tem interesse em viajar com seus pets, e uma parcela considerável já viveu essa experiência. A procura por acomodações que aceitam animais e por informações sobre transporte aéreo para cães cresceu bastante nas ferramentas de busca.
Um estudo da Booking.com indica que quase metade dos viajantes brasileiros escolhe destinos e hospedagens pensando se são adaptados para pets. Esse novo hábito tem levado empresas do ramo a investir em infraestrutura e serviços especializados para esse nicho.
Diante desse cenário, o Ministério do Turismo, em parceria com a Unesco, divulgou recentemente um amplo levantamento sobre o turismo pet friendly no país. Já foi publicado um edital para contratação de consultoria especializada, que conduzirá estudos em todas as unidades federativas. A análise vai focar na oferta de serviços, na demanda existente e no ecossistema que envolve os empreendimentos.
Fabiana Oliveira, coordenadora-geral de Produtos e Experiências Turísticas do Ministério do Turismo, destaca que o turismo voltado para pets reflete mudanças no comportamento dos viajantes e na composição das famílias. Hoje, os animais de estimação fazem parte do cotidiano familiar e influenciam cada vez mais as escolhas de consumo e o planejamento de viagens.
Mapeamento nos 27 estados
Como explica a coordenadora, o mapeamento visa identificar oportunidades, obstáculos e vocações regionais para o crescimento desse segmento, servindo de base para políticas públicas e estratégias de qualificação. A iniciativa se justifica pela necessidade de transformar uma “tendência espontânea” em um mercado profissional e sustentável.
Até agora, não há um diagnóstico nacional abrangente sobre o tema, apenas ações isoladas de estados, municípios ou da iniciativa privada. Falta um estudo detalhado que identifique a oferta de serviços, os destinos adequados para receber animais e o perfil dos viajantes que buscam esse tipo de experiência.
Guia para o tutor
Em paralelo ao mapeamento, será lançado o “Guia Nacional de Turismo Pet Friendly”, voltado principalmente a tutores que viajam com seus animais. A publicação trará recomendações práticas para as viagens, informações sobre o conforto do animal durante deslocamentos e hospedagens, além de listar destinos, experiências, prestadores de serviços e estabelecimentos preparados para atender esse público.
A ideia é oferecer um instrumento acessível que facilite o planejamento das viagens e incentive práticas positivas no setor. A intenção é organizar o segmento de forma responsável, considerando fatores como hospitalidade, segurança, infraestrutura e bem-estar animal.
Manual de Boas Práticas
Outro objetivo do estudo é ampliar a compreensão sobre o conceito e as práticas do turismo pet friendly no Brasil. A consultoria ficará responsável por estabelecer critérios de caracterização que levem em conta adequação estrutural, comportamental, operacional e normativa, alinhados às regras da Anvisa e às resoluções do Conselho Federal de Medicina Veterinária.
O trabalho também incluirá a elaboração de um glossário com terminologia padronizada e um Manual de Boas Práticas. A meta é que os estabelecimentos não apenas se declarem pet friendly, mas de fato ofereçam serviços concretos e seguros, seguindo diretrizes claras de atendimento e manejo.







